• Descrição: O gavião-bombachinha-grande é uma espécie florestal, mede de 30 a 42 cm de comprimento. Os machos pesam em média 204-250 g e as fêmeas 342-454 g (del Hoyo et al. 1994). O adulto possui a plumagem cinza na parte ventral e cinza-escuro no dorso, com calções avermelhados e cauda com três barras cinzas. Seu peso é de 205 a 250 gramas. Tal espécie pode ser confundida com o Harpagus diodon que é menor (Fergunson-lee e Christie, 2001; Sick, 1997).
• Alimentação: O Gavião-bombachinha-grande bastante hábil nas caçadas alimenta-se quase que exclusivamente de aves. Caça sabiás (Turdus e Mimus), pequenas pombas e outras pequenas aves. Pode se alimentar também de pequenos mamíferos e lagartos. Caça utilizando poleiros para localizar suas presas, ou voando sobre as copas (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997). Um indivíduo foi observado caçando como um falcão, planando a grande altitude e posteriormente fazendo um mergulho picado sobre um grupo de Canário-da-terra (Sicalis flaveola) e Tico-tico (Zonotrichia capensis) (com. pess. Jorge Albuquerque).

Accipiter bicolor com plumagem imatura. Franca/SP Julho 2010
Foto: José Laerte Casoni
• Reprodução: Durante o período reprodutivo costuma voar a grandes altitudes, solitariamente ou em pares, realizando uma série de acrobacias e vários mergulhos que são executados após uma seqüencia de batidas rápidas de asas (obs. pess. D. Kajiwara, J. L. B. Albuquerque e L. G. Trainini). Coloca de um a quatro ovos que são incubados durante 33 a 37 dias. A fêmea incuba os ovos na maioria das vezes, e o macho traz o alimento ao ninho. Seu período de incubação é de 33 a 37 dias. Os filhotes ficam sendo alimentados por cerca de sete semanas, embora alguns retornem uma vez em um quando pelas semanas seguintes de modo que os pais o dêem a algo comer (Mikich & Bérnils, 2004).
• Distribuição Geográfica: Se distribui por quase todo o Brasil, sendo encontrado somente em florestas preservadas. No estado do Paraná esta espécie é conhecida em poucas localidades, todas nos domínios da Floresta Ombrófila Mista (Mikich & Bérnils, 2004).
• Subspécies: São conhecidas quatro subspécies do gavião-bombachinha-grande. Accipiter bicolor fidens: ocorre das provínicias de Yucatán, Oaxaca e Veracruz do México ao Sul do mesmo país. Accipiter bicolor bicolor: sul do México (Peninsula de Yucatán), América Central até o ocidente dos Andes e Noroeste do Perú (Lambayeque), Bolívia, leste do Peru e do Brasil. Accipiter bicolor pileatus: Brasil, sul da Amazônia (leste do Mato grosso Até o sul do Maranhão e Ceará) e noroeste da Argentina (misiones). Accipiter bicolor guttifer: Brasil (oeste de Mato Grosso), Bolívia até Chaco no Paraguai e Missiones na Argentina (del Hoyo et al. 1994; Marquez et al. 2005).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio de Janeiro: Provavelmente Ameaçada (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).
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• Hábitos/Informações Gerais: Tal espécie encontra-se na lista vermelha de animais ameaçados de extinção de alguns estados brasileiros, como é o caso do estado do Paraná. A conservação de remanescentes de áreas florestadas através da criação ou ampliação de unidades de conservação consiste em medida louvável para a conservação, não exclusivamente desta espécie, mas de muitas outras dependentes dessa fitofisionomia. Trata-se de um falconiforme florestal de difícil detecção. Devido ao seu comportamento crítico, ele provavelmente tem sido subestimado em levantamentos ornitológicos, podendo ser mais comum do que aparenta (Sick, 1997; Mikich & Bérnils, 2004).
Accipiter bicolor. Inhotim - Brumadinho/MG, Outubro 2008. Foto: Eduardo Fonseca |
Accipiter bicolor Imaturo. Mata ciliar da caatinga/BA. Foto: Pedro Figueiredo |
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
del HOYO, .J., ELLIOT, A. E SARGATAL, J. Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 1994. 638p.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997
SIMON, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.
