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Tauató-pintado
Accipiter poliogaster (Temminck, 1824)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Açores

Nome em inglês: Gray-bellied Hawk
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos vertebrados


Distribuição no Brasil:



Status: (DD) Dados desconhecidos


Individuo Adulto (fêmea). Irineópolis/SC, Setembro de 2011.
Foto: Willian Menq

Vocalização típica - (gravado por: Willian Menq)

Trata-se de um gavião discreto e arisco, podendo facilmente passar despercebido nos inventários ornitológicos. É um grande predador de aves, verdadeiro “terror dos passarinhos”, caçando desde pombos até inhambus. Ocorre em quase todo o Brasil, habita florestas, capoeiras, bordas de matas e áreas antropizadas. Conhecido também como tauató, gavião-pintado e tanatam-pintado.

• Descrição: É a maior espécie do gênero Accipiter no Brasil, mede de 43-50 cm de comprimento, sendo o macho menor. Adulto apresenta os lados da cabeça e partes superiores preto-acinzentadas, garganta branca, barriga acinzentada e a cauda com três largas faixas cinza, com a ponta branca. No macho além do tamanho diminuto, possuí as laterais da cabeça e nuca cinza-claro e no alto da cabeça um pouco mais escuro. O jovem tem plumagem semelhante a do adulto de Spizaetus ornatus (gavião-de-penacho) possivelmente como defesa contra macacos grandes que poderiam predar o jovem no ninho, tendo em vista a imagem de forte predador que este último representa para os primatas (Del Hoyo et al. 1994).

• Espécies similares: Possui variações polimórficas podendo muitas vezes ser confundido com o gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor). Indivíduos adultos são similares ao falcão-tanatau (Micrastur mirandollei), diferindo principalmente no tamanho maior, cauda mais curta e com a cera menos pronunciada. Imaturos se assemelham ao adulto do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), diferindo principalmente no pequeno porte, ausência de penacho e tarsos desplumados . Também pode ser confundidos com o falcão-relógio (Micrastur semitorquatus).

• Alimentação: Alimenta-se principalmente de aves, desde pombos até inhambus (Boesing et al. 2012, Melnyk et al. 2013). Caça tanto no estrato inferior quanto no superior da floresta, voando de poleiro em poleiro, com pausas para observar a presa, para então mergulhar sobre a vítima. Após a captura, leva a presa em uma das garras (deixando a outra livre para pousar), indo a poleiro preferencial para então comer. Também realiza perseguições em capoeiras e borda de matas.

Lanzer et al. (2009) encontraram um indivíduo morto junto a um pombo (Columbidae), que colidiu com uma vidraça em uma perseguição de caça contra o pombo. Há registros desta espécie perseguindo juriti Leptotila rufaxilla (Kaminski & Tres 2011). Boesing et al. (2012) registraram nove presas levada ao ninho, sendo oito aves e um mamífero, aparentemente um filhote de tatu.

• Reprodução: Sua biologia reprodutiva é pouco conhecida. Boesing, Menq & Anjos (2012) encontraram um ninho ativo da espécie no sul do Brasil. O ninho estava localizado no interior de uma floresta ombrófila mista, construido com ramos em forma de plataforma na parte superior de uma Araucária, a cerca de 18 m de altura. A postura foi de dois ovos, sendo a fêmea responsável pela incubação. Apenas um filhote sobreveu e deixou o ninho 49 dias após o nascimento. O jovem foi alimentado pelos adultos por pelo menos 90 dias após a eclosão. Macho e fêmea defendiam o ninho contra qualquer intruso que se aproximava da área. No ano anterior, o casal e um jovem haviam sido observados na mesma área indicando que a espécie já usava a área como sítio de reprodução.


Fêmea no ninho monitorado por Boesing et al. (2012)
Foto:
Andrea Larissa Boesing

Fêmea alimentando 2 filhotes com três semanas de vida.
Foto:
Andrea Larissa Boesing

Filhote com 9 semanas de vida, pousado nos arredores do ninho.
Foto:
Andrea Larissa Boesing

• Distribuição Geográfica: Ocorre da Venezuela e Guianas, Equador, Peru, Bolívia até o norte da Argentina, incluindo grande parte do Brasil (Ferguson-Lees e Christie, 2001). No Brasil, está presente na região amazônica a leste dos rios Negro e Madeira e, localmente, nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul (Sick, 1997).

Em junho de 2008, um imaturo apareceu nas planícies e Finca LA Selva na Costa Rica. Foi o primeiro registro da espécies para a América Central. Depois de alguns meses, o mesmo indivíduo foi localizado na mesma região (Jones & Komar, 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Aparentemente é raro e pouco conhecido em toda a sua área de ocorrência (Del Hoyo et al. 1994). Habita regiões florestadas, bordas de florestas de galeria até mesmo áreas fragmentadas. Ridgely & Greenfield (2001) relatam que essa espécie pode ocasionalmente pousar em campos abertos ou mesmo nas bordas das florestas, mas não plana sobre essas áreas. É muito arisco, ágil e elusivo, podendo facilmente passar despercebido nos inventários ornitológicos, o que explica o baixo numero de registros da espécie. Devido a raridade e ao comportamento incospícuo, é considerado como "rapinante_fantasma". É também uma ave muito agressiva, no período reprodutivo vocaliza fretenicamente e realiza vários rasantes velozes contra qualquer intruso, inclusive o homem, por vezes até atingindo o mesmo. Boesing et al. (2012) registraram a fêmea atacando e atingindo o gavião-de-cabeça-cinza Leptodon cayanensis que voava próximo ao ninho.

Hilty & Brown (1986) sugerem que os registros realizados na Colômbia sejam de migrantes vindos de várias regiões do sul do continente. Pouco conhecido quanto às populações residentes e aquelas que, provavelmente, possam migrar (ICMBIO, 2008; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Em Perigo (Rio Grande do Sul 2014).
  São Paulo: Quase ameaçado (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Criticamente em Perigo (Copam 2010).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Consema 2011).


Recentemente a espécie têm sido registrada com maior frequência no estado do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, sendo a maioria dos registros em áreas sob domínio da Floresta Ombrófila Mista ou de vegetação pouco densa com certo grau de pertubação (Lanzer 2009; Lima 2011; Kaminski & Tres 2011; Boesing et al. 2012).



Fêmea adulta próximo ao ninho.
Nova Trento/SC, Setembro de 2012.
Foto: Willian Menq

Fêmea adulta. São Lourenço da Serra/SP, Junho de 2015.
Foto:
Rodrigo Y Castro

Indivíduo jovem. Ribeirão
Grande/SP, Agosto de 2014.
Foto:
Gustavo Pinto


:: Página editada por: Willian Menq em Jun/2016. ::


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Boesing, A. L., W. Menq & L. Anjos (2012) First description of the reproductive biology of the Grey-bellied Hawk (Accipiter poliogaster). The Wilson Journal of Ornithology 124 (4): 767–774.

Copam (2010) Deliberação Normativa COPAM nº 147, de 30 de abril de 2010: Aprova a Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais. Minas Gerais (Diário do Executivo), 04 Maio 2010.

Conselho Estadual do Meio Ambiente (CONSEMA) (2011) Resolução   nº02/2011—Reconhece a lista oficial de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Florianópolis: CONSEMA/ SDS.

Del Hoyo, J.; Elliot, A.; Sargatal, (1994) J. Hand-book of the birds of the world. v. 2. Barcelona: 
Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton
Mifflin, Boston, MA.

Hilty, S.L., and W.L. Brown. (1986). A guide to the birds of Colombia. Princeton University Press, Princeton, NJ.

ICMBio (2008) Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Lima,B. (2011) Registro documentado de Tauató-pintado (Accipiter poliogaster) no Município de Peruíbe, São Paulo. Brasil. Publicação on line,PDF, www.aultimaarcadenoe.com.br - setembro 2011

Kaminski, N.; Tres, D.R. (2011) Primeiro registro documentado do Tauató–pintado (Accipiter poliogaster) para o Estado de Santa Catarina, Brasil Nuestras Aves, 56:31-33.

Lanzer, M., M. A. Villegas, & M. Aurelio-Silva. (2009) Primeiro registro documentado de Accipiter poliogaster (Temminck, 1824) no estado do Parana, sul do Brasil (Falconiformes: Accipitridae). Revista Brasileira de Ornitologia 17:137-138.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Melnyk, K., Gelis, R. A., Hopkins, W. A., Vaca, F. & Moore, I. T. (2013) Gray-bellied Hawk (Accipiter poliogaster) Observed Feeding on a Tinamou in Yasuni Biosphere Reserve, Ecuador. J. Raptor Res. 47(3):330–332.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 27 jul 2010.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. (2007) As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema b. p. 47-64.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Tauató-pintado (Accipiter poliogaster) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/accipiter_poliogaster.htm > Acesso em: