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Tauató-pintado
(Accipiter poliogaster)

Accipiter poliogaster (Temminck,1824)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Açores
Nome popular: tautaó-pintado
Outros Nomes: gavião-pintado
Nome em inglês:Gray-bellied Hawk
Tamanho: 49 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos vertebrados

Distribuição no Brasil:



Status: (DD) Dados desconhecidos


Individuo Adulto (fêmea). Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq


Vocalização típica - (gravado por: Willian Menq)

• Descrição: É a maior espécie do gênero Accipiter no Brasil, mede cerca de 38 a 46 cm de comprimento, sendo os machos bem menores com quase a metade do tamanho (obs. pess. Larissa Boesing & Willian Menq). Os adultos apresentam os lados da cabeça e partes superiores preto-acinzentadas, garganta branca, barriga acinzentada e a cauda com três largas faixas cinza, com a ponta branca. Nos machos além do tamanho diminuto, apresenta as laterais da cabeça e nuca cinza-claro e no alto da cabeça um pouco mais escuro (obs. pess. Larissa Boesing & Willian Menq). A plumagem juvenil é muito semelhante a do adulto de Spizaetus ornatus (gavião-de-penacho) possivelmente como defesa contra macacos grandes que poderiam predar o jovem no ninho, tendo em vista a imagem de forte predador que este último representa para os primatas (del Hoyo et al. 1994). Devido a essa plumagem diferente no jovens, os pesquisadores achavam que os imaturos fossem uma espécie independente na qual foi denominada Accipiter pectoralis, sendo tal erro descoberto apenas recentemente, depois de registrarem ambas as fases de plumagem como espécies independentes (Márquez et al., 2005; del Hoyo et al. 1994). Conhecido também como tauató, gavião-pintado e tanatam-pintado.


Fêmea adulta. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq

Macho adulto. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq

• Espécies similares: O tauató-pintado possui variações polimórficas podendo muitas vezes ser confundido com o gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor). Indivíduos adultos são similares ao falcão-tanatau (Micrastur mirandollei), diferindo principalmente no tamanho maior, cauda mais curta e com a cera menos pronunciada. Imaturos se assemelham ao adulto do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), diferindo principalmente no pequeno porte, ausência de penacho e tarsos desplumados . Além disso, a distância os imaturos podem ser confundidos com o falcão-relógio (Micrastur semitorquatus) (obs. pess. Willian Menq).

• Alimentação: Alimenta-se de pequenas aves. Caça no estrato superior da floresta, voando de poleiro em poleiro, com pausas para observar a presa, para então mergulhar sobre a vítima. Após a captura, leva a presa em uma das garras (deixando a outra livre para pousar), indo a poleiro preferencial para então comer.

Em junho de 2006, no município de Campo Largo (Chácara Vale do Açungui), um indivíduo foi visto perseguindo um pombo (Columbidae), ambos colidiram com uma vidraça e morreram no local. O exemplar do A. poliogaster foi coletado e incorporado à coleção ornitológica do Museu de Ciências Naturais da Universidade Federal do Paraná (MCN UFPR.O 085).

• Reprodução: Não há informações disponíveis sobre a reprodução desta espécie. Atualmente os pesquisadores A. Larissa Boesing, Willian Menq & L. Anjos estão descrevendo a biologia reprodutiva da espécie em uma Mata de Araucária no sul do Brasil.

• Distribuição Geográfica: Ocorre da Venezuela e Guianas, Equador, Peru, Bolívia até o norte da Argentina, incluindo grande parte do Brasil (Ferguson-Lees e Christie, 2001). No Brasil, está presente na região amazônica a leste dos rios Negro e Madeira e, localmente, nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul (Sick, 1997).

Em junho de 2008, um imaturo apareceu nas planícies e Finca LA Selva na Costa Rica. Foi o primeiro registro da espécies para a América Central. Depois de alguns meses, o mesmo indivíduo foi localizado na mesma região (Jones and Komar, 2009).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita regiões florestadas, bordas de florestas de galeria até mesmo áreas fragmentadas. Ridgely e Greenfield (2001) dizem que esse gavião pode ocasionalmente pousar em campos abertos ou mesmo nas bordas das florestas, mas ele não plana sobre essas áreas. Aparentemente é raro e pouco conhecido em toda a sua área de ocorrência (del Hoyo et al. 1994). Esse gavião é muito arisco, ágil e elusivo, podendo facilmente passar despercebido nos inventários ornitológicos, o que explica o baixo numero de registros da espécie. Devido a raridade e ao comportamento incospícuo, é considerado como uma "espécie_fantasma" (Menq, 2011).

Provavelmente seja migratório no extremo sul de sua distribuição. Hilty e Brown (1986) sugerem que os registros realizados na Colômbia sejam de migrantes vindos de várias regiões do sul do continente. Pouco conhecido quanto às populações residentes e aquelas que, provavelmente, possam migrar (ICMBIO, 2008; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Quase ameaçado (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Ignis, 2008).

• Registros recentes: De acordo com o Plano de Ação do ICMBio (2008), na região norte o registro recente da espécie é para a Estação Ecológica de Maracá, em Roraima. Em Minas Gerais até pouco tempo era considerado como provavelmente extinto, mas recentemente foi registrado na Serra da Mantiqueira, na Serra do Cipó e no Parque Estadual do Rio Doce. No Paraná conta com registros no município de Marumbi, na Fazenda Monte Alegre em Telêmaco Borba, na Fazenda Marco Chama em Sengés, no município de Rio Negro (Parque Ecoturístico São Luiz de Tolosa) e em outras localidades na Serra do Mar e no Segundo Planalto Paranaense. No Rio Grande do Sul ocorre no Parque Estadual do Turvo (ICMBio, 2008). Há também observações recentes para Alta Floresta/MT, Presidente Figueiredo/AM, Candói/PR, Santa Terezinha/SC e Peruíbe/SP (Lima & Ribeiro, 2010). Acredita-se que seja os indivíduos do extremo sul de sua distribuição sejam migratórios (Wattel, 1973; Hilty & Brown, 1986; Bildstein, 2006).


Individuo Jovem
Foto:
Brennan Mulrooney

Individuo adulto. Peruíbe/SP, Agosto 2010.
Foto:
João Marcelo da Costa


Fêmea adulta. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq

Fêmea adulta. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq


Fêmea adulta. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq

Fêmea adulta. Ireniópolis/SC
Foto: Willian Menq

 

:: Página editada por: Willian Menq em Outubro de 2011. ::



Contato


• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Del HOYO, J.; ELLIOTT, A.; SARGATAL, J. Hand-book of the birds of the world. v. 2. Barcelona: 
Lynx Edicions, 1994.

Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton
Mifflin, Boston, MA.

Hilty, S.L., and W.L. Brown. (1986). A guide to the birds of Colombia. Princeton University Press, Princeton, NJ.

ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Lima,B.; Ribeiro, M. (2010) Registro documentado de Tauató-pintado (Accipiter poliogaster) no Município de Peruíbe, São Paulo. Brasil. Publicação on line,PDF, www.aultimaarcadenoe.com.br - setembro 2011

Marques, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 27 jul 2010.

Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)