• Descrição: É a maior espécie do gênero Accipiter no Brasil, mede cerca de 38 a 46 cm de comprimento, sendo os machos menores. Os adultos apresentam os lados da cabeça e partes superiores preto-acinzentadas, garganta branca, barriga acinzentada e a cauda com três largas faixas cinza, com a ponta branca. Nos machos além do tamanho diminuto, apresenta as laterais da cabeça e nuca cinza-claro e no alto da cabeça um pouco mais escuro. A plumagem juvenil é muito semelhante a do adulto de Spizaetus ornatus (gavião-de-penacho) possivelmente como defesa contra macacos grandes que poderiam predar o jovem no ninho, tendo em vista a imagem de forte predador que este último representa para os primatas (Del Hoyo et al. 1994). Devido a essa plumagem diferente no jovens, os pesquisadores achavam que os imaturos fossem uma espécie independente na qual foi denominada Accipiter pectoralis, sendo tal erro descoberto apenas recentemente, depois de registrarem ambas as fases de plumagem como espécies independentes (Márquez et al., 2005; del Hoyo et al. 1994). Conhecido também como tauató, gavião-pintado e tanatam-pintado.
• Espécies similares: O tauató-pintado possui variações polimórficas podendo muitas vezes ser confundido com o gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor). Indivíduos adultos são similares ao falcão-tanatau (Micrastur mirandollei), diferindo principalmente no tamanho maior, cauda mais curta e com a cera menos pronunciada. Imaturos se assemelham ao adulto do gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), diferindo principalmente no pequeno porte, ausência de penacho e tarsos desplumados . Além disso, a distância os imaturos podem ser confundidos com o falcão-relógio (Micrastur semitorquatus).
• Alimentação: Alimenta-se principalmente de aves. Caça tanto no estrato inferior quanto no superior da floresta, voando de poleiro em poleiro, com pausas para observar a presa, para então mergulhar sobre a vítima. Após a captura, leva a presa em uma das garras (deixando a outra livre para pousar), indo a poleiro preferencial para então comer. Também realiza perseguições em capoeiras e borda de matas. Em junho de 2006, no município de Campo Largo (Chácara Vale do Açungui), um indivíduo foi visto perseguindo um pombo (Columbidae), ambos colidiram com uma vidraça e morreram no local. Há registros desta espécie perseguindo juriti Leptotila rufaxilla (Kaminski & Tres 2011). Boesing et al. (2012) registraram nove presas levada ao ninho, sendo oito aves e um mamífero, possivelmente um filhote de tatu.
• Reprodução: Sua biologia reprodutiva é pouco conhecida. Boesing, Menq & Anjos (2012) encontraram um ninho ativo da espécie no sul do Brasil. O ninho estava localizado no interior de uma floresta ombrófila mista, construido com ramos em forma de plataforma na parte superior de uma Araucária, a cerca de 18 m de altura. A postura foi de dois ovos, sendo a fêmea responsável pela incubação. Apenas um filhote sobreveu e deixou o ninho 49 dias após o nascimento. O jovem foi alimentado pelos adultos por pelo menos 90 dias após a eclosão. Ambos defendiam o ninho contra qualquer intruso que se aproximasse da área. No ano anterior, o casal e um jovem foram observados na mesma área indicando que a espécie já usava a área como sítio de reprodução.
• Distribuição Geográfica: Ocorre da Venezuela e Guianas, Equador, Peru, Bolívia até o norte da Argentina, incluindo grande parte do Brasil (Ferguson-Lees e Christie, 2001). No Brasil, está presente na região amazônica a leste dos rios Negro e Madeira e, localmente, nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul (Sick, 1997).
Em junho de 2008, um imaturo apareceu nas planícies e Finca LA Selva na Costa Rica. Foi o primeiro registro da espécies para a América Central. Depois de alguns meses, o mesmo indivíduo foi localizado na mesma região (Jones & Komar, 2009).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita regiões florestadas, bordas de florestas de galeria até mesmo áreas fragmentadas. Ridgely e Greenfield (2001) dizem que esse gavião pode ocasionalmente pousar em campos abertos ou mesmo nas bordas das florestas, mas ele não plana sobre essas áreas. Aparentemente é raro e pouco conhecido em toda a sua área de ocorrência (del Hoyo et al. 1994). Esse gavião é muito arisco, ágil e elusivo, podendo facilmente passar despercebido nos inventários ornitológicos, o que explica o baixo numero de registros da espécie. Devido a raridade e ao comportamento incospícuo, é considerado como uma "espécie_fantasma" (Menq, 2011). É também uma ave muito agressiva, no período reprodutivo vocaliza fretenicamente e realiza vários rasantes velozes contra qualquer intruso, inclusive o homem, por vezes até atingindo o mesmo. Boesing, Menq & Anjos (2012) registraram a fêmea atacando e atingindo o gavião-de-cabeça-cinza Leptodon cayanensis que voava próximo ao ninho.
Provavelmente seja migratório no extremo sul de sua distribuição. Hilty & Brown (1986) sugerem que os registros realizados na Colômbia sejam de migrantes vindos de várias regiões do sul do continente. Pouco conhecido quanto às populações residentes e aquelas que, provavelmente, possam migrar (ICMBIO, 2008; Ferguson-Lees & Christie, 2001).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002). |
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São Paulo: Quase ameaçado (Silveira et al., 2009). |
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Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007). |
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Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Ignis, 2008). |
• Registros recentes: De acordo com o Plano de Ação do ICMBio (2008), na região norte o registro recente da espécie é para a Estação Ecológica de Maracá, em Roraima. Em Minas Gerais até pouco tempo era considerado como provavelmente extinto, mas recentemente foi registrado na Serra da Mantiqueira, na Serra do Cipó e no Parque Estadual do Rio Doce. No Paraná conta com registros no município de Marumbi, na Fazenda Monte Alegre em Telêmaco Borba, na Fazenda Marco Chama em Sengés, no município de Rio Negro (Parque Ecoturístico São Luiz de Tolosa) e em outras localidades na Serra do Mar e no Segundo Planalto Paranaense. No Rio Grande do Sul ocorre no Parque Estadual do Turvo (ICMBio, 2008). Recentemente a espécie têm sido registrada com maior frequência no estado de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, sendo a maioria dos registros em áreas sob domínio da Floresta Ombrófila Mista ou de vegetação pouco densa com certo grau de pertubação.
Individuo Jovem. Foto: Brennan Mulrooney |
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:: Página editada por: Willian Menq em Dezembro de 2012. ::

Contato
• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Boesing, A. L., W. Menq & L. Anjos (2012) First description of the reproductive biology of the Grey-bellied Hawk (Accipiter poliogaster). The Wilson Journal of Ornithology 124 (4): 767–774.
Del HOYO, J.; ELLIOTT, A.; SARGATAL, J. Hand-book of the birds of the world. v. 2. Barcelona:
Lynx Edicions, 1994.
Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton
Mifflin, Boston, MA.
Hilty, S.L., and W.L. Brown. (1986). A guide to the birds of Colombia. Princeton University Press, Princeton, NJ.
ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).
Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.
Lima,B.; Ribeiro, M. (2010) Registro documentado de Tauató-pintado (Accipiter poliogaster) no Município de Peruíbe, São Paulo. Brasil. Publicação on line,PDF, www.aultimaarcadenoe.com.br - setembro 2011
Marques, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.
Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap Acessado em: 27 jul 2010.
Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Simon, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.
• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)