Aves de Rapina Brasil:
Ameaças e Preservação

Jovem Harpia morta em Julho de 2010 no Mato Grosso por um "morador" somente porque a mesma tinha consumido um frango velho de sua propriedade. Cena lamentável, pura "ignorância humana".
Foto: Christopher Borges
Texto de: Willian Menq 
As aves de rapina por serem predadoras, são naturalmente raras, cujas necessidades de habitat as obrigam ocupar vastos territórios. Infelizmente muitas espécies estão com suas populações reduzidas e ameaçadas de extinção em várias regiões do Brasil. Abaixo segue as principais ameaças do grupo:
Destruição dos habitats: Certamente, a perda, fragmentação e a degradação dos habitats sejam os fatores mais importantes e consideráveis nas extinções regionais de populações de aves de rapina no Brasil. A redução do habitat em fragmentos florestais ou na transformação deles em áreas para agricultura ou pastagem, são as formas mais comuns da redução nas populações de rapineiros.
Caça e perseguição: Outra grande ameaça as espécies, é a caça ilegal e perseguição. A caça indiscriminada contra qualquer indivíduo de uma população, acaba eliminando espécies adultas com território estabelecido e em pleno vigor reprodutivo. A consequência disso nas aves de rapina é pouco estudada, mas com certeza leva a um desequilibrio ecológico considerável, e aliada a fragmentação do ambiente, representa uma grave ameaça às densidades populacionais naturalmente baixas, como é o caso dos grandes gaviões florestais.

A esquerda, Harpia morta por fazendeiros. A direita coruja-do-mato.
Tráfico ilegal: Muitos colecionadores e criadores ilegais de vários países cobiçam muitas de nossas espécies, principalmente às aves do Brasil. Além do declínio populacional ocasionado pela retirada das espécies, e maus-tratos e acondicionamento imprópio que esses animais sofrem, o trasporte e manipulação ilegal de aves silvestres podem criar oportunidades de transmissão de patógenos para populações naturais saudáveis.
Supertições e crendices populares: Aves de rapina em especial, às corujas, na maioria das vezes são vistas pela população como animais de mau agouro. São pessoas de comunidades carentes em áreas rurais e urbanas que são influenciadas pelas tradições folclóricas e diversas lendas, com isso tornam-se ameaças para as aves silvestres.
Envenenamentos: O uso excessivo de agrotóxicos, metais pesados e outros elementos químicos maléficos, acaba poluindo muitas vezes a vegetação/lavoura na qual serve de alimento para insetos, roedores e aves granívoras. Esses animais que consomem alimentos poluidos servem de alimento para a maioria das aves de rapina. Os gaviões, águias e corujas, acabam por acumular todos os produtos poluentes de suas presas. Com isso, são atingidos pela biomagnificação de poluentes, tais como agrotóxicos, PCB's,metais pesados e outros
Colisões: Vidraças e janelas que refletem o céu, pás de geradores eólicos, fios finos de cerca, linhas de pipa com cerol são obstáculos comuns que dificultam e confundem muitos rapineiros, tambem representam ameaças importantes. Os Fios de alta tensão são posicionados no alto tornando-se poleiros atrativos para as aves e constituindo-se em armadilha fatal para espécies de tamanho grande como algumas águias brasileiras. Esses acidentes são pouco percebidos, já que as carcaças são consumidas pelos urubus da região ou ficam escondidas na vegetação.
Atropelamentos: O Atropelamento é uma das causas de mortalidade mais estudadas e frequentes. Algumas espécies de corujas e gaviões costumam pousar sobre as estradas para capturar insetos e acabam sendo atropelados, ou as vezes quando passam voando a baixa altura na rodovia são atingidos por veículos.

Coruja morta por atropelamento. Foto: Willian Menq
Preservação:
As medidas mais importantes e urgentes para preservar às aves de rapina consistem na proteção de seu hábitat e também ampliar as UC's já existentes. A conectividade entre essas áreas das UC's permitiria também a permuta gênica entre populações anteriormente isoladas, assim como a colonização espontânea de locais onde eventualmente tenha se extinguido. Além disso estudos voltados a história natural e distribuição das espécies, educação ambiental e aumento da fiscalização são também medidas importantíssimas na preservação das espécies.

Leia mais na matéria: Principais ameaças e medidas para conservação das aves de rapina
Boyer and Hume. 1991. "Owls of the World". BookSales Inc.
ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro:
Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.