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Coruja-buraqueira
(Athene cunicularia)

Athene cunicularia (Molina, 1782)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome popular: coruja-buraqueira

Nome em inglês: Burrowing Owl
Tamanho: 23 cm de comprimento
Habitat:
Campos, áreas urbanas
Alimentação:
Insetos e pequenos vertebrados.

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Coruja buraqueira pousada na cerca. Itamaraju/BA, Junho de 2009. Foto: Sávio Drummond


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Glauco A. Pereira)

• Descrição: A coruja buraqueira é sem dúvida a mais conhecida das corujas brasileiras, já que é facilmente vista durante o dia pousada em locais expostos. recebe o nome científico cunicularia (“pequeno mineiro”) devido ao habito de viver em buracos e cavidades no solo. De porte pequeno, com 23 cm de comprimento, a Coruja-buraqueira possui uma cabeça redonda, tem sobrancelhas brancas, olhos amarelos, e pernas longas.

A plumagem apresenta coloração cor de terra, às vezes, avermelhada, estratégia natural para se camuflar no solo. Ao contrário a maioria das corujas o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as fêmeas são normalmente mais escuras que os machos (Antas, 2005; Sigrist, 2007). As corujas em geral não têm papo e a formação de pelotas é uma necessidade vital para estas aves. As partes não digeríveis dos animais consumidos não são defecadas e sim regurgitadas (Sick,1997). Também conhecida pelos nomes de caburé-do-campo, coruja-do-campo, coruja-mineira, corujinha-do-buraco, guedé, urucuera, urucuréia e urucuriá.

• Alimentação: De modo geral a dieta da coruja-buraqueira constituí-se de roedores, morcegos, répteis, anfíbios, insetos e pequenas aves. No Brasil grande parte de sua dieta é constituida de invertebrados, como insetos (Sick, 1997; MOTTA-JUNIOR, 1996; TEIXEIRA & MELO, 2000). MOTTA-JUNIOR (2006) considera a coruja-buraqueira como sendo espécie insetívora em relação a quantidade de presas consumidas, mas em relação a biomassa, qualifica a espécie como sendo predadora predominantemente de pequenos roedores e portanto carnívora.


Filhotes de Coruja Buraqueira no ninho. Beira de estrada - Engenheiro Coelho/SP
Foto:
André L. M. C. , Nov 2009

• Reprodução: Como seu próprio nome diz, a coruja buraqueira faz seus ninhos no solo, seja em buracos abertos por ela mesma, seja abandonados por tatus, readaptados pelas corujas. A qualquer sinal de perigo emitem um som alto, forte e estridente. Esse alarme é dado durante o dia, chamando a atenção para a coruja, os filhotes, ao escutarem o alerta, entram no ninho, enquanto os adultos voam para pousos expostos e atacam decididamente qualquer fonte de perigo para os filhos (Antas, 2005; Sick, 1997; Boyer and Hume, 1991). As covas possuem, em torno de 1,5 a 3 m de profundidade e 30 a 90 cm de largura. Ao redor acumula estrume e se alimenta dos insetos atraídos pelo cheiro.

Botam, em média de 6 a 11 ovos; o número mais comum é de 7 a 9 ovos. A Incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Enquanto a fêmea bota os ovos, o macho providencia a alimentação e a proteção para os futuros filhotes. Os cuidados da cria, enquanto ainda estão no ninho são tarefa do macho. Quando os filhotes estão com 14 dias podem ser vistos empoleirando a entrada da cova, esperando pelos adultos e pela comida. Os filhotes saem do ninho com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias. é a noite que emitem os chamados de acasalamento e territorial, de tom semelhante a outras corujas, graves e completamente diferentes dos silvos diurnos de alarme (Antas, 2005; Sick, 1997; Boyer and Hume, 1991). Podem defender o ninho, voando em direção a um predador potencial, inclusive pessoas, desviando no ultimo momento, visualizada várias vezes vocalizando e espantando invasores como cachorros e gatos (Sick, 1997).


Academia Nacional de Polícia - Brasília/DF , Dez 2008
Foto: Gilmar Leal

• Territorialidade: A coruja buraqueira, por ser extremamente territorialista, ocorre o fenônemo do "querido inimigo”, descrito algumas vezes em várias espécies de animais (Temeles, 1994). Esse fenômeno é quando um animal dono de um território responde menos agressivamente a um intruso que é seu vizinho do que a um que não seja seu vizinho. Acredita-se que isso ocorre pois o animal reconhecendo seu inimigo vizinho (conhecido) estaria reduzindo a energia gasta na defesa do território, economizando para defender contra inimigos estranhos e potencialmente mais perigosos (Krebs 1971). Lacava (2002) já observou esse comportamento nas corujas buraqueiras de forma intra-específica, onde as corujas de ambientes urbanos se habituam a presença humana perto de seus ninhos, dependendo do grau de pertubação de seus ninhos.


Coruja buraqueira no Campus da Fazenda Cesumar, Maringá - PR
Foto: Willian Menq S.

• Distribuição Geográfica: Ocorre do Canadá à Terra do Fogo, bem como em quase todo o Brasil com exceção da bacia Amazônica (Sick, 1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Ocupa ambientes alterados pela ação humana, inclusive cidades e pistas de pouso ou aeroportos. Coruja terrícola, tem hábitos diurnos e noturnos, mas é ativa, principalmente durante o crepúsculo. Adultos ou filhotes são facilmente encontrados em frente ao ninho ou pousados em postes e montes de terra próximos do seu abrigo. É uma coruja adaptada a hábitos terrícolas em campos, pastagens e gramados de áreas urbanas. Vivem no mínimo 9 anos em habitat selvagem. Embora tenha um campo de visão limitado, é superado pela incrivel capacidade de girar a cabeça até 270° (Sick, 1997; Owl Pages).


Coruja buraqueira no Campus da Fazenda Cesumar, Maringá - PR
Foto: Willian Menq S.

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.

Boyer and Hume. "Owls of the World". BookSales Inc, 1991.

Sigrist, T. Guia de Campo - Aves do Brasil Central. Avis Brasilis, 2007.

KREBS, J. R. Territorial and breeding density in the great tit Parus major L. Ecology 52:2-22.1971.

LACAVA, R. V. Influência da ação agonística no comportamento agonístico da coruja buraqueira. Ararajuba. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 10, p. 237-240, (2002).

MOTTA-JUNIOR, J. C. Ecologia alimentar de corujas (Aves: Strigiformes) na região central do Estado de São Paulo: biomassa, sazonalidade e Universidade Federal de São Carlos, 1996.

MOTTA-JUNIOR, J. C. Relações tróficas entre cinco Strigiformes simpátricas na região central do Estado São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia. v. 14 n. 4., 2006. p. 359-377.

Owl Pages - Information, Pictures, Sounds, from The Owl Pages. Disponivel em <http://www.owlpages.com/owls.php?genus=Bubo&species=virginianus> Acesso em Fevereiro de 2010

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

TEIXEIRA, F. M.; MELO, C. Dieta de Speotyto cunicularia Molina, 1782 (Strigiformes) na região de Uberlândia, Minas Gerais. Ararajuba, v. 8, n. 2. 2000. p. 127-131

TEMELES, E. J. The Effect of prey consumption on territorial defense by harriers: differential responses to neighbors versus floaters. Behavioral Ecology and Sociobiology 24:239-243.(1989).


 
 


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