As aves é um dos grupos mais conhecidos e bem-sucedidos na natureza, elas se irradiaram por todo o globo nos mais variados tipos de habitat, por essa razão são bastante utilizadas como bioindicadores de uma determinada área, pois são sensíveis a alterações no meio ambiente. Nos últimos anos, muitas aves já estão sentindo as mudanças climáticas que vem fragilizando cada vez mais seus habitats e as fontes de alimento das quais dependem. De acordo com um relatório emitido pela WWF em 2006, com o aquecimento global, cerca de 72 % de espécies de aves serão extintas do planeta.
Na Europa, o aquecimento global já está causando declínio na população de algumas espécies migratórias. Com as temperaturas elevadas, o período de eclosão das larvas de insetos (principal fonte de alimento destas aves) está se antecipando e as aves não se adaptaram a mudança em seu ciclo de reprodução, como conseqüência os filhotes dispõem de pouco alimento para garantir sua sobrevivência. Na Argentina, um estudo que vem sendo desenvolvido por pesquisadores há mais de duas décadas na cidade de Punta Tombo concluiu que cada ano vem aparecendo menos pingüins para reprodução na costa argentina, sendo a principal causa o aquecimento dos oceanos. Muitas espécies de pingüins na Antártida serão seriamente ameaçadas, com o aumento da temperatura essas aves sofreram interferência no processo de acasalamento, reprodução e na oferta de alimentos (como está sendo o caso do pinguim-rei Aptenodytes patagonicus). Além disso, o derretimento das calotas polares atingirá diretamente as espécies de pingüins já que o futuro deles está totalmente ligado como o futuro do gelo na Antártida.
Mais preocupante ainda é em relação às aves que vivem em ilhas e as que vivem em ambientes restritos, pois com a elevação das temperaturas elas não teriam para onde ir o que causaria sua extinção. Exemplo disso são as aves das ilhas de Galápagos que com o fenômeno perderia praticamente todo seu habitat. Nem mesmo as aves residentes escapariam do aquecimento global, pois seus habitats seriam alterados com as altas temperaturas. De acordo com biólogos da universidade britânica de Leeds a mudança no meio ambiente será tão rápida que não haverá tempo das espécies se adaptarem.

Foto: Spizaetus melanoleucus, Willian menq, 2009.
O Brasil, país líder de espécies de aves ameaçadas de extinção (aprox. 141 de acordo com a IUCN) terá boa parte de sua avifauna comprometida. Períodos de seca prolongada e as mudanças bruscas no clima irão fragilizar diversos habitas dos quais muitas espécies dependem. A extinção de mais de 70% das espécies de aves do planeta causaria impactos ambientais de grandes proporções. São elas as principais dispersoras de sementes de várias espécies de arvores, algumas espécies realizam a polinização de flores, exercem papel no controle biológico, muitas aves de rapina controlam a população de roedores e pombos, etc. Em nosso país, por exemplo, a diminuição de espécies causará um ambiente favorável para o aumento da população de roedores e de insetos, aumentando os casos de doenças que estes animais transmitem, além do prejuízo que estas pragas causarão na agricultura.
Dentre as principais soluções, é necessária uma redução urgente da emissão de gases do efeito estufa. Países como os EUA, China, Índia, Japão entre outros são os principais responsáveis pelo aquecimento global, seus governantes devem realizar uma ação coletiva e tomar medidas urgentes para reduzir a emissão de gases em nosso planeta. A redução no consumo de combustíveis fósseis, o aumento dos biocombustíveis, exploração de fontes de energias renováveis e redução na queima de florestas seriam medidas louváveis para evitar essa catástrofe.
Texto de: Willian Menq S. 
Publicado em: Julho de 2009.
