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Gavião-belo
(Busarellus nigricollis)

Busarellus nigricollis (Latham, 1790)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões
Nome popular: Gavião-belo
Outros Nomes: gavião-velho
Nome em inglês: Black-collared Hawk
Tamanho: 51 cm de comprimento
Habitat:
Próximo a rios, brejos, pantanais
Alimentação:
Peixes, répteis e invertebrados

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco

Gavião-belo. Pantanal - Poconé/MT, Janeiro de 2009.
Foto:
Horácio Carvalho


Vocalização típica (B) - (gravado por: Julian Q. Vidoz)

• Descrição: Comprimento: 51 cm. A fêmea é pouco maior do que o macho, diferença visível somente se os dois estão próximos. O formato especial das asas, longas, largas e arredondadas, bem como a pequena cauda, pouco visível, forma uma silhueta singular, em especial devido à cor da cabeça. O corpo é marrom avermelhado, levemente alaranjado na barriga, contrastando com a cabeça clara e uma faixa negra na garganta, como uma gravata. Essa cor branca da cabeça é a razão do nome gavião-velho. Bico negro, com as pernas cinza claro. As penas longas das asas e cauda são negras. A envergadura e o tamanho das asas são impressionantes. O juvenil possui a plumagem mais esmaecida, com barras e pontos escuros, sem que o branco da cabeça e pescoço estejam bem definidos. No peito, possui uma faixa negra, como um colar e cauda com finas faixas negras e uma larga banda terminal negra. Conhecido também como gavião-lavadeira (Mato Grosso), gavião-velho, gavião-panema e gavião-balaio (Amazonas).

• Alimentação: O gavião belo, é um especialista em caçar peixes, sendo uma das poucas aves de rapina brasileiras com esse hábito alimentar (Sick, 1997). Fica pousado em poleiros tradicionais durante longas horas, à espera que movimentos de peixes próximos à superfície os denunciem. Rapidamente, voa para a presa e captura-a com os pés, providos de garras finas e formações como pequenos espinhos na planta, auxiliares na captura. Carrega o peixe para o galho preferido e o come. Eventualmente, pode capturar alguns insetos e caramujos aquáticos, pega também filhotes de jacarés (Andrade et al, 2001).

• Reprodução: Na época de corte, fazem vôos especiais, com grandes e suaves subidas e descidas. Ocasionalmente, o macho faz um vôo picado e fica de cabeça para baixo, sob a fêmea, com as duas aves tocando as garras. É um tipo de manobra de grande destreza, sendo o resultado final de enorme plasticidade. Faz ninho de gravetos em formato de plataforma, localizado entre 12 e 15 m, em manguezais ou árvores na borda de pântanos. Põe 1 ovo branco-acinzentado com manchas marrons.

• Distribuição Geográfica: Presente em quase todo o Brasil e também do México à Argentina. Geralmente sua ocorrência esta associada a presença de extensos banhados, pântanos, campos inundados e manguezais, já que sua dieta principal consiste em peixes (Amaral, 2002).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Vulnerável (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Vulnerável (Alves, et al. 2000).

• Hábitos/Informações Gerais: Fica nas margens dos rios, baías e corixos, freqüentando também os pequenos alagados. Pesca durante todo o dia, mesmo nas horas quentes, ficando no poleiro exposto, esperando, pacientemente, como todo bom pescador. No final da tarde, voa para uma árvore alta, próxima ou não, para passar a noite. No começo da manhã seguinte, retorna ao ponto de pesca. Além desses vôos matutinos e vespertinos, pode ser notado planando nas correntes de ar quente ascendente, alcançando grandes alturas. Intrusos na área de pesca são denunciados pelo chamado forte e curto, como se fosse uma tossida rápida (Antas, 2005).


Gavião Belo em vôo. UFMT - Cuiabá - MT
Foto:
Marcelo Barreiros

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Amaral, C. (2002). Ocorrência do gavião-belo (Busarellus nigricollis) no estado de Santa Catarina. Ararajuba. pag. 245-246.

Andrade M.Â., E.B. Leite & Carvalho, C. E. A.2001. Predação de jovem do jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) pelo gavião-padre (Busarellus nigricollis) no Pantanal Sula-Matogrosensse, Brasil: um registro fotográfico. Tangara 1 (2):88-89.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.


 
 


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