As "aves de rapina" (termo "rapina" = raptar, aves que raptam) é um termo utilizado para caracterizar as aves carnívoras diurnas e noturnas que apresentam garras e bicos fortes. Entretando esse grupo não forma um táxon monofilético, pois agrupam aves pertencentes a linhagens distintas. Pertencem ao grupo das "aves de rapina" as ordens falconiformes (Águias, gaviões, falcões) com cerca de 301 espécies em todo o mundo, os strigiformes (as corujas) com cerca de 185 espécies. Os urubus do Novo Mundo (Cathartiformes) são muitas vezes inseridos entre as aves de rapina, mas existem estudos que mostram que este grupo é mais relacionados aos Ciconiformes, diferentes dos Abutres do Velho mundo, que são da ordem Falconiformes (Sick, 1997).
No geral, as aves de rapina são aves de hábitos predatórios, possuem bico curvo e afiado, garras afiadas e fortes, além de serem dotadas de uma excelente visão. As espécies noturnas (Corujas) além da visão apurada, tem normalmente uma audição otima, graças aos seus discos faciais, essas aves são capazes de localizar um roedor caminhando no solo na mais completa escuridão, se utilizando apenas de sua audição, além disso outra adaptação especial das corujas é seu vôo silencioso graças as penas especializadas que fazem não causar turburlência / rúidos enquanto voam.
O Brasil possui seis espécies de urubus (ordem Cathartiformes), 68 espécies de águias, gaviões e falcões (ordem Falconiformes) e 23 espécies de corujas (ordem Strigiformes) e, aliado aos outros países da região neotropical, concentra o maior número de espécies de rapinantes do mundo. Essa enorme diversidade, entretanto, é ameaçada por diversos fatores resultantes de atividades humanas. Atualmete, é provável que a perda, fragmentação e degradação dos habitats sejam os fatores de maior importância na redução ou mesmo extinções regionais de populações das aves de rapina no Brasil. Cada vez mais novos espaços naturais vêm sendo ocupados por atividades humanas, alterando ambientes e exigindo uma plasticidade às perturbações que muitas espécies não apresentam. As aves de rapina foram, por muito tempo, utilizadas como indicadores de contaminação e acúmulo de substâncias tóxicas, como agrotóxicos. Um dos exemplos mais emblemáticos é o do falcão-peregrino (Falco peregrinus), espécie que sofreu declínio drástico nos anos de 1960 devido ao acúmulo de agrotóxicos do grupo dos organoclorados (DDT, Aldrin, entre outros), tendo sido a diminuição do uso desses pesticidas um fator vital para a recuperação da espécie.
Pouco se sabe sobre os efeitos desses poluentes químicos em aves de rapina no Brasil. Não temos estudos de acompanhamento de populações de aves de rapina para estimar os efeitos desses poluentes. No entanto, o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos.

Gavião-preto (Buteogallus urubitinga) se alimentando na estrada. Foto: Cal Martins
Caracteristicas e Adaptações:
A caça ativa das aves de rapina exige uma adaptação especial, estando os Falconiformes e Strigiformes preparados principalmente no que diz respeito às modificações das patas. A presença de bico reforçado está relacionada ao ato de rasgar a pele de suas presas, por exemplo, de mamíferos e outros vertebrados, apesar de também ser útil para matar, como fazem alguns falcões. A posição frontal dos olhos das aves de rapina também é resultado de uma adaptação à caça, formando uma visão binocular útil na localização de presas. Os Falconiformes apresentam grande diversidade morfológica e de massa corpórea, variando desde o pequeno gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii), de pouco mais de vinte centímetros, até o gavião-real (Harpia harpyja), que apresenta envergadura de asa de dois metros ou mais. A variação no formato das asas é, geralmente, relacionada ao habitat e ao tipo de vôo predominante.
A ordem Strigiformes é composta por espécies predominantemente noturnas. Diversas adaptações morfológicas dessas aves são similares às dos Falconiformes, mas com algumas adicionais para forrageamento na ausência de luz. Os olhos das corujas, assim como de outros animais noturnos, possuem uma camada de células atrás da retina chamada tapetum, que reflete a luz sobre os bastonetes, imprimindo uma segunda vez a mesma imagem e possibilitando melhor captação de luz. Uma característica marcante das aves que consomem predominantemente carniça, como por exemplo, os urubus, é a cabeça e o pescoço nus, que dificultam o acúmulo de restos alimentares nas penas durante a alimentação. As patas e as garras dos Urubus também não são tão fortes quanto em outras aves de rapina, não tendo a função de matar ou transportar presas a longas distâncias.
Distribuição:
A distribuição das aves de rapina no Brasil é bastante heterogênea, havendo algumas poucas espécies de ampla distribuição, cerca de 30% das espécies possuem uma ampla distribuição, como é o caso do urubu-de-cabeça-vermelha [Cathartes aura], urubu-de-cabeça-preta [Coragyps atratus], quiriquiri [Falco sparverius], coruja-da-igreja [Tyto alba] e corujinha-do-mato [Megascops choliba]. Doze por cento são encontrados somente na Amazônia, 10% na Amazônia e no Brasil central (Cerrado e/ou Caatinga), 7% na Amazônia e na Mata Atlântica e 8% somente na Mata Atlântica (cálculos retirados da base de dados de Stotz et al. (1996), sem considerar as espécies migratórias).
Migração:
A migração geralmente é um deslocamento em busca de algum recurso favorável, na maioria das vezes ligado à alimentação. O CBRO (2005) reconhece a existência de oito aves de rapina migratórias no Brasil: condor-dos-andes (Vultur gryphus), águia-pescadora (Pandion haliaetus), gavião-tesoura (Elanoides forficatus), sauveiro-do-norte (Ictinia mississipiensis), gavião-de-asa-larga, gavião-papa-gafanhoto, esmerilhão (Falco columbarius) e falcão-peregrino. Entretando existe outras espécies que realizam migrações de curta distância e questionáveis como é o caso do Sovi (Ictinea plumbea) e Harpagus diodon.
Alimentação e requerimento de habitat:
A maioria das espécies de aves de rapina é exclusivamente carnívora, no entanto, existem algumas que ocasionalmente, comem frutos como é o caso do gavião-tesoura. Artrópodes são consumidos por uma ampla gama de rapinantes. Algumas águias possuem adaptações que permitem capturar peixes de água doce e até mesmo marinhos. Anfíbios, lagartos e serpentes constituem itens alimentares, pelo menos ocasionalmente, de mais de 30% das espécies brasileiras. Um grande número de espécies consome pequenos mamíferos, principalmente roedores. A maioria dos rapinantes utiliza mais de uma estratégia de caça, no entanto, duas delas são utilizadas mais freqüentemente. [Recomenda-se ler o link: Métodos de caça]
A área de vida, que engloba o território reprodutivo, necessita ter determinados requerimentos ecológicos para ser capaz de manter os indivíduos, alguns fatores que podem influenciar na existência das epécies são a quantidade e a qualidade do alimento disponível para elas. As aves de rapina ocupam todos os tipos de ambientes e também são capazes de explorar paisagens heterogêneas, todavia, as paisagens florestais abrigam a maior diversidade. O tamanho da área de vida das espécies também varia bastante e, geralmente, espécies de maiores requerem maiores áreas.
As Águias:
As Aguias Grandes e Poderosas, Sempre foram admiradas por seu porte altivo, seu olhar penetrante e seu Voo Majestoso. Simbolo de Poder, Força e Independência. Elas foram muito utilizadas como simbolo pelas legiões romanas, pelo exército de Napoleão e pelos Estados Unidos. Na simbologia cristã aparece como possível símbolo da ressurreição e o triunfo de Cristo e do cristianismo. Foi também o símbolo da alma humana, o símbolo das artes. Chama-se de águia o homem muito perspicaz, penetrante, que vê longe; superior em inteligência. Vale lembrar que existem pouco mais de 65 espécies de águias em todo o mundo.
Potência nacional:
Dentre as mais poderosas aves de rapina do planeta, existe a Harpia (também chamado de gavião-real) que com seus dois metros de envergadura e um metro de comprimento, caça animais como cachorros-do-mato, preguiças, macacos e até filhotes de veado. Vive na floresta amazônica e setores de mata-atlântica e cerrado.
O mais veloz:
O falcão peregrino Falco peregrinus é considerado o mais veloz dos seres vivos, pois em um vôo picado (quando desce em alta velocidade rasgando os céus) pode atingir mais de 230 km/h (não existe um estudo detalhado sobre sua velocidade máxima, mas é certo que ele é muito veloz). Nesses vôos picados que realiza para capturar uma presa, o choque contra ela é tão violento que geralmente quebra os ossos da vítima ou até acaba degolando a presa em pleno vôo.
Gavião mais popular do Brasil:
O Caracará, Caracara plancus é sem dúvida a ave de rapina mais comum e mais popular do Brasil, é comum devido a fácil adaptação que teve aos ambientes alterados, sendo encontrado em areas rurais, centros urbanos, etc. Essa ave foi celebrada na canção de João do Vale com versos como Os burrego novinho não pode andá/Ele puxa o umbigo inté matá/Carcará!/Pega, mata e come! uma estrela do MPB.
Caçadores Silenciosos:
As corujas são sem dúvida, caçadores especiais. Além da excelente visão e boa audição, elas possuem um vôo silencioso graças as penas pouco rígidas que possuem nas asas, permitindo um vôo sem turbulência e surpreendendo a presa. A maioria das corujas engolem as presas inteiras, regurgitando depois "pelotas" com ossos e pêlos das vítimas.
