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Tartaranhão-do-brejo
(Circus buffoni)

Circus buffoni (Gmelin, 1788)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Tartaranhões
Outros Nomes: gavião-dos-banhados
Nome em inglês: Long-winged Harrier
Tamanho: 60 cm de comprimento
Habitat:
Banhados e Brejos
Alimentação:
Pequenos vertebrados


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Gavião-do-banhado nos arredores da praia de Itapirubá - Imbituba/SC. Foto: Luiz Ribenboim


Vocalização de chamado (B) - (gravado por: Miguel Angel Roda)

• Descrição: O gavião-do-banhado, conhecido também como tartaranhão-do-brejo, gavião-do-alagado, é um gavião grande, atinge 60cm de comprimento. Macho e fêmea possuem plumagens diferentes, uma característica rara dentre as aves de rapina. O macho é escuro na cabeça, dorso e coleira peitoral. A barriga é branca, com pontos escuros em alguns exemplares. A testa e uma visível listra no supercílio são brancos (Cáceres et al, 1996; Antas, 2005). Como os lados da cabeça são mais escuros, em conjunto com o pequeno bico, fica parecendo o formato de cabeça de coruja. Na fêmea e no juvenil, a barriga, peito e ventre são marrom escuro, com estrias claras e escuras, mais fortes no imaturo; os calções avermelhados. Costas amarronzadas. Existe uma forte variação individual, com exemplares mais claros ou escuros. Em qualquer caso, o forte barrado das asas e cauda ajudam na identificação desse gavião único. As listras das asas são muito fortes e finas, enquanto a cauda, escura, possui 5 faixas mais claras e ponta clara. Em vôo, as penas do extremo da asa ficam com as pontas separadas entre si, no formato de dedos.também conhecida como gaviao-do-alagado (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Alimentação: Caça anfíbios,mamíferos,pássaros chocando no ninho com seus ovos e filhotes e outros pequenos animais.Consta que consome ovos de outras aves voando sobre áreas úmidas paludosas como o Circus cinereus. Foi observado consumindo ovos de Heteronetta atricapilla. Até captura de Falco sparverius em áreas campestres,começando a devorá-lo pela cabeça (Cáceres et al, 1996; Sick, 1997).

• Reprodução: No Hemisfério Sul a espécie se reproduz de setembro a janeiro, podendo ser colonial. Pode fazer ninhos nas mesmas áreas que C. cinereus. Os ninhos são construídos no chão, acima de plataformas vegetais, e em alguns casos em terrenos úmidos ou alagados. A ninhada é composta de três ou quatro filhotes, podendo variar em casos extremos de dois a cinco (Silveira et al., 2009).

• Distribuição Geográfica: Está presente em grande parte do Brasil com exceção dos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima. Também ocorre nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile. Mais comum no sul do Brasil (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).

• Hábitos/Informações Gerais: Vive nos banhados e outras áreas alagadas. Voa rasante vagarosamente sobre a vegetação dos brejos planando a procura de alimento. Habitante típico dos campos inundáveis e brejos, onde caça rãs, pequenos roedores e outros vertebrados pequenos, localizados a partir do ar. Seu vôo lembra o dos urubus do gênero Cathartes, por ser (só na aparência) errático e instável. Graças a suas longas e finas asas, movimenta-se sem problemas, mesmo a baixa altura sobre o alagado, guiado pela cauda comprida (Sick, 1997; Antas, 2005).

• Ameaças e Medidas para conservação: A espécie é limitada a rios e banhados, o que a torna sensível às atividades que afetam essas áreas. Como no caso de outras espécies semelhantes (ex. C. cinereus), as principais ameaças são a perda de habitat e a destruição e descaracterização específica dos sítios de reprodução. A perseguição direta (caça) também é uma ameaça significativa (Silveira et al., 2009). Criticamente ameaçado no estado de São Paulo, neste estado a espécie conta com apenas seis registros conhecidos ao longo do tempo, sendo metade deles efetuada há mais de 80 anos (Silveira et al., 2009). Além de ser raro, C. buffoni vem sofrendo um aparente declínio populacional ao longo de sua distribuição nos últimos cem anos. Este fato também é observado nos estados do sul do Brasil, que são as regiões que ligam o núcleo da distribuição da espécie ao Estado de São Paulo (Silveira et al., 2009). Dentre as principais ações para conservação da espécie esta na proteção do habitat. Realizar inventários, principalmente nas áreas já conhecidas, para definir a situação populacional da espécie no Estado (Silveira et al., 2009).


Gavião-do-banhado nos arredores da praia de Itapirubá - Imbituba/SC. Foto: Luiz Ribenboim

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN Sesc, 2005.

Cáceres, R. M., M. S. Bó, & M. Martínez. 1996. Ecología trófica de Circus buffoni y Circus cinereus, durante el período reproductivo, en la Reserva Municipal Mar Chiquita, Provincia de Buenos Aires. Pp. 15 in Novena Reunión Argentina de Ornitología (Buenos Aires,Argentina), Resumen.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

SIMON, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.


 
 


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