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Grupos básicos
Ordem Strigiformes

Os grupos básicos de rapinantes


 

Texto de: Willian Menq
Atualizado em 16 de Maio de 2016

Considerando um perfil de características fisiológicas, ecológicas e etológicas, dividimos as aves de rapina nos seguintes grupos e subgrupos.

 


 
 

• Águias
São todas as aves de rapina de grande porte das famílias Accipitridae e Pandionidae. São imponentes, apresentam boa envergadura, garras bem desenvolvidas, planadoras e especialistas na captura de vertebrados terrestres ou aquáticos. As águias brasileiras se dividem em 4 subgrupos:

Águias-buteoninas: São as espécies imponentes das subfamílias buteonine e sub-buteonine, no Brasil representadas pela águia-cinzenta (Urubitinga coronata) e águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus). São aves planadoras, encontradas em campos naturais, áreas montanhosas e campestres. Possuem aparência robusta, asas longas e amplas e caudas de tamanho médio. No geral caçam em ambientes de vegetação aberta, sobrevoando um local até avistar a presa e atirando-se contra ela, capturando-a com suas garras afiadas e fortes. Também comem carniça ocasionalmente.

Águias-pescadoras: São águias especialistas na captura de peixes, com adaptações para tal hábito. Apresentam os dedos ásperos, o que evita que suas presas escorreguem ou escapem de suas garras. No Brasil existe uma única representante do grupo, a águia-pescadora (Pandion haliaetus) também única espécie da família Pandionidae. As espécies da subfamília Haliaeetinae (que não possuem representantes no Brasil) também pertencem a esse grupo.


Águias-açores: Também chamadas de “águias-florestais”, é o grupo das águias da subfamília Aquilinae (gêneros Nisaetus e Spizaetus), estritamente florestais, de médio porte, possuidoras de penacho e tarsos emplumados. Suas asas não são tão longas, porém largas, e cauda relativamente grande, resultando em uma aerodinâmica especializada em voos ágeis e boa manobrabilidade no interior de florestas. No Brasil são representadas por três espécies do gênero Spizaetus (S. ornatus, S. tyrannus e S. melanoleucus).

Águias-harpias: São os accipitrídeos da subfamília Harpiinae. São estritamente florestais, de grande porte e de aparência robusta, no Brasil representadas pelas espécies do gênero Harpia e Morphnus. Assim como os Spizaetus, as águias-harpias possuem asas largas e cauda relativamente grande. Apresentam tarsos curtos, grossos e garras bem desenvolvidas, ideal para a captura de presas maiores, como macacos e preguiças.

 

 
 


 
 

• Gaviões
Os gaviões, também pertencentes à familia Accipitridae, são semelhantes as águias mas não tem a mesma imponência, possuindo uma incrível variedade de formas e tamanhos. Assim como nas águias, as garras são utilizadas para capturar e matar suas presas por perfuração. Os gaviões brasileiros podem ser subdivididos em quatro grupos:

Gaviões-planadores: São os accipitrídeos de pequeno a médio porte pertencentes às subfamílias Buteonine e Sub-buteonine. O termo abrange uma grande variedade de espécies. No geral possuem asas longas e amplas, ideal para planar. Costumam forragear sobrevoando a área de caça ou aguardando a presa a partir de um poleiro.


Gaviões-milanos: É o grupo dos accipitrídeos da subfamília Milvine, Pernine e Elanine (no Brasil representado pelos gêneros: Leptodon, Chondrohierax, Elanoides, Gampsonyx, Elanus, Rostrhamus, Helicolestes, Harpagus e Ictinia). É um dos grupos mais primitivos, são mais sociáveis, e algumas espécies costumam nidificar em colônias. Possuem asas largas, pernas e garras mais delicadas, muitas espécies são insetívoras ou caçam pequenos vertebrados.

Açores: São os accipitrídeos pertencentes ao gênero Accipiter. São excelentes caçadores, apresentam asas curtas, pescoço pequeno e cauda comprida, aerodinâmica adaptada à caça em meio à obstáculos. É um grupo especializado na captura de aves, normalmente vivem em áreas florestadas e bosques. Algumas espécies, como o A. striatus, parece ter uma clara preferência por bosques de Pinus.

Tartaranhões: Grupo dos accipitrídeos do gênero Circus. Possuem asas e cauda longas e pernas finas. A maioria usa a combinação de sua visão aguçada e audição apurada para caçar pequenos vertebrados, deslizando sobre suas longas asas e circulando a baixa altura sobre pântanos e alagados.

 

 
 


 
 

• Falcões
Os falcões são todas as espécies da família Falconidae. De porte pequeno a médio, possuem bico curto, com silhueta adaptada a voos rápidos, movimentos ágeis e captura de presas rápidas, principalmente no ar. Ao contrário dos gaviões e águias, os falcões utilizam o bico para matar suas presas, apresentam um rebordo em forma de dente na mandíbula que permite seccionar a espinha dorsal de suas vítimas. Os falcões do Brasil se dividem em três subgrupos:

Falcões: Também chamado de “falcões-verdadeiros”, são todos os falconídeos pertencentes ao gênero Falco. São pequenos e ágeis, possuem asas longas, afiladas e cauda curta, aerodinâmica especializada em voos rápidos e para execução de manobras ágeis. É neste grupo que está inserido o falcão-peregrino (F. peregrinus), capaz de descer em voo picado a velocidades que ultrapassam os 300 km/h.

Falcões-florestais: São os falconídeos florestais do gênero Micrastur (incluindo o Herpetotheres). São endêmicos das Américas e estritamente florestais (exceto o Herpetotheres). Possuem asas curtas e caudas longas, resultando em uma aerodinâmica ideal para à caça em ambientes de floresta. Além disso, apresentam uma audição extraordinária, possuindo pequenos discos faciais semelhantes aos das corujas. Cantam bastante ao amanhecer, são mais ouvidos do que vistos.

Caracaras: Pertencem a este grupo os falconídeos da subfamília Caracanine (Gêneros: Caracara, Milvago, Daptrius e Ibycter). Este grupo é uma exceção à maioria das características dos falcões. Ao contrário dos outros falconídeos, estes têm hábitos generalistas, alguns são onívoros. Não são caçadores aéreos, são lentos e muitas vezes consomem animais já mortos ou debilitados.

 

 
 


 
 

• Urubus
Os urubus são todas as espécies da ordem Cathartiformes. São carniceiros, alimentam-se de todos os tipos de cadáveres. Apresentam a cabeça e pescoço nus, que facilita a higiene após a alimentação. A visão é bastante apurada, usada para procurar cadáveres em seus voos planados. Já o olfato é bem limitado, exceto nas espécies do gênero Cathartes que é bastante aguçado. O grupo é dividido em dois subgrupos.

Urubus: Pertencem a esse subgrupo as quatro espécies dos gêneros Coragyps e Cathartes. Possuem coloração preta, de porte médio a grande, e são ótimos planadores. O bico das espécies do gênero Cathartes é especializado na alimentação de cadáveres pequenos, enquanto o do Coragyps ideal para carcaças maiores.


Condores:
Pertencem a esse subgrupo o condor-dos-andes (Vultur gryphus), condor-californiano (Gymnogyps californianus), e o urubu-rei (Sarcoramphus papa). Em geral são muito grandes, planam alto, possuem bicos fortes e alimentam-se de carcaças de qualquer tamanho, inclusive a de grandes mamíferos. O urubu-rei (S. papa) é o único representante que vive no território brasileiro. Os condores se distinguem dos urubus por características osteológicas do crânio e genéticas.

 

 
 


 
 

• Corujas
São as espécies da Ordem Strigiformes. De porte pequeno a médio, possuem olhos grandes, contornados por discos faciais, asas largas, cauda curta e penas macias, resultando em uma excelente audição, visão, e um voo silencioso. A coloração é geralmente críptica, em tons que variam do marrom-escuro ao cinza-claro, camuflando-as na vegetação enquanto dormem durante o dia.

Suindaras: Espécies da família Tytonidae, no Brasil representada pela suindara Tyto furcata.

Caburés: Espécies do gênero Glaucidum e Aegolius. São pequenas, ágeis, caçam pequenos pássaros, roedores e lagartos. São florestais e vocalizam com frequência no período reprodutivo, algumas têm hábitos diurnos/crepusculares.

Corujinhas: Espécies do gênero Megascops. São pequenas, crípticas, apresentam tufos de penas no alto da cabeça, e em geral insetívoras. São florestais e vocalizam com frequência no período reprodutivo.

Buraqueiras: Representada pela coruja-buraqueira (Athene cunicularia). É pequena, de tarsos compridos e nus, adaptação para seus hábitos terrícolas.

Corujões: Agrupam as espécies dos gêneros Bubo, Asio, Lophostrix, Strix e Pulsatrix, com padrões morfológicos variados. Em geral, são grandes, muitas são providas de dois tufos de penas no alto da cabeça, dando uma aparência de orelhas.