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Classificação e grupos
Ordem Strigiformes

Classificação das aves de rapina do Brasil

Apesar das várias características compartilhadas, as aves de rapina não formam um táxon monofilético, pois agrupa aves pertencentes a linhagens distintas. Pertencem ao grupo das aves de rapina as seguintes Ordens: Accipitriformes (Famílias Accipitridae, Pandionidae, Saggittaridae), Falconiformes (Família Falconidae), Strigiformes (Famílias Tytonidae e Strigidae) e Cathartiformes (Família Cathartidae).

• Qual a diferença entre águias, gaviões e falcões?
Não existe um consenso entre os pesquisadores sobre a definição de cada termo. São designações populares e têm pouca fundamentação científica. De maneira geral, podemos dizer que os falcões são aves de rapina pequenas, bico curto, com silhueta adaptada a vôos rápidos, movimentos ágeis e captura de presas principalmente no ar. Águias são aves de rapina grandes, de boa envergadura, imponentes, planadoras e especilistas na captura de vertebrados terrestres ou aquáticos (como é o caso das águias pescadoras). E os gaviões são semelhantes as águias mas não tem a mesma imponência, são menores.

• Urubus são aves de rapina?
Não existe um consenso sobre a categorização dos urubus como aves de rapina, já que o termo aves de rapina têm pouca fundamentação científica. Partindo para a filogenia dos urubus (Ordem Cathartiformes), estudos recentes apontam que os urubus são geneticamente próximos dos gaviões e águias (Ordem Accipitriformes) (Hackkett el al. 2008). Dada as semelhanças com os gaviões e evidências genéticas, podemos dizer que os urubus são sim aves de rapina, um grupo mais antigo que ficou restrito às Américas e se especializou na alimentação de animais mortos.

 

• Tipos de aves de rapina
Considerando um perfil de características fisiológicas, ecológicas e etológicas, podemos classificar as aves de rapina brasileiras em dez grupos:

Águias-planadoras: As águias ou águias-de-campo são as espécies planadoras de grande porte da Família Accipitridae (táxons: Harpyhaliaetus coronatus e Buteo melanoleucus). De aparência robusta, as duas espécies desse grupo possuem asas longas e amplas e caudas de tamanho médio. No geral caçam em ambientes de vegetação aberta, sobrevoando um local até avistar a presa e atirando-se contra ela capturando-a com suas garras afiadas e fortes. A águia-chilena e a águia-cinzenta podem comer carniça ocasionalmente. Apesar de pertencer a Família Pandionidae, a águia-pescadora (Pandion haliaetus) é por vezes inserida neste grupo devido ao seu próprio nome popular e grande porte, esta é especializada na pesca.

Águias-florestais: Grupo dos accipitrídeos estritamente florestais de médio a grande porte e todos são possuidores de penacho (gêneros: Spizaetus, Morphnus e Harpia). Também de aparência robusta, suas asas não são tão longas, porém largas e cauda relativamente grande, aerodinâmica especializada em vôo ágil e boa manobridade dentro da floresta.

Açores: São os accipitrídeos pertencentes ao gênero Accipiter. São excelentes caçadores, tem asas curtas, pescoço pequeno e caudas longas, aerodinâmica adaptada à caça através de emboscadas em áreas florestadas e bosques. Grande maioria das espécies brasileiras é especializada na captura de aves, como é o caso do Accipiter bicolor e do Accipiter striatus.

Gaviões: São os accipitrídeos de pequeno a médio porte pertencentes as Subfamílias Buteonine e Sub-buteonine. O termo abrange uma grande variedade de espécies. No geral possuem asas longas e amplas, ideal para planar. Costumam forragear sobrevoando a área de caça ou aguardando a presa a partir de um poleiro.

Gaviões-milanos (kites): Grupo dos accipitrídeos da Subfamília Milvíne, Pernine e Elanine (Gêneros: Leptodon, Chondrohierax, Elanoides, Gampsonyx, Elanus, Rostrhamus, Helicolestes, Harpagus, Ictinia). Grande parte tem comportamento sociável, algumas espécies como o gavião-peneira, gavião-tesoura e outros, costumam nidificar em colônias. Possuem asas largas e pernas mais fracas, muitas espécies são insetívoras ou caçam pequenos vertebrados.

Tartaranhões: Grupo dos accipitrídeos do gênero Circus. Possuem asas e caudas longas e pernas finas. A maioria usa a combinação de sua visão aguçada e audição apurada para caçar pequenos vertebrados, deslizando sobre suas longas asas e circulando a baixa altura sobre pântanos e alagados.

Caracaras: Pertencem a este grupo os falconídeos da Subfamília Caracanine (Gêneros: Caracara, Milvago, Daptrius e Ibycter). Ao contrário dos outros falconídeos, estes têm hábitos generalistas, alguns onívoros e não são caçadores aéreos, são lentos e muitas vezes consomem animais já mortos ou debilitados (há exceções).

Falcões: São todos os falconídeos pertencentes ao gênero Falco (incluindo o Spiziapterix). São pequenos e ágeis. Possuem asas longas, afiladas e cauda curta, aerodinâmica especializada a vôos de caça em alta velocidade e para execução de manobras em frações de segundo. É neste grupo que esta inserido o falcão peregrino, capaz de descer em vôo picado a velocidades que podem ultrapassar 250 km/h.

Falcões-florestais: São os falconídeos florestais do gênero Micrastur (incluindo o Hepertotheres). São endêmicos das Américas, encontrado do México, América Central e grande parte da América do Sul. A maioria são estritamente florestais (exceção ao Hepertotheres). Assim como os Açores, os falcões-florestais possuem asas curtas e caudas longas, aerodinâmica ideal para à caça em ambientes de floresta. Além disso, os Micrastus sp tem uma audição extraordinária, possuindo pequenos discos faciais semelhante aos das corujas. A maioria são difíceis de serem vistos, já que raramente voa acima do dossel da mata, são mais ouvidos do que vistos.

Corujas: São todos os membros da Ordem Strigiformes, a maioria possui hábitos noturnos, com incríveis adaptações utilizadas para caçar em condições de pouca ou nenhuma luminosidade, destacando-se sua excelente audição e sua visão especializada, além de sua plumagem especial que reduz a turbulência durante o vôo, possibilitando vôos extremamente silenciosos, de modo a não serem detectadas pelas suas presas. Diferentemente de boa parte das aves, a maioria das corujas não constrói ninhos, habitando buracos em árvores, tocos, edifícios e no solo, ou utilizando-se de ninhos de outras espécies. Neste grupo encontram-se as corujinhas-caburé (Glaucidium sp); as corujinhas-do-mato (Megascops sp); Mochos (Asio sp) e as Suindaras (Tyto alba).


• Referências:

CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (2010) Listas das aves do Brasil. 9ª Edição, 18/10/2010, Disponível em <http://www.cbro.org.br>. Acesso em: Janeiro de 2011.

Del Hoyo,
J.; ELLIOTT, A.; SARGATAL, J. Hand-book of the birds of the world. v. 2. Barcelona: 
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Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. Boston – New York: Houghton Miffing Company.

Hackett, S.J.; Kimball, R.T.; Reddy, S.; Bowie, R.C.K.; Braun, E.L.; Braun, M.J.; Chojnowski, J.L.; Cox, W.A.; Han, K-L.; Harshman, J.; Huddleston, C.J.; Marks, B.D.; Miglia, K.J.; Moore, W.S.; Sheldon, F.H.; Steadman, D.W.; Witt, C.C.; Yuri, T.. (2008). "A phylogenomic study of birds reveals their evolutionary history". Science 320: 1763-1768.

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Remsen, J. V., Jr., C. D. Cadena, A. Jaramillo, M. Nores, J. F. Pacheco, J. Pérez-Emán, M. B. Robbins, F. G. Stiles, D. F. Stotz, and K. J. Zimmer. Version [fevereiro/2011]. A classification of the bird species of South America. American Ornithologists' Union. http://www.museum.lsu.edu/~Remsen/SACCBaseline.html

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.