• Descrição: O Urubú de cabeça preta, possui de comprimento 62 cm e de envergadura cerca de 143 cm com peso de 1,6 kg. É uma das aves mais comuns em qualquer região do Brasil, exceto em extensas áreas florestadas com pouca presença humana. Para diferenciá-lo dos outros urubus, em vôo, destaca-se o formato mais curto e arredondado das asas, com a ponta mantida um pouco à frente da cabeça. Quase no final de cada asa, forma-se uma área mais clara, quase um círculo. Exceto por essa área mais clara, adultos e jovens são totalmente negros, inclusive a pele nua da cabeça e pescoço. Conhecido também como urubu-comum, corvo, urubu-preto e apitã (Antas, 2005; Sick, 1997; Fergunson-Lees & Christie, 2001).
• Alimentação: Alimenta-se de carcaças de animais mortos e outros materiais orgânicos em decomposição, bem como de animais vivos impedidos de fugir, como filhotes de tartarugas e de outras aves (Antas, 2005; Sick, 1997). Os urubus têm importante papel sanitário, pois retiram material orgânico em decomposição da superfície do solo. No ambiente natural, alimenta-se nas mesmas carniças das outras espécies. Nas proximidades das casas, busca restos de comida e partes de animais domésticos abatidos.

Urubus se alimentando. BR-262 - Santa Margarida/MG, Ago 2008.
Foto: Daniel Esser
• Reprodução: Faz ninho em ocos de árvores mortas, entre pedras e outros locais abrigados, geralmente com incidência de árvores. Põe 2 ovos branco-azulados manchados com muitos pontos marrons. O Casal incuba os ovos por aproximadamente 32 a 39 dias. O filhote ao nascer apresenta uma penugem amarelada e o bico reto colorido de azul-escuro; após 3 semanas sua cor é branco-rosada, com uma estreita faixa negra circundando a cabeça e as pernas são azuladas; um mês depois, com o tamanho de uma galinha, sua plumagem é castanho-clara, mostrando algumas penas negras. Aos 2 meses, já com a plumagem e o bico negros, tem a pele do pescoço lisa, sem as proeminências transversais e rugosas da ave adulta. O primeiro vôo dá-se com 11 semanas de vida(Antas, 2005; Fergunson-Lees & Christie, 2001).
• Distribuição Geográfica: Encontrado desde a região central dos Estados Unidos à praticamente toda a América do Sul. Facilmente visto onde haja cidades, fazendas e áreas abertas (Fergunson-Lees & Christie, 2001; Sick, 1997).
• Hábitos/Informações Gerais: Vive em grupos, às vezes de dezenas de indivíduos. Sua área de ocorrência tem-se expandido com a colonização humana. Dentre os urubús, é o de menor envergadura. Apesar de seu tamanho, é o mais agressivo dos urubus menores, disputando avidamente uma carcaça com as outras espécies. Não possui o olfato apurado do gênero Cathartes, localizando a carniça pela visão direta ou observando os outros urubus pousando para comer. Costuma deslocar-se a grande altura, usando as correntes de ar quente para diminuir o custo energético do vôo. Bate as asas pesadamente, plana bem. Sua visão é excepcional, tendo boa acuidade para objetos a grande distância (Antas, 2005; Sick, 1997). Além do planeio passivo, batem ativamente as asas, produzindo um ruído forte e característico. Outro som único é produzido pelas asas, soando como se fosse um avião a jato. Deixam-se cair de grande altura, em vôo picado, para frear nas proximidades do solo ou da vegetação, abrindo as asas. O ar passando rapidamente pelas penas das asas produz o som. Acostuma-se com a presença humana e, em alguns locais, circula até junto de galinhas e outras aves domésticas, quando sua forma peculiar de andar bamboleando chama a atenção, popularmente chamado de passo do urubu malandro. Quando estão andando próximos a outros urubus, deixam a cauda ereta aparecendo entre as asas. Em dias muito quentes, pousam nas margens de rios e lagoas para beber água e resfriar as pernas. Entram na água rasa e molham as pernas completamente (Antas, 2005; Fergunson-Lees & Christie, 2001).

Reserva Biológica das Perobas, julho de 2009
Foto: Willian Menq S. |

Urubu sobrevoando a praia. Ilha do Mel - PR, Out 2009
Foto: Willian Menq S. |
O urubu é uma espécie cercada de crendices, geralmente envolvendo má sorte e morte. Há quem acredite que se um urubu pousar sobre a sua casa é sinal de que alguém da família morrerá, ou que se esta ave defecar sobre alguém esta pessoa terá uma vida curta e coisas do tipo, mas esta última crença é falha, pois a ave costuma defecar só quando pousada, muitas vezes sobre seus próprios pés! Por outro lado uma dessas crenças ajuda a sobrevivência dos urubus, já que muita gente acredita que matar esta ave traz azar.
• O raro urubu albino: No fim de julho de 2009, um urubu albino Coragyps atratus foi encontrado por agricultores em Sergipe. O albinismo ocorre quando umas espécies nascem sem a melanina que da a pigmentação da pele. São raríssimos casos de urubus com albinismo. De acordo com Souza et al (2009) relatos de seu comportamento indicam que o urubu albino era constantemente afugentado pelos demais indivíduos do grupo. Possivelmente debilitado, fraco e com a plumagem encharcada por conta do dia chuvoso, foi capturado por populares até ser resgatado por um integrante do pelotão ambiental da polícia militar de Sergipe e encaminhado ao criatório conservacionista “Parque dos Falcões”, situado no município de Itabaiana no Sergipe (Souza, et al, 2009).

O Raríssimo Urubu-albino registrado no município de Itabaiana - SE.
Foto: Marcelo Cardoso de Sousa
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005
Ferguson-Lees, J., and D.A. Christie. 2001. Raptors of the world. Houghton Mifflin, Boston, MA.
Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, RJ.
Sousa, M. C; Costa, J. P. M; Silva, R. A. C. Albinismo em Coragyps atratus no Estado de Sergipe (Cathartiformes: Cathartidae). Atualidades Ornitológicas Nº 150 - Julho/Agosto 2009 - www.ao.com.br
