• Descrição: O Falcão-de-peito-vermelho, recebe este nome pelo seu peito vermelho alaranjado. Possuem de 33 a 39 cm de comprimento sendo as fêmeas maiores que os machos, os machos pesam de 338-340 g e as fêmeas de 550-654 (Márquez et al, 2005). Como todos os falcões verdadeiros (gênero Falco) possuem uma forma aerodinâmica extremamente adaptada para a velocidade. Na maioria das vezes abate aves em pleno vôo. Utiliza-se somente das garras para a captura da vítima a qual é rapidamente morta com o auxílio de um golpe de bico afiado que lhe secciona a espinha dorsal. Sua plumagem caracteriza-se por possuir o peito anterior avermelhado; peito posterior, flancos e faces inferiores das asas negros com bordas e manchas redondas amareladas. Imaturo com peito anterior creme ferrugíneo, estriado de negro. A voz: "aczick-aczick".
Um fator relevante e que pode dificultar sua identificação em campo reside na semelhança de sua plumagem com a do cauré (Falco rufigularis), espécie relativamente mais comum, da qual se difere, sobretudo por apresentar, nas formas adultas, coleira peitoral alaranjada, porte maior, cabeça proporcionalmente mais larga, comprimento dos pés mais avantajados e cauda com silhueta um pouco arredondada na extremidade.
• Alimentação: Caça pombinhas (Columbina), periquitos (Aratinga) (Equador e Guatemala), andorinhões (Streptoprocne), capturando estes em pleno vôo (Sick 1997). Visto investindo contra codornas em pastagem (Pacheco 1992a). Esta espécie já foi observada atacando a baixa altura um bando de andorinhões-de-rabo-curto Chaetura brachyura (Márquez et al, 2005).
Baker et al. (1998) observou um baixo sucesso de caça nesta espécie (somente 4% para 208 tentativas) por razões desconhecidas, trata-se da taxa de sucesso mais baixa documentada entre as aves de rapina. Como método de caça, geralmente caça a partir de um poleiro em locais de estratégicos (Boa visibilidade), realizam também perseguição acima do dossel da mata. Jenny e Cade (1986) ja viu ele descer em picado igual os falcões peregrinos.
• Reprodução: Na época de cortejo, o macho entrega ao menos três itens alimentares para a fêmea quando está cortejando, a cópula é feita as vezes após a entrega do alimento (del Hoyo et al. 1994). Na maioria não constrói ninhos, o Falco deiroleucus elege as ocas das árvores para criar. Na América Central costuma nidificar em penhascos e até mesmo em templos Maias (ParqueNacional de Tikal) e há um único registro de um ninho em uma palmeira na Guatemala (Baker et al. 1998, 2000), ja na América do Sul a maioria dos registros dos ninhos dessa espécie foram em arvores emergentes (Jenny and Cade 1986) cavidades naturais de arvores, palmeiras e penhascos (Cornel Lab of Ornithology).
Geralmente botam de 2-3 ovos de coloração clara e manchados (Kiff 1988) pensando em média de 39 a 45 gramas com 49.9 x 38.96 mm (Tamanho similar aos ovos de falcão peregrino). O periodo de incubação é de aproximadamente 30 dias, dados de ninhos observados na Guatemala e Equador (Jenny and Cade op cit, 1986). Os filhotes crescem rapidamente, alimentado quase sempre pela mãe. Os jovens ficam emplumados com aproximadamente 45 dias após o nascimento. Adquire plumagem imatura com 75 dias. tempo de independência são desconhecidos (Cornel Lab of Ornithology).
• Distribuição Geográfica: Distribui-se do Sul do México até o Norte da Argentina. No Brasil ocorre nos estados do Amapá, Pará, Piauí, Paraíba, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Os únicos registros para Minas Gerais ocorreu na Serra do Cipó, descrito por Sick (1997) e outro na RPPN Caraça por Zorzin et al. (2006).
• Hábitos/Informações Gerais: Ocorre em áreas densamente florestadas de regiões equatoriais, tropicais e subtropicais. Apesar de ocorrer em área ampla, Falco deiroleucus parece apresentar populações pequenas e esparsas, sendo raro, estado nas listas regionais de animais ameaçados de extinção de diversos estados brasileiros. Com os processos de desmatamento, especialmente em áreas adjacentes aos rios, onde a espécie ocorre, essas populações poderão sofrer considerável redução.
Provavelmente, a espécie é também alvo de perseguições, sendo abatida em atividades ilegais de caça, como ocorre com outros falconídeos, eliminados indiscriminadamente por fazendeiros interessados em proteger seus animais domésticos (Ferguson-Lees e Christie, 2001; Sick, 1997). Esta espécie pode ser considerada uma substituta ecológica do falcão peregrino em areas tropicais (del Hoyo et al. 1994).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Rio Grande do Sul: Provavelmente extinta (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009). |
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Minas Gerais: Criticamente em Perigo (Drummond et al. 2008). |
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Rio de Janeiro: Provavelmente extinto (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Dados desconhecidos (Simon et al, 2007).
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• Ameaças e conservação: Cade (1982) considerou-o como que o Falcão-de-peito-vermelho é o falcão de distribuição mais escassa do mundo, as razões para sua escassez não são aparentes; Dados da espécie são escassos para apontar se a espécie teve declinio na população ou se corre risco de extinção (Baker et al. 2000). Está listado como uma espécie de pouco interesse de conservação pela IUCN por causa de sua ampla distribuição geográfica nas Américas. Entretanto, diversos países categorizaram este falcão como ameaçado de extinção.

Falcão-de-peito-vermelho em Fundão - ES, Julho de 2008
Foto: Gustavo Magnago
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Baker, A.J. 1998. Status and breeding biology, ecology, and behavior of the Orange-breasted Falcon (Falco deiroleucus) in Guatemala and Belize. M.Sc. thesis, Brigham Young University, Provo, UT.
Baker, A.J., D.F. Whitacre, O. Aguirre-Barrera, and C. White. 2000. The Orange-breasted Falcon Falco deiroleucus in Mesoamerica: a vulnerable, disjunct population? Bird Conservation International 10:29-40.
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del Hoyo, J. e Sargatal, J. 2004. Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.
DRUMMOND, G.; MACHADO, A. B. M.; MARTINS, C. S.; MENDONÇA, M. P. e STEHHAN, J. P. Listas das Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, 2008.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
Jenny, J.P., and T.J. Cade. 1986. Observations on the biology of the Orange-breasted Falcon Falco deiroleucus Birds of Prey Bulletin 3:119-123.
Kiff, L.F. 1988. Eggs of the Orange-breasted Falcon (Falco deiroleucus). Journal of Raptor Research 22:117-118.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
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SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
SIMON, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.
Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, and E.P.M. Carvalho Filho. 2007. Breeding biology, diet, and distribution of the Black-chested Buzzard-eagle (Geranoaetus m. melanoleucus) in Minas Gerais, southeastern Brazil. Pp. 40-46 in K.L Bildstein, D.R. Barber, and A. Zimmerman (eds.), Neotropical raptors. Hawk Mountain Sanctuary, Orwigsburg, PA.
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