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Falcão-de-coleira
(Falco femoralis)

Falco femoralis (Temminck, 1822)
Ordem: Falconiformes
Família: Falconidae
Grupo:
Falcões
Nome popular: falcão-de-coleira

Outros nomes: falcão-aplomado
Nome em inglês: Aplomado Falcon
Tamanho: 33-39 cm de comprimento
Habitat:
Campos, matas, àreas urbanas
Alimentação:
Insetos e pequenos animais

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco

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Indivíduo adulto predando rolinha. Brasília/DF, Out 2010.
Foto:
Jussara Gruber


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Andrew Spencer)

• Descrição: O falcão-de-coleira, espécie esbelta e com excelente vôo, possui cerca de 36 cm de comprimento. Apresenta uma listra superciliar branca na cabeça, a qual prolonga-se até a nuca (nenhum outro falcão brasileiro possui algo parecido, o que facilita a identificação). Abaixo do olho, apresenta uma marca cinza escura, quase negra, em forma de lágrima. A longa cauda negra possui sete faixas brancas estreitas. Em vôo, é possível ver a linha branca da ponta das longas penas das asas. O juvenil possui as partes inferiores brancas, com estrias escuras.

• Alimentação: Caça pequenos vertebrados, capturando inclusive serpentes peçonhentas; além destes animais, caça aves, insetos e lagartos. O casal costuma cercar a presa cooperativamente (a fêmea é 1/3 maior do que o macho) comportamento de cooperação pouco comum entre as aves de rapina. Em geral, caçam a partir de pousos fixos, com o macho iniciando a perseguição e cansando a presa, para a fêmea abatê-la. Hector (1985) registrou o falcão-de-coleira predando um Aracuã (Ortalis vetula) pesando entre 470-685 g.

Também caça peneirando, em geral insetos (igualmente faz o gavião peneira). Nas queimadas, mantém-se pousados próximos à frente do fogo, capturando insetos e pequenos vertebrados assustados pelas labaredas. Seus vôos de caçada são feitos à pouca altura do solo ou vegetação, praticamente camuflando o falcão. Próximo à presa, ganha altura de repente. Muitas vezes, é possível observá-lo pousar em uma árvore isolada, surgindo virtualmente do solo (Antas, 2005; Sick, 1997). No Parque Nacional das Emas, foi visto associar-se ao lobo-guará ao qual segue para apoderar-se de animais por ele espantados na vegetação rasteira. (Silveira et. al, 1997).

• Reprodução: Tipicamente o falcão-de-coleira não constrói ninhos, usa ninhos de outras espécies de gaviões ou de outras aves. Bota de 2 a 3 ovos, raramente 4, com um período de incubação de 31 a 32 dias (Antas, 2005; Lencione-Neto 1996; Sick, 1997). Os ovos, brancos ou branco-avermelhados e manchados de pardo, normalmente vermelho-pardos, medem 40-48 x 31-36 mm. O casal incuba os ovos e cuida dos filhotes. O filhote voa entre 4 a 5 semanas de vida, um desenvolvimento muito rápido, quando comparado com outras espécies de gaviões.  No período de reprodução são bastante agressivos, geralmente os casais vocalizam quando um intruso se aproxima do ninho, além do alarme constante os falcões-de-coleira costumam dar sobrevôos rasantes contra o invasor (del Hoyo 1994; Granzinolli, et al. 2002).

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Filhote no ninho. São José dos Campos/SP, Out 2011. Foto: Marcos Eugênio
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Ninho que esta sendo monitorado em Piraí do Sul/PR. Setembro 2010. Foto: Tony Andrey Bichinski

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Casal realizando vôos pré-nupciais, com perseguições aéreas e vôos acrobáticos. Quissamã/RJ, Maio 2010.
Foto:
Gustavo Henrique Silveira.
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Casal em voo para defender área do ninho contra intrusos. S. José dos Campos/SP, Out 2011.
Foto:
Marcos Eugênio

• Distribuição Geográfica: O falcão-de-coleira, apresenta uma ampla distribuição geográfica, ocorrendo desde o sudeste dos Estados Unidos à Terra do Fogo e em todo território brasileiro, exceto nas regiões densamente florestadas do norte do Brasil (Sick 1997).

• Subspécies: São conhecidas 3 subspécies, F. f. septentrionalis: ocorre do sul dos Estados Unidos (Texas, Arizona e Novo México) ao sul do México (Chihuahua, Oaxaca, Sinaloa) e Guatemala; F. f. femoralis: Belize, Honduras e Nicarágua oriental (Mosquitia) Panamá, leste da Colômbia, Guianas da Bolívia oriental, por todo o Brasil, Argentina até Uruguai; F. f. pichinchae: sudoeste da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia, até o noroeste do Chile (Arico de Curicó e noroeste da Argentina (Tucumã).

• Hábitos/Informações Gerais: O falcão-de-coleira é uma espécie campestre, habita ambientes abertos, como por exemplo, cerrados, cerradões e, às vezes, na periferia de áreas urbanas, ambientes o qual o favorece. Além de peneirar ocasionalmente, costuma fazer planeios longos e altos, utilizando-se das correntes de ar quente ascendente para ganhar altura. Sua silhueta de longa cauda, com as asas pontiagudas e longas é notável nessas ocasiões. Tem o hábito de pousar em árvores diante das queimadas, para assim localizar presas que estejam fugindo do fogo. Em meados de 1930, o falcão de coleira sofreu um grande declínio populacional no México e Estados Unidos, possivelmente por contaminação de pesticidas  que eram utilizados na época (Héctor 1987). É considerado um migrante parcial e também altitudinal em algumas áreas de sua distribuição. Populações setentrionais e meridionais são provavelmente migratórias, embora os movimentos sejam em grande parte irregulares (Bildstein, 2006).

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Falcão de coleira se alimentando de um periquito-de-encontro-amarelo, Poço de Caldas/MG.
Foto:
Beto Ramos
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Indivíduo adulto. Governador Valadares - Governador Valadares/MG, Julho de 2008.
Foto:
Adams Serra

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Indivíduo adulto em voo.
Lagoa de Praia Seca - Araruama/RJ, Set de 2008.
Foto:
Helio Pereira
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Indivíduo atacando um gavião-de-cauda-branca que invadiu o território do ninho. S. J. dos Campos/SP.
Foto: Marcos Eugênio


:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



Contato



• Referências:

Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.

Bildstein, K. 2006. Everywhere birds. Hawk Mountain News 105:10-12.

Del Hoyo, J., ELLIOTT, A. e SARGATAL, J. 1994. Handbook of the birds of the world. Vol 2. New World vultures to Guineafowl. Lynx Edicions, Barcelona. 639pp

Granzinolli, M. A. M.; Rios, C. H. V.; Meireles, L. D.; Monteiro, A. R. Reprodução do falcão-de-coleira Falco femoralis Temminck 1822 (Falconiformes: Falconidae) no município de Juiz de Fora, sudeste do Brasil.Biota Neotropica, v2 (n2) 2002

Hector, D.P. 1981. The habitat, diet and foraging behavior of the Aplomado falcon, Falco femoralis (Temminck). M.S. thesis, Oklahoma State Univ. Stillwater.

Hector, D.P. 1985. The diet of the Aplomado Falcon (Falco femoralis) in eastern Mexico. Condor 87:336-342.

Lencine-Neto, F. 1996. Reprodução sincrônica entre Elanus leucurus (Vieillot, 1818) e Falco femoralis Temminck, 1822 (AVES, ACCIPITRIDAE/FALCONIDAE. Comum. Mus. Ciênc. Tecnol. PUCRS. Ser. Zool. 9: 37-44. Oklahoma. 189pp

Olmos, Fábio; Pacheco, José Fernando & Silveira, Luís Fábio (2006): Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4): 401-404.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Silveira, Leandro,  JÁCOMO,  Anah T. A. , RODRIGUES, Flávio H. G. , E CRAWSHAW  JR.,  Peter G. - " Hunting  Association Between  the  Aplomado Falcon (Falco femoralis)  and  the  Maned Wolf (Chrysocyon brachyurus)  in Emas  National Park, Central Brazil". The Condor, volume 99, 1997, páginas 201–02.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)