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Falcão Peregrino
(Falco peregrinus)

Falco peregrinus (Tunstall, 1771)
Ordem: Falconiformes
Família:Falconidae
Grupo:
Falcões
Nome popular: falcão peregrino
Outros Nomes: Falcão real
Nome em inglês: Peregrine falcon
Tamanho: 38-53 cm de comprimento
Habitat:
Campos abertos e areas urbana
Alimentação:
Aves e Morcegos

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Falcão peregrino em seu ponto de invernagem. Salvador, Bahia.
Foto:
Sávio Drummond


Vocalização de chamado (C)
(gravado por: Alexandre Renaudier)

• Descrição: O Falcão peregrino, espécie migratória, no Brasil aparece apenas entre os meses de Outubro e Abril, vindo da América do Norte, fugindo do inverno boreal. Trata-se de uma ave de médio porte, com grandes olhos negros, dorso azul-acinzentado com barras escuras no peito; coroa preta na cabeça; cauda com pontas brancas; pintas na barriga, que é esbranquiçada. Como existem várias subespécies pelo mundo, seu tamanho varia de 38 a 53 cm de comprimento, com uma envergadura de asas de 89-119 cm e peso de 0,6-1,5 kg. As fêmeas são maiores que os machos, sendo esse o principal dimorfismo sexual (Sick, 1997). Mais sobre padrão de plumagem..

• Alimentação: É um falcão ornitófago, isto é, alimenta-se quase exclusivamente de aves, mas se alimenta também de morcegos que captura geralmente em vôo. Estão documentadas capturas de espécies tão pequenas como chapins ou tão grandes como gansos, e mesmo de outras rapinas como corujas e gaviões. Uma das suas estratégias de caça consiste em subir nas correntes de ar quente (térmicas) a grande altura, deixando-se então cair sobre a presa avistada, num ângulo mais ou menos pronunciado e por vezes em queda livre vertical, com as asas aerodinamicamente coladas ao corpo, e controlando magistralmente a sua velocidade, quer abrandando ligeiramente com as asas entreabertas, quer acelerando ainda mais com a ajuda de curtos e rápidos batimentos das asas. Este tipo de caça, apesar de ser o mais impressionante, é o menos utilizado por esse falcão, não sendo tão eficiente quanto o método de perseguição (Sick, 1997; Ferguson-Lees e Christie, 2001).

No Brasil a maioria dos registros constatam a caça de pombos domésticos (Columba livia), presa fácil e abundante nos centros urbanos. Em regiões de invernada, principalmente nas áreas urbanas, o morcego é considerado a segunda fonte alimentar mais explorada pelos falcões peregrinos (Albuquerque 1978, Risebrough et al. 1990, Silva e Silva 1997), correspondendo a cerca de 15 a 20% da dieta dessas aves em áreas de invernagem em indivíduos estudados em sítios de invernagem no Brasil, e constituindo um dos únicos mamíferos que compõem a dieta regular de falcões peregrinos invernando na América do Sul (Drummond, 2010).
Mais sobre dieta e comportamentos de caça...

• Reprodução: Migratório esta espécie se reproduz no hemisfério norte, é um falcão monogâmico e solitário. Na corte, antes do acasalamento, o macho faz voos de exibição, geralmente usa até presas ou peças de presas, fazendo voos para a fêmea, entregando a caça, deixando a cair e pegando no ar, isso acontece ano após ano com o mesmo casal (Drummond, 2010). Põe três a quatro ovos num penhasco, diretamente sobre o solo, sem fazer ninho. Os ovos são incubados pelo casal ao longo de aprox. um mês. Durante a época de reprodução, os falcões peregrinos têm um comportamento fortemente territorial, acuando qualquer invasor que se aproxime do ninho (Sick, 1997; Ferguson-Lees e Christie, 2001). O período de maior mortalidade dos falcões peregrinos é no primeiro ano de vida, quando o falcão está em desenvolvimento e quando está iniciando as atividades de caça, aprimorando as técnicas de voo e costuma se chocar muito contra fios de postes, janelas, errar na manobrabilidade e ir de encontro a penhascos e árvores, etc. e está mais vulnerável a alguns predadores (Drummond, 2010).

O uso do DDT afetou gravemente as populações residentes na Europa ocidental e América do Norte durante as décadas de 1950 e 1960, e depois deste fato foi banido o uso desses compostos nas práticas agrícolas e também foram liberadas na natureza dezenas de indivíduos criados em cativeiro (Drummond, 2010).

• Distribuição e Migrações: Essa espécie é cosmopolita, ocorrendo em quase todos os continentes, é conhecido por diversas raças geográficas (Ferguson-Lees e Christie 2001). Os falcões peregrinos da América do Norte migram para outras regiões dentro do continente atingindo até o extremo sul da América do Sul. No Brasil todos as regiões recebem falcões peregrinos e praticamente todos os estados (Silva e Silva 1996; Pereira et al., 2006). Os estados que parecem ter a menor freqüência de ocorrência de peregrinos são Mato Grosso e Goiás (Drummond, 2010). Em média, chegam no Brasil em Outubro e retornam em Abril (Sick, 1997; Drummond, 2010).
Mais sobre Subspécies e Migrações...

• Rotas Migratórias: Existem pelo menos duas rotas bem definidas conhecidas para os falcões que migram da América do Norte pra A. do Sul, incluindo os falcões que residem no Ártico e Groenlândia (subespécie tundrius). Numa das rotas eles fazem o percurso sempre pelo continente, atravessando a América Central e passando pela região amazônica até chegarem ao seu destino final. Outra rota utilizada é a que cruza as faixas oceânicas, passando pelo Golfo do México e atravessando as ilhas da costa leste da América Central, como Cuba, conjunto de ilhas caribenhas, República Dominicana, até chegar na parte norte da América do Sul, seguindo até o destino final. Ali eles também param pra se alimentar, esses são os pontos conhecidos de parada para se alimentar, mas ao longo do percurso eles param em outros pontos, por tempo mais curto.


Rota de migração 1 - Falcões peregrinos migram passando pela área continental da América Central.

Rota de migração 2 - Falcões peregrinos migram passando sobre as faixas oceâncias da América Central.

• Hábitos/Informações Gerais: Os falcões peregrinos migram do hemisfério norte e todo ano vão para os mesmos pontos de invernagem, sendo bem fiéis ao local. A mesma fidelidade também é observada quanto aos poleiros utilizados nessas áreas, tanto os de uso estratégico para caça, como os poleiros de repouso e alimentação (Drummond, 2010). Na sua viagem migratória, alguns chegam a percorrer 22 mil quilômetros. Na maioria dos registros, o falcão peregrino é visto em centros urbanos, pois as grandes cidades abrigam grande oferta de presas e poucos competidores. No Estado do Paraná já foi registrado o falcão peregrino na área rural do município de Peabiru, onde foi visto perseguindo em vôo pombas Zenaida auriculata, quase capturando um dos indivíduos, no mesmo dia o mesmo falcão foi visto pousado em uma araucária (obs. pes. Willian Menq).


Salvador/BA, Dez2008,
Foto:Sávio Drummond

Nas cidades é visto pousado sobre prédios altos, edifícios, torres de telefonia, de onde lança-se em vôo para perseguir suas presas. É o mais rápido dos seres vivos, atingindo quase 300 km/h; é certamente uma das mais espetaculares e admiradas aves da fauna mundial. Os falcões peregrinos costumam adotar em áreas rurais os eucaliptos como um dos poucos poleiros-árvores aqui no Brasil em áreas de invernagem, usa-se essa árvore por causa da configuração alta e esguia, dos galhos meio horizontais e mais regulares e menos frondosos, dando margem pra servir de poleiro e permitindo o falcão tenha uma visão não muito interceptada por folhagens densas como as de outras árvores. Araucárias ao sul do Brasil também podem ser utilizadas pelos falcões já que apresentam estas mesmas características favoráveis(Drummond, 2010).

A longevidade do falcão peregrino é um pouco variável, os peregrinos livres na natureza vivem geralmente de 10 a 15 anos, com uma média de 13 anos de longevidade; existem recordes de longevidade de peregrinos em vida livre de até 19 anos (Drummond, 2010).

• Relações intra e interespecíficas: Drummond (2010) relatou em Salvador diversas relações intraespecíficas e interespecíficas dos falcões peregrinos. Nas relações com indivíduos da mesma espécie, um falcão peregrino dominante na área expulsava o outro por meio de perseguições seguido de mergulhos e rasantes contra o outro indivíduo. As vocalizações de alerta mais utilizadas para de interação direta e agonística é a sequência de voz transcrita como “ii-chuip iii-chuip” e a “kaaa kaaa”. Nas relações com outras aves de rapina, o comportamento ativo parte sempre do falcão peregrino e não das outras aves, pois o falcão peregrino é bastante territorialista, e esse comportamento tende a ser mais predominante em relação a qualquer outra ave de rapina que constitua uma ameaça ao seu território.
Mais sobre relações intra e interespecíficas..

• Galeria de videos do falcão peregrino: Consulte a galeria de videos desta espécie com cenas fantásticas do falcão peregrino atacando outras espécies e também registros de interações gravados no Brasil por Sávio Drummond. Acessar Galeria de Videos..


Falcão peregrino em seu poleiro de repouso. Feita em: 31.10.2009.
Foto:
Sávio Drummond

Falcão peregrino em voo, Salvador/Pituba - Bahia. Outubro de 2008. Foto: Pedro Figueiredo

Falcão peregrino em seu ponto de invernagem. Salvador, Bahia. Fev 2009. Foto: Sávio Drummond

Falcão peregrino em seu ponto de invernagem. Esse indivíduo é monitorado há oito anos, em área urbana densamente antropizada (concentração de edifícios residenciais altos). A foto mostra o momento de abandono de poleiro de repouso/sombra para início de primeira rotatividade matutina de poleiro funcional regular pós-caça. Salvador, Bahia. Foto: Sávio Drummond

:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



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• Referências:

Albuquerque, J. L. B. (1978) Contribuição ao conhecimento de Falco peregrinus Tunstall, 1771 na América do Sul (Falconidae, Aves). Rev. Bras. Biol. 38: 727-737.

Drummond, Sávio M. (2010). Notas sobre falcões peregrinos (Falco peregrinus, Tunstall 1771) em período de invernagem na Bahia. Portal Aves de Rapina Brasil – Publicações online. Disponível em: < www.avesderapinabrasil.com > Acesso em Julho de 2010.

Escalante, R. (1961) Occurence of Cassin race of Peregrine Falcon in Uruguay. Condor 63: 180.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Pereira, G. A.; Coelho, G.; Dantas, S. M.; Roda, S. A.; Farias, G. B.; Roda, S. A.; Brito, M. T. B.; Pacheco, G. L. 2006. Ocorrências e hábitos alimentares do falcão peregrino Falco peregrinus no estado de Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia, 14 (4): 435-439.

Risebrough, R. W., A. M. Springer, S. A. Temple, C. W. White, J. L. B. Albuquerque, P. H. Bloom, R. W. Fyfe, M. N. Kirven, B. A. Luscombe, D. G. Roseneau, M. Sander, N. J. Schmitt, C. G. Thelander, W. G. Vasina e W. Walker II (1990) Observaciones del Halcon Peregrino, Falco peregrinus sub spp., en America del Sur. Rev. Bras. Biol. 50: 563-574.

Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira. RJ.

Silva e Silva, R. (1996) Records and geographical distribution of the Peregrine Falcon Falco pereginus Tunstall, 1771 (Aves, Falconidae) in Brazil. Pap. Avuls. Zool. São Paulo 39: 249-270.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)