• Descrição: O falcão-cauré ou falcão-morcegueiro como também é conhecido, de porte pequeno possui cerca de 26 centímetros de comprimento, o macho pesa aproximadamente 120 gramas e a fêmea, 200 gramas (Marquez et al., 2005). O falcão-cauré, possui o peito e barriga listrados de branco. Tem garganta, papo e lados do pescoço amarelos ferrugíneos ou brancos, abdômen e calções castanhos. A cabeça é toda negra, onde destaca-se o grande olho escuro, rodeado por uma pele nua amarelada. cauda negra com pequenas barras brancas interrompidas. As pernas são curtas, amarelas, destacando os pés, igualmente amarelos, grandes e desproporcionais ao tamanho da ave. Quando jovem possui coberteiras inferiores da cauda amareladas e barradas de negro (Marquez et al., 2005; Sick, 1997). Sua plumagem é muito parecida com a do falcão-de-peito-vermelho (Falco deiroleucus) que é uma espécie maior e bem mais corpulenta. A principal diferença entre as duas espécies é que o falcão-de-peito-vermelho possui um colar avermelhado acima do peito, característica na qual o falcão-cauré não possui (Obs. pess. Willian Menq).

Falcão-cauré.
Vitória/ES, Setembro de 2010.
Foto: Antônio Maia |

Falcões-cauré. Petrópolis/RJ , Dez 2009.
Foto: Anderson Rabello Pereira |
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002). |
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São Paulo: Em perigo (Silveira et al., 2009). |
• Alimentação: Bastante habilidoso em suas caçadas, apanha aves (incluindo andorinhões, andorinhas, beija-flores, periquitos, aves aquáticas pequenas), morcegos e insetos (como libélulas, borboletas e gafanhotos) caçando principalmente no entardecer e clarear do dia. Vivem em territórios de caça exclusivos, algumas vezes, já escuro, ainda estão caçando morcegos. No solo pode capturar ratos e pequenos lagartos (Antas, 2005; Márquez et al, 2005). A variedade de morcegos e aves na sua dieta varia muito de acordo com a região. Persegue insetos em vôo, algumas vezes voam acima da mata para espantar possíveis presas, em uma ocasião foi visto um individuo voando acima da mata quando ele agarrou-se a um ramo de uma árvore, para logo voar e perseguir os insetos espantados por esta técnica (del Hoyo et al. 1994).
• Reprodução: A maioria dos dados de reprodução dessa espécie são de estudos realizados no México. No período de reprodução o macho corteja a fêmea entregando algum item alimentar a ela (del Hoyo et al. 1994). O ninho é feito em ocos de árvores, algumas vezes utiliza-se de ninhos abandonados de araras, papagaios ou de pica-paus. Poem de 2 a quatro ovos. Durante todo o período de crescimento dos filhotes, a comida é fornecida pelo macho, tanto para os falcõezinhos como para a fêmea. Os filhotes ficam totalmente emplumados após 35 a 40 dias do nascimento. Este falcão, em algumas regiões está adaptado à presença humana e pode ser, eventualmente, encontrado no interior de centros urbanos. Nos registros realizados nas cidades amazônicas, o falcão-cauré utiliza ocos em tetos de edifícios para a postura de seus ovos (del Hoyo et al. 1994; Sick, 1997; Ferguson Lees & Christie, 2001).
• Distribuição Geográfica: De distribuição neotropical, ocorre desde o México até à Argentina. No Brasil ocorre em quase todos os Estados (com exceção de Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Varia de incomum a comum em algumas regiões, habitando bordas de florestas e clareiras (Sick, 1997). Monroe (1968) e Brooks (in litt. 2002) sugere que pode haver migrações sazonais desta espécie em Honduras e Peru, respectivamente.
• Subspécies: São conhecidas três subspécies, F. r. petoensis: distribui do norte do México até a América Central, Colômbia e Equador. F. r. rufigularis: Leste da Colômbia, Guians e Trinidad, Até o Sul do Brasil e Norte da Argentina. F. r. orphryophanes: Brasil Central (Piauí, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná), Bolivia, Paraguai e norte da Argentina (del Hoyo et al.1994; Marquez et al, 2005).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita matas, bordas de florestas e clareiras, além disso pode ser encontrado nos centros urbanos de alguns municípios (Sick, 1997; obs. pess. Willian Menq). Costuma pousar nos galhos secos das árvores mais altas da mata, ficando destacado na paisagem. Embora também cace em áreas abertas, é mais encontrado nas matas e suas bordas. (del Hoyo et al. 1994), geralmente é visto em pares (GRIN, 2010). Manifestações sonoras: emite o seguinte som, “gi, gi, gi…”, “tzrii-i”, “kit” Também conhecido como cauré-i, coleirinha, falcão-de-garganta-branca, falcão-morcegueiro, gavião-de-coleira e temtenzinho (Antas, 2005; Sick, 1997). Sua semelhança com o Falco deiroleucus deve ser que ambos provavelmente tinham um ancestral comum no passado (del Hoyo et al. 2004).
• Video: Assista o video-curto produzido pela National Geographic Channel, do falcão-cauré caçando morcegos (tanto em vôo quando nos poleiros diurnos). .:: Assistir o video ::.

Indivíduo adulto.
Vitória/ES,
Setembro de 2010.
Foto: Antônio Maia |

Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Agosto 2010.
Foto: Douglas P.R. Fernandes |

Indivíduo adulto.
Vitória/ES,
Setembro de 2010.
Foto: Antônio Maia |

Chapada do Abanador,
Mindurí MG, Janeiro de 2010.
Foto: Kassius Santos |

Refúgio Ecológico Caiman, Miranda/MS. Setembro 2010.
Foto: Douglas P.R. Fernandes |

Falcão-cauré, Rio Teles Pires - Alta Floresta/MT. Julho de 2009.
Foto: Renata Biancalana |
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

Contato
• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc, 2005.
del Hoyo, J. e Sargatal, J. 2004. Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11).
Monroe, B.L., Jr. 1968. A distributional survey of the birds of Honduras. Ornithological Monographs no. 7.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)