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Quiriquiri Falco sparverius (Linnaeus, 1758)
Ordem: Falconiformes | Família: Falconidae | Politípica (17 subespécies)


Indivíduo macho adulto. Foto: Gina Bellagamba

O quiriquiri é o falcão mais comum e amplamente distribuído do Brasil. Vive em áreas abertas, como campos naturais, pastagens e clareira de matas, sendo ele bem adaptado em ambientes urbanos. Gosta de pousar em postes de energia, fios de eletricidade, antenas de telefonia e mourões de cerca, de onde procura insetos e pequenos animais no solo. Conhecido também como falcão-americano, gavião-mirim e gavião-ripina. O nome "quiriquiri" é onomatopeia de sua vocalização que repete várias vezes, Voz: "gli-gli-gli", i-i, i, i, i".


Descrição:
Mede 21-31 cm de comprimento e pesa de 80-165 g (White et al. 2013). Apresenta acentuado dimorfismo sexual. Macho adulto é cinza-azulado no alto da cabeça e nas asas, dorso e cauda marrom-avermelhado, sendo a cauda finamente barrada com uma faixa subterminal negra mais larga. O ventre é branco, com manchas esparsas negras, mais densas nas laterais do corpo. Na cabeça destaca-se duas listras verticais, uma abaixo do olho e uma outra na região auricular. Fêmea adulta apresenta o dorso e asas marrom-avermelhadas, com finas estrias negras; o ventre é branco-creme, com estrias negras; o desenho e cores da cabeça são iguais entre os sexos. Jovem é parecido com o adulto, com cores mais pálidas, saindo do ninho com a plumagem do sexo correspondente.

Espécies-similares: Pode ser confundido com o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e com o gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii), diferenciando-se principalmente pelo ventre claro e pelo padrão de desenhos da cabeça.

Dieta e comportamento de caça: É predominantemente insetívoro, caça insetos suculentos como besouros, libélulas e aranhas. Em menor frequência, apanha pequenos vertebrados, como camundongos, serpentes, morcegos e aves. Caça a partir de poleiros fixos, naturais ou artificiais, de onde vasculha o solo, sendo a presa normalmente capturada e abatida no solo. Também costuma “peneirar” (paira no ar) a baixa altura, igual faz o gavião-peneira. Teixeira & Teixeira (2008) registraram o quiriquiri remexendo com o bico o solo de gramíneas, resultando na captura de um pequeno artrópode.

Em épocas de revoadas de insetos, pode caçar saúvas, libélulas e cupins em voo. No município de Peabiru/PR, foi observado próximo ao anoitecer, três quiriquiris sobrevoando e caçando insetos voados por quase 1 hora uma área rural, comendo os insetos tanto em voo quanto em poleiros (obs. pess. Willian Menq).

Reprodução: Não constrói ninho, nidifica em ocos naturais ou artificiais, como cavidades em árvores, buracos feitos por pica-paus, estruturas em postes, edifícios e ninhos abandonados de outras aves. O local do ninho pode ser utilizado por vários anos consecutivos. Pode colocar até 4 ovos, que são brancos com pequenas manchas de coloração castanho-claro e marrom-avermelhado. Grande parte da incubação é realizada pela fêmea, com período de 27-30 dias. O macho é responsável pela caça, fornecendo alimento à fêmea durante a incubação e aos filhotes. Os filhotes saem do ninho entre 29 e 31 dias após o nascimento, e continuam dependentes dos pais por várias semanas.

É bastante territorial, o casal pode realizar voos rasantes contra intrusos que passam nas proximidades de seu ninho, inclusive contra gaviões muito maiores. Menq & Copatti (2009) observaram um F. sparverius defendendo ativamente o território contra um gavião-pato (Spizaetus melanoleucus), dando voos rasantes contra o intruso.

Distribuição geográfica e subespécies: Ocorre desde o Alasca e norte do Canadá até o extremo sul da América do Sul (Terra do Fogo), incluindo todo Brasil, exceto nas áreas densamente florestadas da Amazônia. Politípico, são conhecida 17 subespécies.

  • F. s. sparverius: ocorre na América do Norte, desde o Alasca até o sul do Canadá (exceto sudeste) e oeste do México. Está é uma subespécie migratória, no inverno migra para o México, América Central até o Panamá;
  • F. s. paulus: EUA (Carolina do Sul e Flórida);
  • F. s. peninsularis: México (sul da Baixa Califórnia, Sonora, Sinaloa);
  • F. s. tropicalis: sul do México até o norte de Honduras;
  • F. s. nicaraguensis: leste de Honduras e oeste de Nicarágua;
  • F. s. sparverioides: Cuba, Ilha de Pinos e Bahamas;
  • F. s. dominicensis: Ilha de São Domingos, do Haiti;
  • F. s. caribaearum: Porto Rico e Granada;
  • F. s. brevipennis: Antilhas Holandesas (Aruba, Bonaire, Curaçao);
  • F. s. caucae: oeste da Colômbia;
  • F. s. aequatorialis: norte do Equador;
  • F. s. peruvianus: sudoeste Equador, Peru e norte do Chile;
  • F. s.ochraceus: leste da Colômbia e noroeste da Venezuela;
  • F. s. isabellinus: Venezuela até o norte do Brasil;
  • F. s. cearae: nordeste, sul e sudeste do Brasil até o sudoeste e leste da Bolívia;
  • F. s. cinnamominus: sudeste do Peru, Chile, Argentina, Paraguai, extremo sul do Brasil (Rio Grande do Sul) até o Uruguai e Terra do Fogo;
  • F. s. fernandensis: Ilhas Juan Fernandez do centro-oeste do Chile.

Habitat e comportamento: Trata-se do falcão mais comum e amplamente distribuído no Brasil. Habita os mais variados habitats, encontrado em campos naturais, cerrado, pastagens, clareira de matas, áreas rurais e áreas urbanas. Em áreas urbanas é facilmente observado pousado sobre postes de energia, fios de eletricidade, antenas de telefonia e mourões de cerca, de onde fica observando insetos e pequenos animais no solo.

Movimentos: No Brasil é residente, enquanto que as populações mais setentrionais (extremo norte dos EUA e do Canadá) e as austrais (Terra do Fogo) são migratórias, realizando migrações curtas para regiões mais quentes.

Conservação: Apesar de abundante em boa parte de sua distribuição, suas populações têm diminuído cerca de 50% nas últimas décadas. Os declínios são decorrentes do desmatamento contínuo e da retirada de árvores mortas em pé (onde costumam nidificar) por práticas agrícolas. Outra ameaça adicional é a exposição à pesticidas e outros poluentes, que pode reduzir afetar o processo de postura de ovos, contaminar e afetar a população de insetos, aranhas e pequenos vertebrados das quais essas aves dependem.  O fornecimento de caixas de ninho ajudou as populações em algumas áreas na América do Norte.

 

:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2018. ::

 


Referências:

Antas, P. T. Z. (2005) Aves do Pantanal. RPPN. Sesc.

Balgooyen, T.G. 1976. Behavior and ecology of the American Kestrel (Falco sparverius) in the Sierra Nevada of California. University of California Publications in Zoology 103:1-83.

Menq, W. S. & Copatti, J. F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Smallwood, J.A., and D.M. Bird (2002) American Kestrel (Falco sparverius). In A. Poole and F. Gill (eds.), Birds of North America no. 602. Academy of Natural Sciences, Philadelphia, PA, and American Ornithologists' Union, Washington, D.C.

Teixeira, E. C. & Teixeira, E. C. (2008) Observações sobre o comportamento de caça de Falco sparverius (linnaeus, 1758) em áreas abertas do rio grande do sul. Biodiversidade Pampeana ISSN 1679-6179 PUCRS, Uruguaiana, 6(1): 20-24.

White, C.M., Kirwan, G.M., Christie, D.A. & Boesman, P. (2013) American Kestrel (Falco sparverius). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2013). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.

Site associado: Global Raptor Information Network

 

Citação recomendada:

Menq, W. (2018) Quiriquiri (Falco sparverius) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/falco_sparverius.htm > Acesso em: .



 
 

Distribuição Geográfica:

Status: (LC) Baixo risco

Canto - (Autor: Bernabe Lopez-Lanus)
By: xeno-canto.




Macho adulto.
Londrina/PR, Fev de 2016.
Foto: Luiz Veríssimo
 

Fêmea adulta.
Londrina/PR, Fev de 2016.
Foto: Luiz Veríssimo
 

Macho adulto.
Aparecida/SP, Out de 2014.
Foto: Constantino Melo
 

Fêmea adulta e seus três filhotes,
Uruguaiana/RS, Dez de 2012.
Foto:
Gina Bellagamba
 
Indivíduo macho adulto.
São Gabriel/RS, Junho de 2011.
Foto:
José Paulo Dias
 

Fêmea adulta.
Stª Margarida do Sul/RS, Jan 2013.
Foto: José Paulo Dias
 

Macho adulto. Porto Alegre/RS
.
Agosto de 2012.
Foto:
Willian Menq
 
Quiriquiri em ninho artificial.
Miranda/MS. Setembro 2010.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes