• Descrição: Mede de 23 a 27 cm de comprimento e pesa de 85 a 140 gramas. É muitas vezes considerado a menor ave de rapina brasileira, o que é errado, pois o gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii) é ainda menor. Assim como no Circus buffoni o quiriquiri também apresenta acentuado dimorfismo sexual na plumagem, são poucas as aves de rapina que apresentam coloração diferente entre os sexos. O macho é cinza azulado no alto da cabeça e asa, enquanto as costas e a cauda são marrom avermelhado, finamente estriadas de negro. Uma larga faixa negra sub terminal na cauda e ponta branca. As partes inferiores são brancas, com pontos negros no peito e barrigas, mais densos nos lados do corpo. Possui um desenho de lágrima, negra, abaixo do olho; uma outra linha vertical no lado da cabeça e um ponto negro na nuca (White, et al. 1994).
A fêmea têm as costas e asas marrom avermelhada, com as estrias negras finas, sem o cinza azulado do dorso do macho ou a faixa negra subterminal na cauda. As partes inferiores são de tom marrom alaranjado claro, com riscos finos, verticais e negros, sem o padrão de pontos do macho. O desenho e cores da cabeça são iguais. Os filhotes já saem do ninho com a plumagem do sexo correspondente (Antas, 2005; Sick, 1997). Seu nome "quiriquiri" é onomatopéia de sua vocalização que repete várias vezes, Voz: "gli-gli-gli", i-i, i, i, i". Também conhecido como falcão-americano, falcão-quiriquiri, gavião-mirim, gavião-quiriquiri, gavião-rapina e gaviãozinho.
• Alimentação: A alimentação de F. sparverius é composta principalmente por invertebrados. Eventualmente, o quiriquiri também apanha pequenos vertebrados, como camundongos, cobras e aves (SICK, 1997). Caça a partir de poleiros fixos, naturais ou artificiais (como os fios ao longo da estrada). Além de apanhar a presa a partir do poleiro, também costuma “peneirar” (vôo no mesmo lugar como no gavião-peneira). A presa é capturada e morta no solo, sendo carregada depois para o poleiro (Antas, 2005). Realiza também forrageamento no solo, Teixeira & Teixeira (2008) registraram o quiriquiri remexendo o solo de gramíneas com o bico, de onde ergueu vôo com um pequeno artrópode preso em seu bico.
Além disso, em épocas de revoadas de insetos, pode caçar saúvas, libélulas e cupins em voo, os quais captura com os pés comendo ainda em pleno voo (obs. pess. Willian Menq). No município de Peabiru/PR, este comportamento de caça foi observado próximo ao anoitecer, na ocasião, três quiriquiris foram observados sobrevoando por quase 1 hora uma área rural, onde capturavam os insetos em voo, comendo tanto em voo quando em poleiros preferenciais na área (obs. pess. Willian Menq).
Indivíduo macho se alimentando. Jundaí - SP, Abril de 2010.
Foto: Roberto Gallacci |

Indivíduo macho se alimentando de um roedor. São Carlos/SP, Fev 2007. Foto: Claudio Girotto |

Quiriquiri em ninho artificial. Miranda/MS. Setembro 2010.
Foto: Douglas P.R. Fernandes |
• Reprodução: Geralmente fazem ninhos em ocos naturais ou artificiais, colocando até 4 ovos. com periodo de incubação de 27 a 32 dias, os filhotes voam entre 29 e 31 dias após o nascimento. Bastante agressivo contra invasores, os pais fazem vôos rasantes sobre o intruso, os filhotes tem como técnica de defesa no ninho se virar de barriga para cima com as asas abertas com as garras em posição de ataque para intimidar o invasor (obs. pess. Willian Menq). Por ser extremamente territorial, qualquer outra ave de rapina maior que passar por seu território o quiriquiri persegue dando voos rasantes nas costas do invasor. W. Menq Santos & J. Copatti (2009) observaram um F. sparverius defendendo ativamente o território contra um Spizaetus melanoleucus, dando voos rasantes contra o intruso.
• Distribuição Geográfica: Desde o Alasca e Norte do Canadá até à ponta Sul da América do Sul (Terra do Fogo), em todo Brasil, com exceção do ártico, Amazônia e parte da costa do nordeste brasileiro (White, et al. 1994; Sick, 1997).
• Hábitos/Informações Gerais: Ocupa áreas urbanas, margens de estradas e ambientes abertos, produzidos pela atividade humana. Em areas naturais seu principal habitat é campos e cerrados, evitando as matas, cerradões e formações de vegetação adensada (Antas, 2005; Sick, 1997). É muito ativo durante todo o dia, principalmente durante o período de reprodução.
Indivíduo Fêmea. Conceição da Barra/ES, Janeiro de 2008.
Foto: Fernando Flores |

Indivíduo macho adulto.
São Gabriel/RS, Junho de 2011.
Foto: José Paulo Dias |

Casal copulando. Porto Nacional/ TO. Abril 2010.
Foto: Wélison Aldo |
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

Contato
• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005.
del HOYO, J., ELLIOTT, A. e SARGATAL, J. 1994. Handbook of the birds of the world. Vol 2. New World vultures to Guineafowl. Lynx Edicions, Barcelona. 639pp.
Santos,Willian Menq & Copatti, Jean F. (2009) Registro documentado de Spizaetus melanoleucus na reserva biológica das perobas, Paraná. Atualidades Ornitológicas nº 151, p 18-19.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
TEIXEIRA, Edson C. & TEIXEIRA, Eduardo C. OBSERVAÇÕES SOBRE O COMPORTAMENTO DE CAÇA DE FALCO SPARVERIUS (LINNAEUS, 1758) EM ÁREAS ABERTAS DO RIO GRANDE DO SUL. BIODIVERSIDADE PAMPEANA ISSN 1679-6179 PUCRS, Uruguaiana, 6(1): 20-24, jun. 2008.
White, C. M., V. D. Olsen, e L. F.Kiff (1994) Family Falconidae (Falcons and Caracaras), p. 216-275. In: del Hoyo J., Elliot, A. e Sargatal, J. (eds.). Handbook of the bird of the world. Vol. 2. New world vultures to guineafowl Barcelona: Lynx Edicions
• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)