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O Futuro da Águia Cinzenta


Soltura de águia-cinzenta no Parque Pireneus, Pirenópolis/GO, Ago 2008. Foto: Mauro cruz

Texto de: Willian Menq
A águia cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) é uma das maiores águias brasileiras, e infelizmente uma das mais raras, não só no Brasil, mas em toda a América do Sul. Naturalmente possuia uma ampla distribuição no continente, só que grande parte de sua área de distribuição vem sendo tomada pela agroindustria e pela silvicultura, o que acaba comprometendo sua existência em muitas regiões. Segundo as listas da IUCN e do IBAMA, a águia cinzenta encontra-se nacionalmente e globalmente ameaçada de extinção.

Mas porque um poderoso predador deste encontra-se tão ameaçado? Apesar da força e imponência essa águia sofre com seu principal predador que não é natural: o homem! a descaracterização do habitat natural pelo avanço das atividades agrícolas vem sendo o principal motivo de sua raridade. Além disso, o uso exagerado de agrotóxicos vêm dizimando as ultimas populações de águias cinzentas. A morte de um unico indivíduo na natureza traz uma série de conseqüências, pois suas populações são naturalmente pequenas, esparsas e a reprodução é lenta. Um casal cuida de seu filhote por mais de um ano, fazendo com que seu intervalo de reprodução seja de pelo menos 2 anos.

O habitat natural dessa imponente ave é os campos gerais, e esse ecossistema é um dos mais ameaçados na América do Sul. Boa parte desse ambiente no sul e centro oeste do Brasil foram substituidos por plantações (feijões, soja, trigo, milho), e recentemente um projeto de reflorestamento com Pinus (espécie de árvore exótica) está substituindo drasticamente grandes extensões de campos no planalto sul-brasileiro pelo Pinus, reduzindo a área de vida da águia, tornando-a ainda mais rara. A construção de usinas hidrelétricas em locais inadequados também é um fator preocupante, se construidas em áreas preservadas, as usinas acabam consumindo grandes hectares de florestas, inclusive árvores grandes como a Araucária que geralmente são utilizadas por essas aves para a nidificação (um exemplo de construção inadequada foi a UH de Barra Grande, na divisa de RS com SC).

Outra ameaça verificada para a águia cinzenta e outras aves de rapina de grande porte, é o abate indiscriminado de indivíduos, uma vez que eventualmente essas águias predam animais domésticos e, dessa forma, são consideradas prejudiciais, em particular para a avicultura. Por preferir hábitats abertos ou semiflorestados, torna-se alvo fácil de caça. É provável que o aumento da frequência dos ataques à animais domésticos seja pela ausência de presas naturais (gambás, lebres, roedores, etc.) em seu habitat devastado. Com tantas ameaças, o futuro da águia cinzenta parece incerto, mas existem soluções.

Para garantir o futuro desta espécie é necessário algumas ações, entre as mais importantes sem dúvida é a proteção do seu habitat com a criação de unidades de conservação e se possível a ampliação das já existentes e estabelecer conexões entre elas para garantir a permuta genética entre as populações. O desenvolvimento de pesquisas sobre distribuição e densidade de suas populações deve ser estimulado, servindo como importante meio de diagnosticar impactos e medidas mais seguras e detalhadas para a sua conservação. Além disso, a fiscalização e a educação ambiental são medidas igualmente necessárias.

Felizmente no Estado do Paraná foi criada através de uma força tarefa pelo governo federal algumas unidades de conservação, entre a UC's criadas podemos destacar o Parque Nacional dos Campos Gerais, com quase 22 mil hectares, protege um dos últimos habitats desta águia no Paraná.

Publicado em: Novembro de 2008

Agradecimentos à:
Associação Montanha, ao Jorge Albuquerque e ao Projeto Gaviões de Penacho pelo material fornecido