
Águia cinzenta em reabilitação. Foto: Andrés Capdevielle,
Coordenador do PCRAR [Proyecto de conservacion y rescate de aves rapaces]
Águia Cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) é uma
das maiores Águias Brasileiras, e infelizmente uma das mais
raras, não só no Brasil, mas também em toda
a América do Sul. Naturalmente possuia uma ampla distribuição
no continente, mas atualmente grande parte de sua área de
distribuição vem sendo tomada pela agroindustria
e pela silvicultura, o que acaba sendo lamentável. É uma
espécie mundialmente ameaçada de acordo com a IUCN,
e em nosso país é considerada vulnerável
pelo IBAMA.
Mas porque um poderoso predador deste encontra-se tão ameaçado? Apesar da força e imponência essa águia sofre com seu principal predador que não é natural: O homem., a descaracterização do seu habitat que é os campos naturais e o cerrado pelo avanço das atividades agrícolas vem sendo o principal motivo de sua raridade. Além disso, o uso exagerado de agrotóxicos e a caça indiscriminada contra esta espécie vêm dizimando as ultimas populações de Águias cinzentas. Tenham certeza que 1 individuo a menos na natureza traz uma série de conseqüências, pois suas populações ja são naturalmente pequenas e a reprodução desta espécie é lenta.
Os campos gerais é um dos ecossistemas
mais criticamente ameaçados na América do Sul. Depois que boa parte desse ambiente no sul e centro oeste do
país foram
substituidos por plantações (feijões,
soja, trigo, milho, etc.), agora a águia cinzenta enfrenta
outro impacto
em seu território no sul do Brasil, é o projeto
de reflorestamento com Pinus (espécie de árvore exótica)
que vem substituindo drasticamente grandes extensões
de campos no planalto sul-brasileiro e desta forma reduzindo
a área
de caça da águia-cinzenta, tornando-a mais rara
ainda. A construção de usinas hidrelétricas
em locais inadequados também ameaça a espécie
e também
outras aves de rapina. Pois se construidas em áreas preservadas, as usinas acabam consumindo grandes
hectares de florestas, inclusive árvores grandes como a Araucária
que geralmente são utilizadas por essas aves para a
nidificação
(um exemplo disso é a UH de Barra Grande, divisa de
RS com SC.

Águia cinzenta pousada em uma torre de transmissão de energia no terreno da PIB (Primeira Igreja Batista). São José dos Campos/SP, Maio 2010
Foto: Marcos Eugênio
Outra ameaça, verificada para a águia cinzenta e outras
aves de rapina de grande porte, é o abate indiscriminado
de indivíduos, uma vez que eventualmente essas águias
predam animais domésticos e, dessa forma, são consideradas
prejudiciais, em particular para a avicultura, Por preferir hábitats
abertos ou semiflorestados, torna-se alvo fácil de caça. "É claro, as vezes ela ataca animais domésticos pela ausência
de presas naturais (gambás, lebres, roedores, etc.) em seu
habitat devastado. Com tantas ameaças, o futuro da águia cinzenta parece incerto, mas existem soluções.

Campos Gerais Parananenses. Foto: Eduardo Issa
Para garantir o futuro desta espécie é necessário algumas ações, entre as mais importantes sem dúvida é a proteção do seu habitat com a criação de unidades de conservação e se possível a ampliação das já existentes e estabelecer conexões entre elas para garantir a permuta genética entre as populações. O desenvolvimento de pesquisas sobre distribuição e densidade de suas populações deve ser estimulado, servindo como importante meio de diagnosticar impactos e medidas mais seguras e detalhadas para a sua conservação no Estado. O desenvolvimento de pesquisas
sobre distribuição e densidade de suas populações
deve ser estimulado, servindo como importante meio de diagnosticar
impactos e medidas mais seguras e detalhadas para a sua conservação
no Estado. Além disso, a fiscalização e também a educação ambiental são medidas igualmente necessárias.
Felizmente aqui no estado do Paraná foi criada através de uma força tarefa pelo governo federal algumas unidades de conservação entre a UCs criadas podemos destacar o Parque Nacional dos Campos Gerais com quase 22 mil hectares protege um dos últimos habitats desta águia no estado.
Mapa dos limites da distribuição da espécie no País:

Texto de: Willian Menq S. 
Publicado em: Novembro de 2008
Agradecimentos à: Associação Montanha, ao Jorge Albuquerque e ao Projeto Gaviões de Penacho pelo material fornecido, e também ao Andrés Capdevielle, Coordenador do PCRAR - Proyecto de conservacion y rescate de aves rapaces na Argentina.
