• Descrição: A caburé-de-pernambuco é uma espécie recentemente descoberta (em 2002), descrita com base em dois exemplares taxidermizados (Coleção Ornitológica da Universidade Federal de Pernambuco nº. 1030 [holótipo] e nº. 1017), procedentes da Reserva Biológica de Saltinho, Rio Formoso/PE. Tem cerca de 14 cm de comprimento, com peso em torno de 51 g, partes inferiores brancas com flancos marrons e barriga riscada de marrom. Dorso e cabeça marrons, sendo a última ponteada de branco (Silva et al., 2002; ICMBIO, 2008). Distingue-se de seus congêneres pela cauda mais longa.
A vocalização principal da Glaudicium mooreorum, é uma canção curta composta por 5-7 notas. Sua vocalização apresenta uma uma ligeira diminuição da frequência média de notas. A quarta e a quinta nota de são as que apresentam maiores picos de amplitude, de modo que a vocalização fique mais acentuada antes do final. Essa mudança ascendente na frequência de notas e a diminuição da frequência média ao longo da canção parece ser uma característica única entre as Glaucidium neotropicais.
• Sobre a descoberta: Pelo tamanho do corpo, asa e cauda, coloração da plumagem e vocalização, notou-se que ela não era uma Glaucidium hardyi , como havia sido cogitado a princípio, e nem a outra, Glaucidium minutissimum . Era, sim, uma espécie nova, que ganhou o nome de caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum). Recém chegado ao conhecimento da ciência, o caburé Glaucidium mooreorum, já é considerado em extinção. A descoberta desta pequena coruja que habita as florestas secundárias altas na Mata Atlântica de Pernambuco está rigorosamente documentada, e cientificamente descrita, na edição de Junho da Revista Brasileira de Ornitologia (Silva et al., 2002). Os três pesquisadores responsáveis pelo estudo e pela descrição da mais nova espécie de caburé - José Maria Cardoso da Silva, da ONG ambiental Conservation International, Galileu Coelho, da Universidade Federal de Pernambuco e Luiz Pedreira Gonzaga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - decidiram homenagear Gordon Moore, presidente emérito da empresa de tecnologia Intel, atribuindo à nova espécie o nome Glaucidium mooreorum. A família Moore tem dado importantes contribuições à conservação da biodiversidade mundial e, particularmente, à brasileira, com doações na ordem de 250 milhões de dólares nos últimos oito anos. A espécie mal chegou ao conhecimento da ciência, e os pesquisadores afirmam que ela já pode ser classificada como criticamente ameaçada.
Segundo a União Internacional para Conservação Natureza - IUCN, existe uma série de critérios para considerar uma espécie em extinção. A acentuada redução no tamanho das populações, a fragmentação do habitat onde a espécie ocorre e o endemismo restrito (ocorrência em uma pequena área geográfica) estão entre eles. “Esta é exatamente a situação em que se encontra a Mata Atlântica ao Norte do Rio São Francisco - o Centro de Endemismo de Pernambuco - região que inclui todas as florestas litorâneas entre os Estados do Rio Grande do Norte e Alagoas”, explica José Maria Cardoso da Silva, vice-presidente da Conservation International do Brasil. “Essa região abriga mais de 50% de todas as 850 espécies de aves existentes na Mata Atlântica, com 17 sob algum tipo de ameaça e uma extinta na natureza, o Mutum-do-nordeste (Mitu mitu). É um dos locais com a maior quantidade de espécies de aves ameaçadas de extinção nas Américas”. texto do item "A Descoberta" de: Andrea Margit (2003) da Revista ECO21.
• Alimentação: Alimenta-se de insetos como grilhos, besouros, cigarras além de pequenas aves e lagartos (Silva et al., 2002).
• Reprodução: Dados desconhecidos. É provável que nidifique em cavidades naturais em árvores ou ocos abertos por pica-paus, assim como faz outras corujas do gênero Glaucidium.
• Distribuição Geográfica: Restrita a Mata atlântica no Nordeste do Brasil (Pernambuco) (Silva et al., 2002).
• Hábitos/Informações Gerais: É uma coruja endêmica do nordeste brasileiro, habita os poucos remanescentes florestais do Centro Pernambuco. Até hoje, essa espécie só foi registrada em duas localidades: na Reserva Biológica Saltinho, que é uma Unidade de Conservação de 564,9 ha; e em um remanescente de cerca de 100 ha em propriedade privada, denominada Usina Trapiche, em Sirinhaém, ambos no estado de Pernambuco (Silva et al., 2002). Após sua descoberta, a espécie não foi mais registrada. Sua vocalização tem sido experimentada nos remanescentes da região na tentativa de atraí-la, mas apesar de haver comportamento agonístico de outras aves, não houve resposta do caburé-de-pernambuco (ICMBIO, 2008).
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

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• Referências:
ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).
IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 09 August 2010.
SILVA, J. M. C. da; COELHO, G.; GONZAGA, L. P. Discovered on the brink of extinction: a nex species of Pygmy-Owl (Strigidae: Glaucidium) from Atlantic Forest of northeastern Brazil. Ararajuba, v. 10, n. 2, p. 123-130, 2002.
Margit, Andrea. 2003. Descoberta nova ave na Mata Atlântica. Revista ECO 21, Edição 79 junho-2003