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Aves de rapina: Distribuição e Habitat


Coragyps atratus e Rupornis magnirostris pousado em uma peroba. Foto: Willian Menq

Texto de: Willian Menq
A distribuição das aves de rapina no Brasil é bastante heterogênea, havendo algumas poucas espécies de ampla distribuição, cerca de 30% das espécies possuem uma ampla distribuição, como é o caso do urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus), quiriquiri (Falco sparverius), coruja-da-igreja (Tyto alba) e corujinha-do-mato (Megascops choliba). Doze por cento são encontrados somente na Amazônia, 10% na Amazônia e no Brasil central (Cerrado e/ou Caatinga), 7% na Amazônia e na Mata Atlântica e 8% somente na Mata Atlântica (sem considerar as espécies migratórias).

A Mata atlântica apresenta oito espécies de aves de rapina endêmicas: O gavião-de-pescoço-branco
(Leptodon forbesi) e caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) ocorre apenas na mata atlântica do nordeste brasileiro, já o gavião-pombo-grande (Leucopternis polionotus), a corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae), o murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) e a coruja-listrada (Strix hylophila) ocorrem somente no sul da mata atlântica. Apenas o gavião-pombo-pequeno (Leucopternis lacernulatus) tem a sua distribuição original em todo o bioma.

Na Floresta Amazônica Brasileira, ocorre várias aves endêmicas, dentre as aves de rapina que habitam este bioma podemos citar: o gavião-vaqueiro (Leucopternis kuhli) que é restrito ao sul do bioma, gavião-azul L. schistaceus; gavião-de-cara-preta L. melanops; gavião-pombo-da-amazônia L. albicollis; canção-de-anta Daptrius ater; gavião-do-igapó Helicolestes hamatus; falcão-de-buckley Micrastur buckleyi. A maioria das aves deste bioma, apresentam sua biologia pouco conhecida e com escassos estudos.

O Cerrado e a Caatinga embora não apresente nennuma ave de rapina endêmica desses biomas, é sem dúvida de extrema importância para diversas espécies brasileiras, como por exemplo a Águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) onde seus registros são mais abundantes no Cerrado. Nos Campos Sulinos no Sul do Brasil são conhecidas oito espécies de aves endêmicas, não havendo nenhuma ave de rapina entre elas, esse bioma têm sua principal importância como área de inverno de algumas espécies migratórias como o Buteo swainsoni e Circus cinereus. Sendo que na planície costeira do Rio Grande do Sul é a principal área de ocorrência de C. cinereus.

Movimentos migratórios: As aves costumam realizar a migração em busca de algum recurso favorável, na maioria das vezes ligado à alimentação. O Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos reconhece a existência de oito aves de rapina migratórias no Brasil: condor-dos-andes (Vultur gryphus), águia-pescadora (Pandion haliaetus), gavião-tesoura (Elanoides forficatus), sauveiro-do-norte (Ictinia mississipiensis), gavião-de-asa-larga, gavião-papa-gafanhoto, esmerilhão (Falco columbarius) e falcão-peregrino. Entretando existe outras espécies que realizam migrações de curta distância e questionáveis como é o caso do Sovi (Ictinea plumbea) e do gavião-bombachinha Harpagus diodon.

Requerimento de Habitat: A área de vida, que engloba o território reprodutivo, necessita ter determinados requerimentos ecológicos para ser capaz de manter os indivíduos, alguns fatores que podem influenciar na existência das epécies são a quantidade e a qualidade do alimento disponível para elas. As aves de rapina ocupam todos os tipos de ambientes e também são capazes de explorar paisagens heterogêneas, todavia, as paisagens florestais abrigam a maior diversidade. O tamanho da área de vida das espécies também varia bastante e, geralmente, espécies de maiores requerem maiores áreas.


Mata Atlântica nos cânios do Parque Nacional da Serra Geral. Foto: Willian Menq

Bibliografias consultadas:
Boyer and Hume. 1991. "Owls of the World". BookSales Inc.

Brown L. e Amadon, d. (1989). Eagles, hawks and falcons of the world,
v. 1. Secaucus: The Wellfleet Press.

Fegurson-Lees, J.; Christie, D. A. 2001. Raptors of the world.
Houghton Mifflin Company, New York, USA, 992pp.

ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.