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Gavião-bombachinha-pequeno
(Harpagus diodon)

Harpagus diodon (Temminck, 1823)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano
Nome popular: gavião-bombachinha

Nome em inglês: Rufous-thighed kite
Tamanho: 29-35 cm de comprimento
Habitat:
Florestas, borda de matas
Alimentação:
Répteis e invertebrados


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo Adulto. Jaraguá do Sul/SC, Novembro de 2009.
Foto:
Claudio Guimarães


Vocalização típica (A) - (gravado por: Bernabe Lopez-Lanus)

• Descrição: O gavião-bombachinha pode ser considerado uma espécie pouco conhecida no que diz respeito à sua história de vida, especialmente com relação à reprodução, hábitos alimentares e exigências ecológicas (Azevedo et al, 2006). O macho mede cerca de 29 cm e a fêmea 35, envergadura de 60cm para o macho e 70 à fêmea.

• Alimentação: Se alimenta principalmente de insetos e de pássaros pequenos. Persegue as formigas de correição para apanhar animais espantados por ela. Azevedo et al (2006) observaram o Harpagus diodon caçando insetos em vôo diversas vezes e também se alimentando de lagartixas, em uma das ocasiões, foi observado um indivíduo em uma area urbana voando e uma imbaúba, onde estava empoleirado, capturando uma libélula em vôo.

Os mesmos autores, registraram também um indivíduo em provável caça a um quero-quero (Vanellus chilensis) em Florianópolis, nesta observação o gavião saiu de uma arvoreta na borda de um descampado em direção a um grupo familiar de quero-queros, mergulhando sobre um subadulto que conseguiu fugir e que foi imediatamente defendido pelos outros indivíduos do grupo familiar. De qualquer forma ele sua alimentação predominante é insetos (Azevedo et al. 2006).

• Reprodução: Assim como a maioria das aves de rapina o gavião-bombachinha é extremamente territorial e realzia vôos repulsivos próximos a um potencial agressor, como outros gaviões maiores. São escassas as informações sobre a reprodução desta espécie, Azevedo et al. (2006) conseguiu observações das primeiras evidêndias de um comportamento de corte desta espécie. No Sul/Sudeste do Brasil, seu periodo de reprodução é geralmente nos meses de Outubro a Dezembro, periodo na qual começam a nidificar. Na imagem abaixo, um detalhe interessante observado pelo autor, é que os filhotes apresentam coloração muito semelhante a Paina produzida pela árvore, uma excelente estratégia de camuflagem (Obs. pes. Amarildo Jordão).


Ninho de Harpagus diodon. Santana de Parnaíba/SP, Novembro de 2009. Foto: Amarildo Jordão

Indivíduo Adulto. Parque Municipal das Cachoeiras - Ilhabela/SP, Março de 2009. Foto: Marcelo Dutra

• Distribuição Geográfica: Ele se distribui em todo o Brasil, Guianas, Venezuela, Bolívia, Paraguai e norte da Argentina (Sick 1997, Ferguson-Lees e Christie 2001). Em algumas áreas de sua distribuição o H. diodon foi considerado raro por pesquisadores de campo, quando os relatos foram acidentais (del Hoyo et al. 1994, Bierregaard 1995, Sick 1997). Entretanto, Anjos et al. (1997) consideraram o gavião-bombachinha comum durante longo tempo de seu estudo no Paraná, assim como Stotz et al. (1996) em sua revisão da ecologia e conservação das aves neotropicais.

• Hábitos/Informações gerais: O Gavião bombachinha pequeno, provavelmente é uma ave sedentaria. Vive nas florestas e em matas. A espécie tem sido observada tanto em áreas de floresta primária como também secundária ou em florestas deciduais, sugerindo alguma plasticidade (Willis 1976, Belton 1994, Bencke 1996, Sick 1997, Bencke e Kindel 1999). Harpagus diodon aparenta suportar ambientes alterados, mesmo próximo a cidades, utilizando postes da rede elétrica em beira de estradas como poleiro, Cecropia sp. em aberturas de forestas, visitando áreas abertas ou bordas de forestas para caçar (Azevedo et al. 2006).

• Movimentos Migratórios: O gavião-bombachinha-pequeno provavelmente realiza curtas migrações, Em Santa Catarina, registros de museu e recentes tendem a sugerir uma ocorrência sazonal no sul do Brasil. Cabanne e Seipke (2005) registraram grupos de muitos indivíduos em vôos planados ao longo das encostas do Itatiaia (RJ), comportamento que levou os autores a sugerirem um comportamento migratório. Os mesmos autores avistaram outros indivíduos na mesma área que não apresentaram o mesmo comportamento de se agregarem em bandos em vôo planado, assim como não foram considerados como migrantes. Em um trabalho sobre a biologia da espécie realizado por Azevedo et al (2006) sugerem três hipóteses: a) que alguns indivíduos permanecem em suas áreas de reprodução durante o outono e inverno, b) ou que iniciam seus movimentos mais tarde e c) teríamos duas populações de gavião-bombachinha, uma residente e outra migratória que passaria sobre as residentes.


Harpagus diodon Imaturo. Ilha Grande - Angra dos Reis/RJ. Fevereiro de 2010. Foto: Paulo Tinoco

Harpagus diodon Adulto. Maresias - São Sebastião/SP, Dezembro de 2010. Foto: Andreas Oberhuber


:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



Contato



• Referências:

ANJOS, L. ; Schuchmann, K.-L. ; Berndt, R. . Avifaunal composition, species richness, and status in the Tibagi river basin, Paraná State, southern Brazil.. Ornitología Neotropical, Alemanha, v. 8, n. 2, p. 145-173, 1997.

Azevedo M.A.G., Piacentini V.Q., Ghizoni-Jr I.R, Albuquerque J. L. B., Silva E. S., Joenck C. M., Mendonça-Lima A., Zilio F. Biologia do gavião-bombachinha, Harpagus diodon, no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 351-357 dezembro de 2006.

Belton, W. (1994) Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. São Leopoldo: UNISINOS.

Bencke, G. A. (1996) Annotated list of birds of Monte Alverne, Central Rio Grande do Sul. Acta Biol. Leopold. 18:17-42.

Bencke e A. Kindel (1999) Bird counts along an altitudinal gradient of Atlantic forest in northeastern Rio Grande do Sul, Brazil. Ararajuba 7: 91-107.

Bierregaard, R. O., Jr. 1995. The biology and conservation status of Central and South American Falconiformes: a survey of current knowledge. Bird Conservation International 5:329-345.

Cabanne, G. S. e S. H. Seipke (2005) Migration of the Rufous-thighed Kite (Harpagus diodon) in southeastern Brazil. Ornitol. Neotrop. 16: 547-549.

del Hoyo, J., A. Elliot, J. Sargutal, et. al. al. 1994. Handbook of the Birds of the World, Volume 2 . 1994. Handbook of the Birds of the World, Volume 2. Barcelona: Lynx Edicions. Barcelona: Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

T. S. Schulenberg, (Editor). Rufous-thighed Kite (Harpagus diodon), Neotropical Birds Online Ithaca: Cornell Lab of Ornithology; retrieved from Neotropical Birds Online: [http://neotropical.birds.cornell.edu/portal/species/overview?p_p_spp=120796] Acesso em Fevereiro de 2010.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

STOTZ, D.F.; FITZPATRICK, F.W.; PARKER, T.A.; MOSKOVITS, D.K. Neotropical birds. Chicago: Chicago University Press, 1996.


• Site associado:
Global Raptor Information Network (em inglês)