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Gavião-bombachinha
Harpagus diodon (Temminck, 1823)

Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano

Nome em inglês: Rufous-thighed Kite
Habitat:
Florestas, savanas e borda de matas.
Alimentação:
Répteis e invertebrados

Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco
Migrante Neotropical


Indivíduo adulto. Jaraguá do Sul/SC, Novembro de 2009.
Foto:
Claudio Guimarães

Vocalização típica (A) - (gravado por: Bernabe Lopez-Lanus)

Gavião insetívoro presente em quase todo o Brasil. É migratório, passa o verão nas florestas do sul e sudeste do país, indo para a região amazônica durante o inverno. Caça principalmente insetos, lagartixas e ocasionalmente pequenos pássaros.

• Descrição: Mede 29-35 cm de comprimento e envergadura de 60-70 cm (Del Hoyo et al. 1994). O adulto apresenta plumagem cinza na parte ventral e cinza-escuro no dorso, com calções de cor ferrugem, cera e tarsos amarelados, com íris que varia do castanho ao marrom-avermelhado. Além disso, apresenta a garganta clara com uma listra vertical escura, característica na qual serve para diferenciá-lo do gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor). O jovem apresenta peito creme salpicado de marrom, calcões ferrugíneos, dorso marrom escuro e íris mais clara, variando do amarelo ao castanho.

• Alimentação: Caça insetos, pássaros pequenos e lagartixas (Sick, 1997; Azevedo et al. 2006). Pode seguir formigas-de-correição para apanhar animais espantados por elas.

Em Florianópolis/SC, Azevedo et. al. (2006) registraram um indivíduo atacando um quero-quero (Vanellus chilensis). O gavião havia saido de uma arvoreta na borda de um descampado em direção ao grupo de quero-queros, mergulhando sobre um subadulto que conseguiu fugir. Os mesmos autores relataram o H. diodon capturando insetos em voo.

Camacho et al (2012) observaram a espécie forrageando tanajuras (Atta sp.) em revoada sobre um fragmento florestal em Cachoeiras de Macacu, RJ. Durante o evento, o H. diodon mudou seu comportamento usual de caça do tipo senta‑e‑espera para o de busca ativa. O gavião forrageava junto a outros rapinantes (Heterospizias meridionalis, Rupornis magnirostris e Milvalgo chimachima), sem nenhum comportamento agonístico registrado entre as espécies. A ausência do comportamento agonístico assim como a mudança nos comportamentos de caça e territorial, ocorreram provavelmente devido à abundância de alimento local e efêmero.

• Reprodução: São escassas as informações sobre a reprodução desta espécie. Aparentemente se reproduz nas florestas do sul e sudeste do Brasil entre os meses de outubro e dezembro (Cabanne & Roesler 2007; obs. pess. W. Menq). Constrói o ninho no alto de árvores, em forma de plataforma rasa feito de gravetos secos, colocando em média dois ovos (Cabanne & Roesler 2007).

Cabanne & Roesler (2007) observaram quatro tentativas de nidificação de H. diodon na Mata Atlântica, e todos em florestas não perturbadas. Um dos ninhos foi construído com ramos secos em uma forquilha feita por dois galhos do terço superior de uma árvore a cerca de 12 m de altura. Três dos ninhos observados continham um único jovem, e o outro possuía dois ovos, os quais eclodiram.

W. Menq (obs. pess.) observou um ninho da espécie no município de Irani/SC, sul do Brasil. O ninho, encontrado no final de dezembro de 2012, estava localizado em uma mata ciliar ao lado de uma rodovia movimentada, a BR 153. O ninho foi construído com poucos ramos verdes e gravetos localizado em uma forquilha horizontal a cerca de 7 m do solo. No ninho foi registrado um único filhote que aparentava ter aproximadamente duas semanas de vida. Um indivíduo adulto (provavelmente a fêmea), ficava grande parte do tempo empoleirado em uma árvore próxima, vigiando a área, ausentando-se apenas para caçar, e levando alimento ao filhote.

• Distribuição Geográfica: Ocorre nas Guianas, Venezuela, Bolívia até o Paraguai, norte da Argentina, e por quase todo o Brasil (Sick 1997, Ferguson-Lees e Christie 2001).

• Movimentos Migratórios: É um migrante regular, durante o período reprodutivo (novembro a fevereiro) permanece nas florestas do sul e sudeste do Brasil, se deslocando para a bacia amazônica durante o inverno (maio a agosto) (Lees & Martin, 2015).

• Hábitos/Informações gerais: Migrante regular dentro do país (Lees & Martin, 2015), pode ser encontrado em florestas, borda de matas, bosques e cerrados mais arbóreos. Aparenta suportar ambientes alterados, mesmo próximo a cidades, utilizando postes da rede elétrica em beira de estradas como poleiro, embaúbas (Cecropia sp.) em aberturas de florestas, visitando áreas abertas ou bordas de forestas para caçar, sugerindo alguma plasticidade (Willis 1976, Belton 1994, Bencke 1996, Sick 1997, Bencke e Kindel 1999; Azevedo et al. 2006). No período reprodutivo é extremamente territorial, realiza voos repulsivos próximos a um potencial agressor, inclusive contra gaviões maiores.



Adulto e filhotes no ninho.
Santana de Parnaíba/SP, Nov 2009.
Foto: Amarildo Jordão
Indivíduo jovem. Ilha Grande - Angra dos Reis/RJ. Fev 2010.
Foto:
Paulo Tinoco

Adulto e filhotes no ninho. Irani/SC, às margens da BR-153. Dez 2012.
Foto:
Willian Menq


Indivíduo adulto. Irani/SC, às margens da BR-153, Dez 2012.
Foto:
Willian Menq

Indivíduo adulto. Pq das Cachoeiras, Ilhabela/SP. Março 2009.
Foto: Marcelo Dutra
Indivíduo adulto. Maresias - São Sebastião/SP, Dezembro de 2010.
Foto:
Andreas Oberhuber

 


:: Página editada por: Willian Menq em Fev/2016. ::



• Referências:

Azevedo M.A.G., Piacentini V.Q., Ghizoni-Jr I.R, Albuquerque J. L. B., Silva E. S., Joenck C. M., Mendonça-Lima A., Zilio F. (2006) Biologia do gavião-bombachinha, Harpagus diodon, no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 351-357.

Belton, W. (1994) Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. São Leopoldo: UNISINOS.

Bencke, G. A. (1996) Annotated list of birds of Monte Alverne, Central Rio Grande do Sul. Acta Biol. Leopold. 18:17-42.

Bencke e A. Kindel (1999) Bird counts along an altitudinal gradient of Atlantic forest in northeastern Rio Grande do Sul, Brazil. Ararajuba 7: 91-107.

Bierregaard, R. O., Jr. (1995) The biology and conservation status of Central and South American Falconiformes: a survey of current knowledge. Bird Conservation International 5:329-345.

Cabanne, G. S. & S. H. Seipke (2005) Migration of the Rufous-thighed Kite (Harpagus diodon) in southeastern Brazil. Ornitol. Neotrop. 16: 547-549.

Camanho, I.; Honorato, R. S.; Fernandes, B. C.; Boechat, R. F.; Souza-Filho, C. & Kanegae, M. F. (2012) Aves de rapina diurnas forrageando tanajuras (Atta sp.) em revoada em uma paisagem fragmentada de floresta atlântica, sudeste do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia, 20(1), 19­21

Del Hoyo, J., A. Elliot, J. Sargutal, et. al. al. (1994) Handbook of the Birds of the World, Volume 2 . 1994. Handbook of the Birds of the World, Volume 2. Barcelona: Lynx Edicions. Barcelona: Lynx Edicions.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Lees, A. C. & Martin, R. W. (2015). Exposing hiden endemism in a Neotropical forest raptor using citizen science. Ibis (157) 103–114.

Schulenberg, T. S. (Editor) (2010) Rufous-thighed Kite (Harpagus diodon), Neotropical Birds Online Ithaca: Cornell Lab of Ornithology; retrieved from Neotropical Birds Online: [http://neotropical.birds.cornell.edu/portal/species/overview?p_p_spp=120796] Acesso em Fevereiro de 2010.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

 

• Citação recomendada:

Menq, W. (2016) Gavião-bombachinha-pequeno (Harpagus diodon) - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/harpagus_diodon > Acesso em: