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Harpia (Gavião-Real)
(Harpia harpyja)

Harpia harpyja (Linnaeus, 1758)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Àguias-florestais
Nome popular: Harpia / Gavião real

Nome em inglês: Harpy eagle
Tamanho: 105 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Mamíferos e Aves

Distribuição no Brasil:



Status: (NT) Quase ameaçada


Gavião-real. Foto feita nas proximidades da FAH - Alta Floresta/MT. Foto:
Rudimar Cipriani


Vocalização típica (A) - (gravado por: Bradley davis)

• Descrição: A Harpia é a maior águia encontrada no Brasil, podendo atingir até 105 cm (fêmeas) de comprimento. Os machos pesam entre 4 e 5 kg e as fêmeas entre 7,6 e 9 kg,  asas largas e arredondadas que atingem 2 m de envergadura nas fêmeas. Espécie inconfundível pelo tamanho, papo negro e robustez. Apresenta uma cabeça cinzenta com um penacho bipartido formando duas pontas negras. Manto e papo negros, peito e barriga de coloração clara. Parte inferiores das asas e calcões brancos com estrias negras. A cauda é comprida com três barras cinzas e os tarsos e garras são bem desenvolvidos, principalmente o hálux (que mede 7cm) é provido de unha muito mais forte do que as demais, permitindo a captura de mamíferos com mais do que 6 kg. Individuos imaturos não possuem o papo negro e tem a plumagem mais clara (Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001). Linnaeus cientista que a descreveu serviu-se do nome dos monstros alados da mitologia para designar a mais possante espécie de nosso país.

• Alimentação: A Harpia se desloca com agilidade surpreendente entre as copas das árvores atingindo suas vítimas em vôos rápidos. Caça por espreita, fica observando suas presas por longos períodos, o que a torna discreta e pouco notada apesar de seu grande tamanho (ICMBio, 2008; Robison, 1994). É uma espécie do topo da cadeia alimentar, a base da sua alimentação é constituída de mamíferos arbóreos, como preguiças e primatas, terrestres, como cachorros-do-mato, veados, quatis, tatus e outros. Também captura aves, como seriemas, araras e cracídeos, ou répteis, incluindo grandes lagartos (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997). Mais sobre alimentação...


Harpia com um quati nas garras. Rio Javaés - Pium/TO. Julho de 2008
Foto:
Robson Silva e Silva

• Reprodução: São monogâmicas. Faz ninho no em plataforma no alto das árvores emergentes como castanheiras, usando geralmente a primeira ramificação da árvore, de onde observa tudo ao redor. O ninho, tão grande quanto o de um jaburu, é construído com pilhas de galhos. Coloca até dois ovos que são esbranquiçados, seus ovos pesam em média 110g e o tempo de incubação é de aproximadamente 56 dias (Retting, 1978). Somente um filhote sobrevive, os primeiros vôos do filhote são dados com 141 a 148 dias de idade, mantendo-se sempre no ninho ou em galhos próximos e recebendo nesta fase alimento dos pais com menos frequência (uma vez a cada cinco dias) (Retting, 1978). O jovem mantém um período de dependência dos adultos superior a um ano, o que faz com que os casais de harpias se reproduzam a intervalos de pelo menos dois anos. Em 2 a 3 anos o individuo imaturo ja adquire a maturidade (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997).
Mais sobre reprodução...


Gavião-real no ninho, junto a seu Filhote. Foto feita nas proximidades da FAH - Alta Floresta/MT, Junho de 2009.
Foto:
Rudimar Cipriani

• Distribuição geográfica e Registros recentes: Esta espécie habita grandes florestas preservadas, ocorrendo do sul do México à Bolívia, nordeste da Argentina e todo o Brasil (Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001). É possível que muitos outros países não mais a possuam, pois a maioria das grandes florestas em que viviam está sendo totalmente destruída (Albuquerque et al, 2006).  No Brasil, já foi registrada em quase todos os Estados, com exceção de alguns na região nordeste, e a maior parte da população remanescente está atualmente concentrada na região Amazônica (Sick, 1997).

Em áreas de Mata Atlântica, os registros tornaram-se escassos nas últimas décadas, sendo considerada extinta em alguns estados, como o Rio Grande do Sul. Em Minas Gerais em 1996 um exemplar foi fotografado em Cataguases, na Zona da Mata. Em 2006 um exemplar adulto de Harpia foi registrado em vegetação de Cerrado, no municipio de Tapira, em Minas Gerais. Em Santa Catarina existem registros em Lontras e Rancho Queimado, da década de 1960, e, recentemente, na Serra do Tabuleiro (Rosário, 1996). No Paraná, o unico registro recente é datado de 2003 onde um gavião-real foi visto planando sobre a baia de guaratuba, feito por Pedro Scherer Neto. No sul do Brasil existe ainda possibilidades de ocorrência no Parque Estadual do Turvo, no RS, e no Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, devido às grandes áreas florestais e à proximidade com a floresta semidecidual de Misiones, na Argentina, onde a espécies ocorre (Chebez, 1990). Existe também uma população de Harpias no norte do Espirito Santo e Sul da Bahia (GALETTI et al. 1997). Em 2009 foi registrado pelo biólogo Flávio Kulaif Ubaid, um casal de Harpias nidificando na RPPN Sesc no Pantanal mato-grossense, no munícipio de Barão Melgaço (O ECO, 2009).
Mais sobre registros recentes no Brasil...


Registro de nidificação da Harpia harpyja na RPPN Sesc Pantanal, MT 2009.
Foto:
Flávio Kulaif Ubaid

• Hábitos/Informações gerais: A harpia (Harpia harpyja) é a maior espécie de ave de rapina da região neotropical e também considerada a mais possante do mundo (Sick, 1997). Seu canto é assobiado, forte e bem audível à distância, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos. Prefere o pouso entre a vegetação e não o topo da copa das árvores. A caçada que realiza é impressionante, especialmente quando se dispõe a capturar um macaco, pois os membros da família desses símios se apavoram e se abrigam entre os emaranhados cipoais, e fazem um vozerio de alarme bastante expressivo, notando-se os galhos das árvores balançarem  (Mikich & Bérnils, 2004; Sick, 1997; Ferguson-Lees & Christie, 2001).

Robinson (1994) estimou um território muito maior que 100 ha para o gavião-real, podendo percorrer  uma área maior do que 800 ha. Sick (1997) sugere uma migração parcial no estado do Rio Grande do Sul, pelo menos até 1968. Os registros nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina sugerem uma migraçãode indivíduos vindos, provavelmente, de Misiones, na Argentina, sendo residente a população do Espírito Santo e do sul da Bahia (Galleti et al., 1997).


Filhote de Harpia no ninho. Alta Floresta/MT.
Foto:
Fabiano Ficagna

Harpia registrada em Querência - MT. Jan 2010
Foto:
Éverton Jacomet

• Ameaças e Preservação: A exemplo de outras grandes aves de rapina, que são exclusivas de matas preservadas de consideráveis dimensões a harpia esta correndo sério risco de extinção devido a falta de habitats disponíveis para esta espécie (florestas preservadas), podem também sofrer deterioração genética em virtude da existência de poucos indivíduos nas áreas onde ainda ocorrem. Além disso, deve-se salientar que as espécies que vivem próximas a áreas habitadas sofrem com abates por parte de avicultores, com o intuito de evitar ataques à criação, o que é lamentável (Mikich & Bérnils, 2004). Sempre foi troféu cobiçado tanto por índios como por caçadores. Em aldeias indígenas (Xingu), eram mantidos em gaiolas desde filhotes para derem serem retiradas penas para ornamentos. Para os índios, a Harpia é considerada símbolo de liberdade e altivez, e em várias tribos uma harpia é mantida em cativeiro como propriedade do cacique. Quando ele morre, muitas vezes a ave também é morta ou até enterrada viva com seu dono (Sick, 1997). Dentre as principais recomendações para preservação desta espécie é a proteção em áreas com registros de nidificação; educação ambiental; estudo populacional em região de ocorrência da espécie. Estudos demográficos e monitoramento de mamíferos arborícolas de médio porte em áreas onde a espécie foi registrada.


Jovem Harpia morta em Julho de 2010 no Mato Grosso por um "morador" somente porque a mesma tinha consumido um frango velho de sua propriedade. Cena lamentável, pura "ignorância humana".
Foto: Imagem concedida pelo Biólogo Christopher Borges de Aripuanã/MT.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: CR - Criticamente em perigo (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Provavelmente extinta (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: CR - Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: CR - Criticamente em Perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: EN - Em Perigo (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: CR - Criticamente em Perigo (Simon et al, 2007).

• Pesquisas: Desde 1997 o INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia realiza o projeto gavião-real com o desafio de conhecer e conservar esta espécie na amazônia, protegendo o gavião-real de suas principais ameaças: a caça e o desmatamento. Hoje o projeto conta com a participação vários pesquisadores que monitoram mais de 40 ninhos nos estados do Amazonas, Pará, Rondônia e outros cinco ninhos no Pantanal e Mata Atlântica. Estabelecer um Programa de Conservação da espécie somente foi possível com a parceria de várias instituições e Ong nacionais e regionais. A participação ativa de comunidades que habitam a floresta no entorno das árvores com ninhos são a razão do sucesso da sobrevivência dos filhotes até serem capazes de voar e partirem em busca de outras terras. Mais sobre pesquisas...


Harpia defendendo ativamente o ninho, voando contra o pesquisador.
Foto:
Angel Muela / The Peregrine Found

• Video-documentário: Assista o video produzido pelo Globo repórter, um documentário sobre os primeiros meses de vida da Harpia, uma das mais poderosas aves de rapina do mundo. Conheça um pouco mais da vida dessa maravilhosa ave de rapina nesta produção fantástica com excelentes imagens e trilha sonora. .:: Assistir o video ::.


:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Albuquerque, J. L. B. (1995) Observations of rare raptors in southern Brazil. Journal of Field Ornithology, EUA, v. 66, p. 365-369.

Aletti, M.; Carvalho-junior, O. (2000) Sloths in the diet of a Harpy Eagle nesting in eastern Amazon. Wilson Bulletin, v. 112, n. 4, p. 535-536.

Chebez, J. C. (1990). La nidificación de la Harpia (Harpia harpyja) en Argentina. Hornero, v. 13, p. 155-158.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. (2009) Projeto Gavião Real. disponivel em: Fev de 2010 <gaviaoreal.inpa.gov.br> Acesso: Fevereiro de 2010.

Machado, A. B. M., G. A. B. da Fonseca, R. B. Machado, L. M. de S. Aguiar e L. V. Lins (orgs.) (1998) Livro vermelho das espécies ameaçadas de extinção da fauna de Minas Gerais. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004). Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: < http://www.pr.gov.br/iap > Acesso em Fevereiro de 2010

Oliveira, A. L., Silva e silva, R. (2006) Registro de Harpia (Harpia harpyja) no cerrado de Tapira, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4) 433-434.

Retting, N. L. (1978) Breeding behavior of the Harpy eagle (Harpia harpyja). Auk, v. 95, n. 4, p. 629-643.

Robinson, S. K. (1994) Habitat selection and foraging ecology of raptors in Amazonian, Peru. Biotropica, v. 26, n. 4, p. 443-158.

Srbek-Araujo, A. C.; Chiarello, A. G. (2006). Registro recente de harpia, Harpia harpyja (Linnaeus) (Aves, Accipitridae), na Mata Atlântica da Reserva Natural Vale do Rio Doce, Linhares, Espírito Santo e implicações para a conservação regional da espécie. Rev. Bras. Zool. vol.23 no.4 Curitiba.

Sick, H. (1997). Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.

Mais referências...


 
 


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