• Descrição: O gavião-saúveiro, também chamado de sovi, possui aproximadamente 34-37 cm de comprimento, pesa cerca de 190-267 g os machos, e 232-280 g as fêmeas (Marquez et al. 2005). Apresenta a cabeça e partes inferiores de cor cinza-ardósia; costas, nuca e coberteiras de cinza mais escuro. A face inferior das primárias possui uma coloração castanha-avermelhada, bem vísivel quando o gavião esta em voo. O indivíduo imaturo apresenta as partes inferiores brancas estriadas, tendo manchado também de branco o vértice. (Antas, 2005; Ferguson-Lees e Christie 2001).
• Espécies similares: Devido a sua silhueta com asas pontiagudas, pode ser facilmente confundido com os falcões do gênero Falco. É quase indêntico ao gavião-do-mississippi (I. mississippiensis), sendo o sovi mais comum no Brasil. A grandes distâncias pode ser confundido com o gavião-peneira (Elanus leucurus) e com o gavião-tesoura (Elanoides forficatus), principalmente quando pousado (obs. pess. Willian Menq).
• Alimentação: É um gavião insetívoro, 95% de sua dieta é composta por insetos. Alimenta-se de libélulas, formigas, besouros, cigarras, caramujos e outros invertebrados. Gosta de capturar formigas, cupins e outros insetos em revoadas, os quais captura com os pés e come ainda em pleno vôo, ficando virado contra o vento e meio corcunda, retirando pedaços, com o bico, do inseto pego nos pés. Também captura pequenas presas na copa da floresta e pequenos lagartos e cobras no chão. (Antas, 2005; Sick, 1997). Loures-Ribeiro et al (2003) relataram um indivíduo capturando uma pombinha (Zenaida auriculata).
• Reprodução: Reproduz-se no Pantanal, no sul/sudeste e na Amazônia. (Antas, 2005). Constroí um ninho pequeno com ramos e galhos de árvore. O mesmo ninho pode ser usado por várias vezes. Bota geralmente 1 a 2 ovos. O Periodo de incubação é de 30 a 32 dias. Ambos os pais participam na construção do ninho e incubação (Seavy et al. 1998). Durante o período reprodutivo, emite com freqüência um assobio fino e curto, um som parecendo vir de um passarinho e não de um gavião (Antas, 2005). Os pais são extremamente agressivos e territoriais, ataca qualquer intruso que se aproximar do ninho. No município de Peabiru/PR, foi visto um gavião-sauveiro dando um mergulho com as asas semi-fechadas a cerca de 80 m de altura em direção a um caracará (C. plancus) que passava a baixa altura pelo seu território, quase o atingindo. Em outra ocasião, foi observado um indivíduo adulto sair do ninho para atacar um urubu-de-cabeça-vermelha que passava a certa altura por cima da árvore do ninho (obs. pess. Willian Menq).

Casal copulando.
Goiânia/Go, Agosto de 2009.
Foto: Wagner Machado C. Lemes |

Indivíduo levando graveto ao ninho.
Tuneiras do Oeste/PR, Out 2011
Foto: Willian Menq |

Indivíduo Jovem.
Valparaíso-SP, Janeiro de 2011.
Foto: Oscar Farina Junior |
São poucos os trabalhos sobre o comportamento reprodutivo desta espécie na América do Sul. Loures-Ribeiro et al (2003) acompanharam dois ninhos da espécie no município de Maringá/PR. Os ninhos foram encontrados no ano de 2000 e 2001. Eles estavam situados em árvores diferentes, mas pertencentes à mesma espécies, canafístula (Peltophorum dubium). O primeiro ninho localizava-se a 8 m do solo em uma árvore com cerca de 15 m de altura, nele foi contastatado a presença de um unico filhote. Já o segundo ninho situava-se a 15 m de altura, em uma árvore com aproximadamente 20 m. Os pesquisadores observaram o casal construindo o segundo ninho em meados de setembro. Já no final do mesmo mês, foi observado pela primeira vez a fêmea dentro do ninho, onde provavelmente estava incubando um único ovo. No dia 10 de novembro foi visto o filhote, com plumagem clara, realizando movimentos com a cabeça próximo a borda do ninho. O filhote era alimentado pelos pais principalmente por insetos voadores. Os pais foram vistos várias vezes caçando nos arredores. Em uma das ocasiões foi relatado a captura de uma pombinha (Zenaida auriculata). O primeiro filhote (período reprodutivo de 2000) deixou o ninho por volta do dia 05 de dezembro, já o filhote do período de 2001 permaneceu so cuidado dos pais por aproximadamente 26 dias, e no início de dezembro, não foi mais avistado.
• Distribuição Geográfica: O gavião-sauveiro ocorre desde o México até a Bolívia, Brasil, paraguai e também até a Argentina (Sick, 1997).
• Hábitos/Informações Gerais: É migratório no Pantanal, sul e sudeste do Brasil, com uma população residente na Amazônia, por onde passam os migrantes em seu movimento para o norte, em abril, ou no seu retorno, em agosto. Habita bordas de florestas, capoeiras altas e florestas de galeria, pode ser visto sobrevoando queimadas para caçar. (Antas, 2005; Ferguson-Lees e Christie 2001). Vive solitário, aos pares ou mesmo em bandos, às vezes misturado a outras espécies de gaviões. Voa muito durante o dia, inclusive a grande altura, podendo ser visto compartilhando o céu cm urubu-de-cabeça-vermelha, urubu-comum e com gavião-tesoura. É muito agressivo e territorial contra outros gaviões que passam próximo ao território do ninho.

Indivíduo esticando asa.
CESC - Canoinhas/SC, Nov 2010.
Foto: Cid Espínola |

Indivíduo adulto em voo.
Campinas/SP, Setembro de 2010.
Foto: Carlos H. Carneiro |

Indivíduo adulto pousado.
Sítio da Alegria - Aracruz/ES. Set 2009.
Foto: Moysés Lima |

Indivíduo adulto. Campus do Cesumar, Maringá/PR, Out 2011.
Foto: Willian Menq |

Indivíduo adulto.
Tuneiras do Oeste/PR, Out 2011
Foto: Willian Menq |

Indivíduo adulto. Campus do Cesumar, Maringá/PR, Out 2011.
Foto: Willian Menq |
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

Contato
• Referências:
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN. Sesc: 2005
Freguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the world. Boston, New York: Houghton Miffin Company.
Loures-Ribeiro, A., Gimenes, M. R. & Anjos, L. (2003) Observações sobre o comportamento reprodutivo de Ictinia plumbea (Falconiformes: Accipitridae) no Campus da Universidade Estadual de Maringá, Paraná, Brasil. Ararajuba 11 (1): 85-87.
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005). Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
Seavy, M.E., M.D. Schulze, D.F. Whitacre, and M.A. Vásquez. (1998). Breeding biology and behavior of the Plumbeous Kite. Wilson Bulletin 110:77-85.
Sick, H.1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Nova Fronteira.
• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)