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Gavião-de-cauda-curta
Buteo brachyurus

Reprodução do Buteo brachyurus na cidade de São Paulo - SP


Autor:
Julio Amaro B. Monsalvo _______Ano: 2010

Na capital de São Paulo, Monsalvo (2010) acompanhou um casal com plumagem morfo escuro (melânico) se reproduzindo em um parque urbano da cidade desde 2008. No início de 2010, os primeiros meses de voo do filhote (que nasceu com plumagem normal) foram acompanhados. O ninho estava localizado ao lado de uma via movimentada, com grande movimentação de pessoas e veículos, mesmo assim as aves não se mostraram pertubadas, isso denota a capacidade de adaptação as áreas urbanas. A filhote já havia abandonado definitivamente o ninho na segunda semana após o primeiro voo, mas ainda passava a maior parte do dia pousada em uma árvore a cerca de 50m dali, vocalizando constantemente, e seus voos se limitavam a um raio de 100 m do ninho. Nesses voos às vezes acompanhava a mãe, e já tentava imitar suas manobras, como rasantes na copa das árvores. Também nessa fase, foi observada pela primeira vez a transferência de presa do macho (único responsável pela alimentação da família) para a filhote em pleno ar. O macho parava no ar, vocalizando e mantendo a posição apenas com sutis movimentos das asas e cauda, com a presa nas garras. Quando a filhote se aproximava voando por baixo, o pai soltava a presa e a filhote a agarrava durante a queda. No decorrer das semanas, o filhote vocalizava cada vez menos, e dedicava cada vez mais tempo a desenvolver atividades de caça. No entanto, até os 3 meses de idade ainda não fôra observada capturando nenhuma presa, ainda se mantendo a menos de 300m do ninho até os 4 meses de idade, quando deixou a área (Monsalvo, 2010).

Durante o acompanhamento do filhote nascido em área urbana de São Paulo-SP no início de 2010, foi observada uma interação agonística entre B. brachyurus e Accipiter striatus sobre a árvore onde o primeiro nidificou (Monsalvo, 2010). O B. brachyurus macho, vocalizando, aproximou-se do Accipiter striatus que sobrevoava o local, tentando expulsá-lo. Este por sua vez reagiu, desferindo uma série de rasantes sobre o B. brachyurus. O macho tentava esquivar-se dos ataques, mas, por não ser tão ágil quanto o Accipiter, não conseguia revidar e logo abandonou a disputa, afastando-se do local. Durante esse tempo, a fêmea de B. brachyurus permaneceu pousada no ninho, logo abaixo, e não teve nenhuma participação direta, apenas vocalizou. O A. striatus continuou utilizando a mesma área, e não se observaram novos encontros agonísticos entre eles posteriormente (Monsalvo, 2010). Esta observação parece sugerir que o registro histórico de Accipiter striatus como presa de B. brachyurus, oriundo da Flórida (Cottam & Knappen 1939), deve ter sido apenas um caso atípico de predação por um ornitófago especializado, e não uma forma extrema de interação agonística (Jaksic, 1985) (Monsalvo, 2010).

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