Quando caça em vôo picado em altas velocidades, a violência do impacto é de tal ordem, que muitas das aves deste modo abatidas apresentam geralmente asas partidas, contusões múltiplas, ou cortes profundos e mais ou menos extensos infringidos pelas garras do falcão em pontos vitais. São mesmo conhecidos casos em que a infeliz presa é decapitada em vôo, o que diz bem do poder deste excepcional predador (Ferguson-Lees e Christie, 2001; Sick, 1997).
Em geral os falcões peregrinos que adotam área urbana têm duas tendências na dieta:
Generalistas: predam aves menores e não necessariamente pombos, podendo consumir algumas aves de porte médio, embora sem padrão tão seletivo na dieta nem forma de uso da área para ataques;
2 Especialistas: tendem a adotar áreas que respondam mais diretamente à sua dieta, como presença maior das aves preferidas, maior vantagem na presença ou configuração dos poleiros em relação a essas aves, etc. No Brasil os peregrinos mais especialistas adotando área urbana são os que direcionam a dieta principalmente em relação à predação dos pombos. Há também falcões peregrinos especializados em predar, por exemplo, aves marinhas, como andorinhas do mar, papagaios do mar, etc. Nesse caso, o falcão sempre vai adotar áreas costeiras (para predar no caso do Brasil andorinhas-do-mar principalmente, especialmente os bandos que também migram pra cá nessa mesma época... aqui não tem papagaios-do-mar). Os falcões peregrinos, mesmo após escurecer, ainda podem continuar caçando, embora mude as presas ativas de aves para insetos voadores (mariposas e libélulas principalmente) e morcegos, especialmente se tiver iluminação artificial nas imediações, ajudando um pouco (Drummond, 2010). O pico de atividade para as investidas nos morcegos ocorre pouco antes do crepúsculo e no auge, depois que o Sol se põe, mas antes de escurecer totalmente, quando preda principalmente os morcegos molossídeos, que voam alto, retilíneos, em área aberta e antes mesmo que se inicie o crepúsculo, se tornando excelentes presas para ataques por mergulho e mesmo em linha reta, já que esses morcegos não percebem com facilidade a presença do falcão peregrino no seu encalço (Drummond, 2010).