• Descrição: Atinge de 46 a 54cm de comprimento, os machos pesam de 415-455 g e as fêmeas de 416-474 g (Márquez et al, 2005). Possui asas e cauda longa, no adulto, a cabeça cinza destaca-se da barriga e peito brancos, bem como das costas negras. A cauda, negra, possui três largas faixas brancas, sendo a mais interna menor e parcialmente escondida pelas penas do ventre. As pernas são poderosas e cinza azuladas, mesma cor da pele nua das narinas. O juvenil possui uma plumagem diferente. O alto da cabeça é escuro, com a cabeça, pescoço e barriga brancos. O dorso, embora negro como no adulto, não é uniforme e possui áreas mais claras. A pele nua ao redor das narinas, da cara e as pernas são amarelas. Nos juvenis podem ocorrer a fase escura e fase clara. Na região nordeste do Brasil, nos estados de Alagoas e Pernambuco existe o Gavião de pescoço branco Leptodon forbesi, espécie muito parecida a este, sendo até considerada por alguns autores (Foster, 1971) uma subespécie. Mas de acordo com o CBRO e com pesquisas recentes, sabe-se que o L.forbesi é uma espécie independente (CBRO, 2008; Dénes & Silveira, 2009).
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Imaturo (Fase clara da plumagem)
Foto: Leo Fukui - RJ. |
Imaturo (Fase escura da plumagem)
Foto: Leo Fukui - RJ. |
• Alimentação: A dieta desse gavião é variada, composta por larvas de insetos e insetos adultos como vespas, formigas, besouros e gafanhotos, além de ovos de aves e pequenos invertebrados, como moluscos (Hilty e Brown 1986). Ainda pode capturar com agilidade insetos em voo e até cobras e pequenos lagartos (Ferguson-Lees e Christie 2001).
• Reprodução: A maioria das informações de nidificação dessa espécie são de estudos realizados por Thorstrom (1997) na Guatemala e Carvalho Filho et al (2005) aqui no Brasil. O ninho é constuido com ramos em arvóres. Botam de 1-2 ovos brancos manchados de marrons. Com tamanho médio de 53.1 x 41.5 mm. Thorstrom e Carvalho Filho et al observaram a incubação por ambos os paiss, e os autores viram ambos os adultos entregar o alimento aos filhotes. Carvalho Filho e outros (2005) relatou três ninhos do Minas Gerais onde a construção do ninho começou em setembro, incubação começou por meados de outubro, e os jovens ficaram totalmente emplumados em novembro/dezembro do mesmo ano.
• Distribuição: O gavião-de-cabeça-cinza, Leptodon cayanensis, possui distribuição neotropical sendo encontrado do México até o Paraguai e Norte da Argentina, incluindo todo o Brasil (Ferguson-Lees e Christie 2001). No Brasil distribui-se em todo o território em regiões forestadas, fora da Amazônia é considerado pouco comum (Sick 1997), sendo que na porção central do Brasil ao norte da Argentina e Paraguai é encontrada a subespécie L. c. monachus (Thiolay 1994).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Rio Grande do Sul: CR - Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
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São Paulo: NT - Quase ameaçado (Silveira et al., 2009). |
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Rio de Janeiro: DD - Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000). |
• Hábitos/Informações Gerais: A espécie é encontrada especialmente em áreas próximas a cursos d’água incluindo florestas de galeria e bordas de matas, podendo também ser encontrada em ambientes fragmentados (Thiollay 1994, Ferguson-Lees e Christie 2001). Voa por dentro da mata, assim como pode sobrevoar a grande altura. Apesar do tamanho, movimenta-se com facilidade pela vegetação e é difícil localizá-lo. Nos vôos planados coloca-se contra o vento e bate seguidamente a ponta das asas, mantendo parado o restante.
Em algumas regiões do Brasil, como no Rio Grande do Sul, o Leptodon cayanensis é considerado criticamente ameaçado no estado, sofrendo principalmente pela acentuada redução da cobertura forestal natural e possivelmente seja afetado por efeito acumulativo de agrotóxicos em suas fontes de alimento (Bencke et al. 2003), apesar de possuir média tolerância a alterações no hábitat (Parker et al. 1996).

Usina Gurinhatã - Gurinhatã/MG, Nov 2008.
Foto: Estevão Lima

Leptodon cayanensis sobrevoando a Rebio das Perobas. Tuneiras do Oeste. 2009
Foto: Willian Menq S.
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
Contato
• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Antas, P. T. Z. Aves do Pantanal. RPPN: Sesc. 2005.
Bencke, G. A. (2001) Lista de referência das aves do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. (Publicações Avulsas FZB, 10).
Carvalho Filho, E.P.M., G.D. Mendes de Carvalho Filho, and C.E.A. Carvalho. 2005. Observations of nesting Gray-headed Kite Leptodon cayanensis in southeastern Brazil. Journal of Raptor Research 39:89-92.
CBRO (2008) Lista das Aves do Brasil - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Versão 10/02/2006. http://www.cbro.org.br/CBRO/listabr.htm (acesso em 03/03/2010).
Dénes, F. V. & Silveira, L. F. (2009) Taxonomia, distribuição e conservação dos gaviões do gênero Leptodon Sundevall, 1836 (Aves: Accipitridae). Início: 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia)) - Universidade de São Paulo, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.
Hilty, S. L. e W. L. Brown (1986) A guide to the birds of Colombia. New Jersey: Princeton University Press.
Marques, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. 2005. Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p
Parker III, T. A.; D. F. Stoltz e J. W. Fitzpatrick (1996) Ecological and distribucional databases, p. 115-417. Em: D. F. Stoltz, J. W. Fitzpatrick, T. A. Parker III, D. K. Moskovits. Neotropical Birds: Ecological and Conservation. Chicago: University of Chicago.
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Thiollay, J. M (1994) Family Accipitridae (Hawks and Eagles), p. 52-215. Em: J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal (eds.). Handbook of the birds of the world. Vol. 2. New World Vultures to Guineafowl. Barcelona: Lynx Edicions.
Thorstrom, R. 1997. A description of nests and behavior of the Gray-headed Kite. Wilson Bulletin 109:173-177.
