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Gavião-de-pescoço-branco
(Leptodon forbesi)

Leptodon forbesi (Swann, 1922)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Gaviões-milano
Nome popular: Gavião-de-pescoço-branco

Nome em inglês: White-collared Kite
Tamanho: 50 cm de comprimento
Habitat:
florestas
Alimentação:
Invertebrados e lagartos

Distribuição no Brasil:



Status:(CR) Criticamente em perigo


Leptodon forbesi fêmea adulta. Santa Rita/PB
Foto: Frederico Acaz Sonntag



Vocalização típica (C) - (gravado por: Ciro Albano)

• Descrição: Possui 50 cm de comprimento; apresenta as coberteiras inferiores das asas, brancas ao invés de negro; píleo cinza; lados do pescoço brancos; ápice das escapulares, manto e rêmiges esbranquiçados; e a cauda com uma larga faixa branca, embora alguns indivíduos apresentam duas faixas pretas na cauda. Os indivíduos com um pouco de cinza na porção superior da cabeça, apresenta também um colar nucal branco, característica típica de L. forbesi. Este colar não é observado no adulto de L. cayanensis, embora o jovem da “forma branca” possua tal colar (Pereira et al. 2006; B. Whitney com. pess. 2006).

• Taxonomia / Descrição da espécie: No final do século XVII, o ornitólogo londrino William Forbes coletou um exemplar da ave no nordeste brasileiro e a classificou como uma variante do Leptodon cayanensis, ficou assim classificada por muito tempo até que outro ornitólogo inglês, Harry Swann (1922) o descreveu como uma forma independente e batizou a nova espécie de Leptodon forbesi em homenagem ao William Forbes. Porém, este gavião ficou como ponto de interrogação por quase um século nas listas brasileiras, já que não havia um consenso na comunidade científica sobre sua existência, além das poucas informações existentes sobre a ave. Alguns autores consideram a possibilidade de que L. forbesi seja apenas uma variação do L. cayanensis (Sibley e Monroe 1990, Sick 1997, Mallet-Rodrigues 2005), haja visto que o imaturo desta espécie apresenta um bom número de variações (Brown & Amadon 1968, Foster 1971, Thiollay 1994, Ferguson-Lees & Christie 2001).

Pesquisas recentes afirmam ser um táxon independente (Dénes & Silveira, 2009; CBRO 2013). Dénes & Silveira (2009), analisaram 128 espécimes do gênero Leptodon provenientes de vários locais: do México até o Rio Grande do Sul, Brasil, com o objetivo de descrever a variação morfológica e morfométrica do L. cayanensis e testar a validade dos táxons, com especial atenção ao Leptodon forbesi. Concluiu-se que a espécie L. forbesi é um táxon válido, com base nos caracteres da coloração das penas coberteiras inferiores e da borda de ataque das asas, brancas em L. forbesi e pretas em L. cayanensis, do contraste entre a coloração ventral das rêmiges, sendo as primárias escuras e as secundárias mais claras em L. forbesi, e da coloração das penas da região do pescoço, brancas em L. forbesi e cinzas em L. cayanensis. Desta forma, L. forbesi constitui mais uma espécie endêmica do Brasil (Dénes & Silveira, 2009). Atualmente já é reconhecida pelo CBRO - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO 2013) e pela American Ornithologists' Union (2010) como táxon válido.

• Alimentação: Alimenta-se principalmente de lagartos, lagartixas, aves, insetos e pequenos mamíferos. Frederico A. Sonntag (obs. pess.) relata a captura de lagartos no solo, insetos e jovens iguanas e saguis, normalmente com atividades de caça no inicio da manhã. Também sobrevoa a floresta a procura de lagartos expostos ao sol. Mais sobre alimentação...

• Reprodução: Informações desconhecidas.


• Distribuição:
É endêmico da região nordeste do Brasil, sendo encontrado apenas nos estados de Alagoas e Pernambuco (Thiollay 1994) e Paraíba. É conhecido originalmente pelo único espécime-tipo, coletado em 1880 e depositado na coleção do British Museum of Natural History, Tring (BMNH), procedente de Pernambuco. Posteriormente, um macho e uma fêmea adultos e uma fêmea subadulta foram coletados em Alagoas e depositados no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Teixeira et al. 1987; Ferguson-Lees & Christie 2001).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita áreas florestadas na região nordeste do Brasil. Vive no alto das árvores, de onde observa seu território e localiza suas presas. Frederico A. Sonntag (Obs. pess.) relata que este gavião têm preferência por florestas onde haja rio, mas pode ser encontrado em áreas em regeneração e capoeirões maduros, como é o caso da Fazenda Cidade Viva, uma área de aproximadamente 30-50 hectares, onde já foi registrado dois casais.

Pereira et al. (2006) relataram alguns comportamentos da espécie. Os pequisadores observaram dois exemplares da espécie realizando o “voo circular coletivo” (mutual soaring), no qual um indivíduo seguia a trajetória do outro, e o “voo de borboleta” (butterfy fight) em que um dos indivíduos reduzia sua velocidade de vôo fcando quase estático enquanto mantinha as asas em posição horizontal e batia a ponta das mesmas em movimentos rápidos, porém discretos. Estes comportamentos também já foram registrados em indivíduos de L. cayanensis (Thorstrom 1997, Cabanne, 2005).

• Conservação e Registros recentes: A floresta original em sua área de distribuição foi reduzida a 1%, os maiores fragmentos que restaram estão em Pernambuco, com área de 45 km², e Alagoas de 30 km², sugerindo que a espécie está em uma situação precária (BirdLife, 2009). As ONGs locais tais como o IPMA (Instituto para a Preservação da Mata Atlântica) estão trabalhando para criar reservas em muitos fragmentos de propriedades privadas com Mata Atlântica nos estados de Alagoas e Pernambuco para proteger esta e outras espécies dependente do habitat (BirdLife, 2009). Na última lista de espécies em extinção do Ministério do Meio Ambiente (2003) este gavião não foi incluso, já que o táxon ainda era questionado na época.


Leptodon forbesi em voo. Barreiros/PE, Dez de 2007.
Foto:
Ciro Albano

Leptodon forbesi (macho), Santa Rita/PB.
Foto:
Frederico Acaz Sonntag


Leptodon forbesi registrado na Fazenda Cidade Viva - Conde/PB, Setembro de 2010.
Foto:
Frederico Acaz Sonntag

Leptodon forbesi registrado na RPPN Japungú,
Santa Rita/PB. Junho de 2011.
Foto:
Frederico Acaz Sonntag


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• Referências:

AOU - American Ornithologists' Union (2010) Check list: South America VERSION: 8 July 2010. Disponível em: < www.aou.org > Acesso em julho de 2010.

BirdLife International 2009. Leptodon forbesi. In: IUCN 2010. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2010.2. <www.iucnredlist.org>. Downloaded on 15 July 2010.

Brown, L. e D. Amadon (1968) Eagles, Hawks and Falcons of the World. New Cork: McGraw-Hill

Cabanne, G. S. (2005). Observaciones sobre los vuelos de exhibición de tres milanos de la selva atlántica: El milano cabeza gris (Leptodon cayanensis), el milano plomizo (Ictinia plumbea) y el milano de corbata (Harpagus diodon). Orn. Neotrop. 16: 197-204.

CBRO (2013) Lista das Aves do Brasil - Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. http://www.cbro.org.br/CBRO/listabr.htm (acesso em 03/03/2014).

Dénes, F. V. & Silveira, L. F. (2009) Taxonomia, distribuição e conservação dos gaviões do gênero Leptodon Sundevall, 1836 (Aves: Accipitridae). Início: 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas (Zoologia)) - Universidade de São Paulo, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. Boston – New York: Houghton Miffing Company.

Foster, M. S. (1971) Plumage and behaviour of a juvenile Gray-headed Kite. Auk 88: 163-166.

GRIN - Global Raptor Information Network. 2010. Species account: White-collared Kite Leptodon forbesi. Downloaded from http://www.globalraptors.org on 8 Mar. 2010

Mallet-Rodrigues, F. (2005) Táxons de aves de validade questionável com ocorrência no Brasil. I – Introdução e lista geral. Ararajuba 13: 210-211.

MMA - Ministério do Meio Ambiente (2003) Instrução Normativa MMA de 27 de maio de 2003. http://www.mma.gov.br (acesso em 05/03/2010).

Pereira, G. A., S. M. Dantas & M. C. Periquito (2006) Possível registro de Leptodon forbesi no Estado de Pernambuco, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14(4):441-444.

Roda, S. A.; Pereira, G. A. Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais do Centro Pernambuco. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 331-344, 2000.

Siblei, C. G. e B. L. Monroe (1990) Distribution and Taxonomy of Birds of the World. New Haven & London: Yal University Press.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.

Swann, H. K. (1922) Synopsis of the Accipiters (Diurnal Birds of Prey). Londres: Wheldon e Wesley

Teixeira, D. M., J. B. Nacinovic e F. B. Pontual (1987a) Notes on some birds of northeastern Brazil 2. Bull. Brit. Orn. Club. 107: 151-157.

Teixeira, D. M., J. B. Nacinovic e F. B. Pontual (1987b) Sobre a redescoberta do Leptodon forbesi (Swann, 1922) no Nordeste do Brazil, p. 148. Em: Resumos 14º Congresso Brasileiro de Zoologia. Juiz de Fora: Sociedade Brasileira de Zoologia.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)