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A quase extinta Mata-de-Araucária


Araucária isolada na paisagem. Foto: Willian Menq S.

A Floresta com Araucária conhecida também como Floresta Ombrofila Mista esta inserida no bioma da Mata Atlântica, esse tipo de vegetação localiza-se no sul do Brasil, estendendo-se pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa floresta caracteriza-se pela presença da araucária (Araucaria angustifolia) espécie endêmica de nosso país, o que aumenta a responsabilidade de sua preservação. É uma árvore bonita, cujas copas dão um destaque especial à paisagem. Essa espécie chega a viver até 700 anos, alcançando diâmetros de dois metros e até 50 metros de altura. É uma espécie ameaçada de extinção que ainda continua sendo explorada ilegalmente, devido a boa qualidade da madeira. Calcula-se que do ano de 1930 até hoje, cerca de 100 milhões de árvores da espécie foram derrubadas, deixando a araucária a beira da extinção.

Essa floresta abriga varias espécies de animais e vegetais que encontram igualmente ameaçadas de extinção, como a jacutinga (Pipile jacutinga), o macuco (Tinamus solitarius) e espécies endêmicas totalmente dependentes deste habitat e importantes na dispersão de sementes como é o caso da Gralha-Azul (Cyanocorax caeruleus) e do papagaio charão (Amazona pretrei). Dentre a vegetação ameaçada de extinção, encontra-se a canela sassafrás (Ocotea pretiosa), a canela-preta (Ocotea catarineneses) e a imbuia (Ocotea porosa) e plantas como o xaxim (Alsophila setosa).


Gralha Azul Cyanocorax caeruleus, Lages - SC, junho de 2006.
Foto:
James Faraco Amorin

A situação atual para a fauna, traz como conseqüência, a perda de habitat, a redução e isolamento de populações de espécies selvagens, dificultando o fluxo gênico, podendo causar perda da biodiversidade e a extinção de espécies, além de muitas outras conseqüências negativas, como o distúrbio do regime dos rios das bacias hidrográficas.

A Usina Hidrelétrica Barra Grande, construida no rio Pelotas, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, destruiu cerca de 8 mil hectares de floresta, sendo 2.500 de mata nativa. a Região continha espécies raras de aves de rapina como o Spizaetus ornatus, Spizaetus melanoleucus, Harpyhaliaetus coronatus, Morphnus guianensis, etc. Essa barragem foi autorizada com base em um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) irregular, pois afirmava que na área do futuro lago não havia floresta. Em Santa Catarina, as principais causas de desmatamento, é a exploração madeireira por meio de planos de manejo autorizados por órgãos governamentais; a expansão de monoculturas de pinus e eucaliptos; a instalação de assentamentos rurais em área de floresta e a expansão de atividades agropecuárias em pequenas, médias e grandes propriedades. No Paraná o reflorestamento com Pinus é a maior ameaça ao pouco que resta das araucárias no estado.

No geral, as principais ameaças aos remanescentes florestais que ainda restam são: a extração de madeira, a supressão da floresta via queimadas, a substituição da cobertura florestal nativa por reflorestamento de exóticas (como o Pinus elliottii), pressão urbana e ocupação de terras por movimento sociais.


Desmatamento ilegal em Floresta com Araucária flagrado por ambientalistas catarinenses no município de Ponte Serrada (SC), em novembro de 2002.
Foto:
Wigold B. Schäffer

As instituições nacionais e internacionais, pesquisadores e ambientalistas alertam há décadas sobre a descaracterização "para não dizer a quase destruição" da floresta com araucária no Brasil. Até o momento, nada de efetivo foi realizado para reverter essa drástica situação, de modo que continua ocorrendo impunemente a degradação de um recurso natural que impulsionou a economia paranaense durante décadas.

Texto de: Willian Menq S.
Publicado em: Dezembro de 2008.


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