Texto de: Willian Menq 
A floresta com araucária conhecida também como Floresta
Ombrofila Mista, está inserida no Bioma da Mata Atlântica,
esse tipo de vegetação ocorre principalmente no sul do Brasil,
nos estados do Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. Atualmente a mata-de-araucária encontra-se quase extinta, existindo apenas alguns poucos remanescentes de dimensões consideravéis nestes Estados. Essa floresta caracteriza-se pela presença
da araucária (Araucaria angustifolia) espécie endêmica
de nosso país, o que aumenta a responsabilidade de sua preservação. É uma árvore
bonita, cujas copas dão um destaque especial à paisagem.
Essa espécie chega a viver até 700 anos, alcançando
diâmetros de dois metros e até 50 metros de altura. É uma
espécie ameaçada de extinção que ainda
continua sendo explorada ilegalmente, devido a boa qualidade da
madeira. Calcula-se que do ano de 1930 até hoje, cerca de
100 milhões de árvores da espécie foram derrubadas,
deixando a araucária a beira da extinção.
Essa floresta abriga varias espécies de animais e vegetais
que encontram igualmente ameaçadas de extinção,
como a jacutinga (Pipile jacutinga), o macuco (Tinamus solitarius)
e espécies endêmicas totalmente dependentes deste
habitat e importantes na dispersão de sementes como é o
caso da Gralha-Azul (Cyanocorax caeruleus) e do papagaio charão
(Amazona pretrei). Dentre a vegetação ameaçada
de extinção, encontra-se a canela sassafrás
(Ocotea pretiosa), a canela-preta (Ocotea catarineneses) e
a imbuia (Ocotea porosa) e plantas como o xaxim (Alsophila
setosa).
A situação atual para a fauna,
traz como conseqüência,
a perda de habitat, a redução e isolamento de
populações
de espécies selvagens, dificultando o fluxo gênico,
podendo causar perda da biodiversidade e a extinção
de espécies, além de muitas outras conseqüências
negativas, como o distúrbio do regime dos rios das bacias
hidrográficas.
A Usina Hidrelétrica Barra Grande,
construida no rio Pelotas, na divisa entre Santa Catarina e
Rio Grande do Sul, destruiu cerca
de 8 mil hectares de floresta, sendo 2.500 de mata nativa.
a Região
continha espécies raras de aves de rapina como o Spizaetus
ornatus, Spizaetus melanoleucus, Harpyhaliaetus coronatus,
Morphnus guianensis, etc. Essa barragem foi autorizada com
base em um Estudo
de Impacto Ambiental (EIA) irregular, pois afirmava que na área
do futuro lago não havia floresta. Em Santa Catarina,
as principais causas de desmatamento, é a exploração
madeireira por meio de planos de manejo autorizados por órgãos
governamentais; a expansão de monoculturas de pinus
e eucaliptos; a instalação de assentamentos rurais
em área
de floresta e a expansão de atividades agropecuárias
em pequenas, médias e grandes propriedades. No Paraná o
reflorestamento com Pinus é a maior ameaça ao
pouco que resta das araucárias no estado.
No geral, as principais ameaças aos remanescentes florestais
que ainda restam são: a extração de madeira,
a supressão da floresta via queimadas, a substituição
da cobertura florestal nativa por reflorestamento de exóticas (como o Pinus elliottii), pressão urbana e ocupação
de terras por movimento sociais. As instituições nacionais e internacionais,
pesquisadores e ambientalistas alertam há décadas
sobre a descaracterização "para
não dizer a quase destruição" da
floresta com araucária no Brasil. Até o momento,
nada de efetivo foi realizado para reverter essa drástica
situação,
de modo que continua ocorrendo impunemente a degradação
de um recurso natural que impulsionou a economia paranaense
durante décadas.
No Estado do Paraná, o govervo federal criou em 2006 a "Reserva Biológica das Araucárias", com objetivo de preservar o pouco que resta da nossa arvore símbolo do Estado. A Rebio das Araucárias com 16.400 ha é a maior área remanescente de floresta com araucárias com potencial de conservação deste tipo de vegetação no Paraná. Abriga espécies ameaçadas de extinção e sítios arqueológicos. No interior da área estão importantes mananciais, além de significativas áreas de várzea, campos úmidos e florestas de galeria. A Reserva Biológica das Araucárias está situada na região dos municípios de Imbituva, Ipiranga e Teixeira Soares. Com a sua transformação em unidade de conservação, o governo garante a proteção de um dos principais remanescentes de araucárias e várzeas, dois dos ecossistemas mais ameaçados do país. Ela está dividida em cinco áreas e compreende aproximadamente 15 mil hectares. Esse é o maior e o último fragmento de araucária no estado que ainda não estava protegido”, comenta Mauricio Savi, biólogo do Ministério do Meio Ambiente. Sem dúvida a criação desta e outras unidades de consevação no Paraná e outros estados do sul do país é de fundamental importância para preservamos o pouco que resta deste raro tipo vegetacional.

Remanescente de Mata-de-araucária no norte do PR. Foto: Willian Menq |

Mata de Araucária no ParNa de Aparados da Serra. Foto: Willian Menq |