As Aves de Rapina ameaçadas de extinção no Brasil

Águia cinzenta em voo, espécie na categoria ameaça da extinção. Foto: Andréw Capdevielle, Coordenador do PCRAR [Proyecto de conservacion y rescate de aves rapaces]
Texto de: Willian Menq 
O Brasil, conhecido pela sua elevada biodiversidade, nos ultimos anos com a expansão das cidades, aumento das demandas agropecuárias e intensificação das atividades humanas, têm gerado forte pressão sobre as áreas naturais dos diversos biomas do país colocando várias espécies de nossa fauna em risco de extinção. As aves de rapina por serem predadoras, são animais naturalmente raros, cujas necessidades de habitat os obrigam a ocupar vastos territórios.
De acordo com o último plano de ação do ICMBio para conservação das aves de rapina, a lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção apresenta 3 aves de rapina na categoria de “ameaçadas” são elas: Leucopternis lacernulatus, Circus cinereus e Harpyhaliaetus coronatus. 4 espécies na categoria de “quase ameaçadas” (Morphnus guianensis, Harpia haryja, Leucopternis polionotus e Spizaetus tyrannus). Além de 11 na categoria de "dados insuficientes".

A esquerda Gavião-pombo-pequeno (L.lacernulatus) Foto: Ruy Salaverry, a direita Águia-cinzenta Foto: Marcelo Barreiros. Ambas espécies estão listadas na categoria "Ameaçadas".
As espécies da categoria "ameaçadas" possuem distribuição bastante esparsa no Brasil, sendo uma exclusiva da Mata Atlântica como é o caso do gavião-pombo-pequeno (L. lacernulatus) encontrado principalmente em floresta de baixada; uma em bioma de Cerrado que é o caso da águia-cinzenta (H. coronatus), com pequena parte da distribuição em região de caatinga, no nordeste, e Mata Atlântica de interior, a sudoeste e sul; e a terceira espécie em áreas alagadas da região Sul, que é o gavião-cinza (C. cinereus). O gavião-pombo-pequeno (L. lacernulatus) é endêmico da Mata Atlântica, tal espécie parece ter preferência pelas florestas de baixa altitude justamente o tipo de vegetação que mais degradado.
A águia-cinzenta (H. coronatus) tem como principal ameaça a descaracterização de seu hábitat preferencial, os campos naturais e as paisagens associadas, como o Cerrado e as vegetações rupestres. Além disso, outra ameaça verificada é o abate indiscriminado de indivíduos, uma vez que essas águias eventualmente predam animais domésticos e, dessa forma, são consideradas prejudiciais, em particular para a avicultura. O gavião-cinza (C. cinereus) ocorre da Colômbia e Equador até a Terra do Fogo e Ilhas Malvinas. No Brasil é considerado raro e pode ser encontrado nos Estados do Rio Grande do Sul, onde há registros de nidificação, e, esporadicamente, em Santa Catarina e Paraná. É um gavião típico de áreas abertas, particularmente regiões pantanosas, alagadiças e restingas, habitats nas quais vem sendo substituido por plantações de arroz e açudes, sendo essa perda de habitat a principal ameaça ao gavião.
Na categoria de "quase ameaçadas" foram incluídos M. guianensis (gavião-real-falso) e H. harpyja (harpia), originalmente com ampla distribuição no Brasil, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica, mas, atualmente, com diferentes status de conservação, em ambos os biomas. Se considerarmos apenas a Mata Atlântica, as duas espécies poderiam ser consideradas como ameaçadas devido às baixas populações existentes. As outras duas espécies na categoria de "quase ameaçadas" é o L. polionotus (gavião-pombo-grande) e a subspécie S.tyrannus tyrannus (gavião-pega-macaco) ambas pertencem à Mata Atlântica, enfrentando os problemas de fragmentação do bioma. Em alguns locais no interior do país as aves de rapina são caçadas tanto para alimentação como por esporte, as vezes para a obtenção de troféus. O gavião-pombo-grande (Leucopternis polionotus) assim como o L. lacernulatus, é endêmico de Mata Atlântica podendo ser encontrado no Brasil, nordeste da Argentina (Misiones) e Paraguai, a ave também sofre com a fragmentação do habitat.
Na categoria "deficiente de dados", com 11 espécies, são detectadas carências de estudos taxonômicos como o caso de Leptodon forbesi, mas a principal deficiência é a falta de estudos quanto à distribuição e abundância, que pode colocar algumas aves dessa lista como ameaçadas. Ha também espécies não inclusas nesta categoria como é o caso do recém-descoberto caburé-do-pernambuco (Glaucidium. mooreorum) que exige maior atenção, com poucos registros na natureza e com habitat altamente fragmentado. O gavião-de-pescoço-branco (L. forbesi) considerado um táxon válido, é uma das espécies brasileiras com distribuição mais restrita, conta apenas com pouquissimos registros no nordeste do país. Algumas espécies de corujas também estão na categoria "deficiente de dados" elas possuem registros escassos devido principalmente ao hábito noturno, o qual dificulta o seu encontro além da escassez de pesquisadores dedicado ao grupo.
No geral, todas espécies ameaçadas de extinção seja nacionalmente ou regionalmente, estão ameaçadas principalmente pela descaracterização e redução dos habitats em função do desmatamento para expansão humana. Proteção da espécie e seu habitat é portanto a medida principal para assegurar a existência das aves de rapina, as ações devem buscar a integração de mosaicos de áreas protegidas, evitando o isolamento excessivo, e levando em consideração as áreas do entorno da unidade de conservação. Além disso, promover estudos que possibilitem a geração das informações necessária para a categorização do grau de ameaça em que as espécies se encontram, em especial mudanças na área de ocorrência alterações de tamanhos populacionai existência de fatores que possam causa reduções populacionais ou de áreas de ocorrência das espécies. A educação ambiental também é necessária para garantir a preservação por parte das pessoas e minimizando o tráfico ilegal, caça indiscriminada e destruição dos habitats. Vale lembrar que conservação das aves de rapina assegura a proteção direta de várias outras espécies de animais, ameaçadas ou não.

A coruja-preta Strix huhula, é categorizada como "dados insuficientes", trata-se de uma espécie muita rara e pouco conhecida, pela escassez de dados é dificil apontar o grau de ameaça dessa espécie.
Foto: Beto vieira, Itapoá - SC.
Publicado em: 26 de Março de 2010.
Bibliografia: Todas as informações científicas contidas nesse texto retirei das respectivas fichas das espécies citadas desse mesmo site, portanto as referências bibliográficas esta na página das espécies.
