Aves de rapina: dieta e comportamento de caça

Gavião-carijó (Rupornis magnirostris) alimentando-se de um pombo. Peabiru/PR, Jan 2009.
Foto: Willian Menq
Texto de: Willian Menq 
A maioria das espécies de aves de rapina é exclusivamente carnívora, no entanto, existem algumas que ocasionalmente, comem frutos como é o caso do gavião-tesoura. Artrópodes são consumidos por uma ampla gama de rapinantes. Algumas águias possuem adaptações que permitem capturar peixes de água doce e até mesmo marinhos. Anfíbios, lagartos e serpentes constituem itens alimentares, pelo menos ocasionalmente, de mais de 30% das espécies brasileiras. Um grande número de espécies consome pequenos mamíferos, principalmente roedores.
No Brasil, a maioria das espécies dão preferência
por artrópodes, como gafanhotos, besouros e aranhas, e
também por roedores, anfíbios, répteis e
aves. Spizaetus e alguns falcões apanham morcegos, alguns gaviões do gênero Buteo caçam cobras, mesmo as venenosas. Algumas espécies
são malacófagas, como é o caso dos Rostrhamus e Helicolestes que se alimenta unicamente de caramujos, Buteogallus
aequinoctialis que se alimenta de carangueijos, e o Chondrohierax em relação a caracóis. As Águias
Pesqueiras (Pandion haliaetus) se especializaram na captura de
peixes. O Gavião pernilongo (Geranospizia) Possuem pernas
longas e uma articulação intertarsal mais móvel,
capaz até de se dobrar para trás, sendo especializado
na exploração de cavidades de troncos de árvores, buracos e fendas.
Varias espécies de gaviões se aproveitam das queimadas
para capturar animais espantados ou mortos pela queimada, como é o caso do gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis).
Algumas espécies florestais (Spizaetus ornatus; Harpagus; Ictinia;
Accipiter; Leucopternis; etc) procuram formigas de correição
para caçar animais afugentados
por elas. As espécies necrófagas como os urubus
procuram sempre carcaças para se alimentar, tendo
um papel sanitário
de extrema importância na natureza evitando até na
propagação de doenças.
Em geral os gaviões
caçam apenas algumas horas
por dia, se dedicando o resto de seu tempo para vôos
de reconhecimento de território, monitoramento da área e ficam pousados
em lugares estratégicos vigiando os arredores. Os Polyborus,
Milvago e Datrius são aves de rapina onívoras
e oportunistas, os caracarás costumam forragear percorrendo o solo, atrás de artródopes,
filhotes de aves e de cadáveres, comem também
alguns tipos de frutas.
As corujas se alimentam também
de insetos (gafanhotos, baratas, besouros) mesmo as corujas
grandes como a Pulsatrix.
Espécies Grandes e possantes (Bubo, Asio, Pulsatrix) caçam
morcegos, roedores, lagartos e rãs. Além da visão
aguçada, as corujas utilizam-se também da audição
para a caça, possuindo discos faciais e penas almofadadas
para não causar turbulência durante o voo. Uma Tyto
alba por exemplo é capaz de capturar um roedor na completa
escuridão através do som que o roedor emite ao
andar no solo.
As aves de rapina geralmente não bebem água, absorvem
ela através das presas. As espécies predadoras, possuem potente vôo, capazes
de arranques rápidos, são dotadas de garras
afiadas na qual usam para a captura de presas e para rasgar
e dilacerar
a carne de suas vitimas.
Os
Principais Métodos de Caça:
Vôo Planado: As aves de rapina que caçam em vôo
planado, possuem asas largas e estreitas para planarem com eficiência (Buteo, Rupornis, Buteogallus, etc). Voam a grande altura se
aproveitando das correntes de ar quente para pegarem altitude.
Quando localizam a presa no solo, voam em direção a ela
perdendo altitude com as asas semi-fechadas e mergulham sobre o animal capturando a presa contra o chão com
suas garras afiadas.

Vôo Batido: O vôo batido é muito rápido
em distâncias curtas, para este tipo de caça requerem
vôos curtos poderosos e rápidos. Geralmente ficam
a espreita de um galho ou qualquer outro poleiro de onde se laçam
sobre a presa para capturá-la (no solo, na água,
ou em vôo) geralmente
surpreendem a presa. Aves de rapina como Spizaetus, Harpia, Accipiter, Micrastur possuem asas curtas e redondas e cauda longa, aerodinâmica especializada para facilitar as manobras dentro da mata fechada.

Vôo Peneirado: Algumas espécies como o Gavião
peneira (Elanus leucurus) caçam em campos abertos, terrenos
baldios, etc., utilizam essa técnica de “pairar” no
ar quando o ambiente falta pousos elevados. O Circus, Pandion,
Falco sparverius e algumas outras espécies também peneiram.

Vôo Picado: Aves de rapina como os falcões possuem
asas estreitas e fechadas, cauda média, conjunto especializado
na velocidade. Perseguem e capturam aves em pleno vôo,
procurando sua vitima voando ativamente, lançando então
para uma perseguição ou se atirando em grandes
picados pelo céu descendo a grande velocidade com as asas
semifechadas e pequenos intervalos de batida de asas para aumentar
a velocidade, capturando violentamente a vitima em vôo,
(O falcão peregrino por exemplo, pode ultrapassar 250
km/h em vôo picado) Utilizam-se somente das garras para
a captura da vitima na qual é rapidamente morta com o
aulíxio de um golpe que lhe secciona na espinha dorsal, ou às
vezes a vitima é morta só com o impacto do golpe.


Bibliografias consultadas:
Boyer and Hume. 1991. "Owls of the World". BookSales Inc.
Brown L. e Amadon, d. (1989). Eagles, hawks and falcons of the world,
v. 1. Secaucus: The Wellfleet Press.
Fegurson-Lees, J.; Christie, D. A. 2001. Raptors of the world.
Houghton Mifflin Company, New York, USA, 992pp.
ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro:
Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.