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Gavião-real-falso
(Morphnus guianensis)

Morphnus guianensis (Daudin, 1800)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais
Nome popular: gavião-real-falso
Outros Nomes: Uiraçu-falso
Nome em inglês: Crested Eagle
Tamanho: 71-89 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Aves e serpentes.


Distribuição no Brasil:



Status: (VU) Vulnerável

Highslide JS
Indivíduo adulto. Paranaíta-MT, Janeiro de 2012
Foto: Christopher Borges


Vocalização de chamado - (gravado por: Jarol Fernando Vaca)

• Descrição: Mede de 71-89 cm de comprimento com peso de 1275 g (macho) e 1750-1948 g (fêmea), (Bierregaard & Kirwan 2015). A cor da plumagem varia entre indivíduos, havendo exemplares adultos de dois tipos básicos, forma clara e forma escura (melânica), em todas as formas, no entanto, é possível notar o penacho negro no alto da cabeça. Adulto (forma clara): apresenta dorso marrom-acinzentado, partes inferiores cinza-claro com finas barras bege-claro, cabeça e pescoço cinza-claro com uma notável máscara negra; cauda longa com três faixas cinzas. Adulto (forma escura): padrão pouco comum, é totalmente preto, com finas estrias brancas no ventre e cauda barrada. Jovem: apresenta a cabeça e partes inferiores esbranquiçadas e parte superiores cinza-claro (Márquez, et al., 2005). Conhecido também por uiraçu-falso, falsa-harpia, gavião-real-falso.


• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Regionalmente Extinto (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Provavelmente extinta (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al. 2009).
  Minas Gerais: Criticamente em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Criticamente em perigo (Alves et al. 2000).
  Espírito Santo: Criticamente em Perigo (Simon et al. 2007).
  Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Ignis, 2008).

• Alimentação: Caça aves grandes como jacus e jacamins, serpentes e pequenos mamíferos, como macacos e esquilos (Sick, 1997; Bierregaard & Kirwan 2015). Caça a partir de um poleiro, executa longos voos entre a densa folhagem das copas das árvores no interior da floresta, capturando macacos e outros primatas. Também empoleira-se próximo de árvores de frutificação para capturar as aves que ali frequentam (Sick, 1997).

As serpentes estão presentes em grandes quantidades em muitos trabalhos sobre a alimentação da espécie (ICMBIO, 2008). Bierregaard (1984) observou principalmente répteis na alimentação de filhotes, enquanto Robinson (1994) registrou exclusivamente macacos. Sanaiotti durante a visita a um ninho ativo encontrou pequenos marsupiais, cobras e aves de rapina.

Bierregard (1984) relata predação de pequenos mamíferos e marsupiais, serpentes (Colubridae e Boidae), jupará (Potus flauvus), anfíbios anuro, além de um ataque, sem sucesso a um grupo de jacamim-de-costas-cinzentas (Psophia crepitans). Há registros de predação contra macacos (Pithecia pithecia) (Gilbert, 2000), jovem macaco-aranha (Ateles paniscus) (Julliot, 1994), saguis (Saguinus geoffroyi), esquilos (Scirurus sp.) e filhote de preguiça de três dedos (Bradypus variegatus) (Vargas et al.,2006). Trail (1987) observou um ataque sem sucesso sobre galo-da-serra (Rupicola rupicola).

• Reprodução: Os ninhos são construídos a cerca de 30 m do solo e podem ser reutilizados durante vários períodos reprodutivos. Coloca de 1 a 2 ovos entre setembro a dezembro, não há registros de sobrevivência de mais de um filhote por ninhada. O tempo de incubação é estimado entre 40 e 50 dias e durante esse período o macho fica responsável de providenciar todo o alimento necessário para si e para a fêmea (Mikich & Bernils, 2004). Sanaiotti (in litt.) observou dois ninhos e ambos tinham seus filhotes prontos para voar em junho de 2007. O ninho possui menor porte que o de H. harpyja, de 1,1 a 1,3 metros de diâmetro e sem o uso de árvores emergentes.

Bierregaard Júnior (1984) acompanhou um ninho próximo de Manaus/AM, mas não pôde registrar o desenvolvimento do filhote devido ao seu desaparecimento (provável perda da cria para predadores ou morte dos adultos por caçadores). O ninho observado por Bierregaard (1984) no período de março a junho levou o autor a inferir que a incubação pode ser de 40 a 50 dias, sendo a postura feita entre meados de fevereiro e meados de março, no pico da estação de chuva.

• Distribuição Geográfica: Existia em grande parte do Brasil, podia ser encontrado na floresta Amazônica e Mata Atlântica, mas com a eliminação da vegetação, principalmente na Mata Atlântica, sua população tem-se reduzido consideravelmente, havendo somente populações ao norte do país e nos grandes remanescentes atlânticos. Podia ser registrado também na América Central, a partir da Guatemala e Belize; em terras baixas, a oeste dos Andes na Colômbia e Equador; no sul do Paraguai e nordeste da Argentina.

• Hábitos/Informações Gerais: Habita as florestas primárias e secundárias da América Central e América do Sul, sendo encontrado em altitudes que vão desde o nível do mar até acima dos 1.000 m. Vive solitariamente ou em pares, passando boa parte do tempo imóvel, oculto em um poleiro alto de onde procura suas presas (Sick, 1997; Ferguson-Less & Christie, 2001). Segundo alguns autores existem poucos estudos moleculares para justificar a manutenção do gênero Morphnus como um gênero distinto de Harpia. É considerada mais raro que o gavião-real (Harpya harpyja) (Fergunson-Lee et al. 2001), mas isso pode ser uma questão de detecção diferenciada entre as espécies pelos observadores (obs. pess. Jorge Albuquerque).

• Registros recentes e status populacional: Atualmente conta com populações consideráveis na região amazônica, onde ainda há grandes áreas contínuas de florestas úmidas, sendo raríssimo no restante do Brasil (Sick, 1997; Ferguson-Less & Christie, 2001). Registros recentes na Mata Atlântica são escassos. Zorzin et al. registraram um casal na Serra do Caparaó, MG em 1997, e Olmos et al. registraram alguns indivíduos no Amazonas (citados em: Albuquerque et. al. 2006). Albuquerque et al. (2006) registraram dois indivíduos no município de Grão Pará/SC, provavelmente um casal. A espécie é considerada extinta no Rio Grande do Sul e no Paraná (Bencke et al. 2003). No museu da USP existe um único exemplar coletado em São Paulo, no município de Apiaí, mas sem data de coleta (ICMBio, 2008).

• Ameaças e Conservação: O M. guianensis se enquadra no grupo de aves de rapina de grande porte estritamente florestais, que necessitam de extensas áreas de vegetação primária ou pouco modificada para sobreviver, incluindo a disponibilidade de itens alimentares (vertebrados de médio porte) e de sítios adequados para reprodução e abrigo. A alteração e a erradicação do habitat é um dos principais motivos do desaparecimento da espécie em vários trechos de Mata Atlântica no país (Mikich & Bernils, 2004). Além disso, pode-se mencionar que ataques fortuitos deste rapineiro a animais de criação acabam por estimular abates, os quais, ainda que pontuais, colaboram com o declínio desta espécie (Mikich & Bernils, 2004; ICMBio, 2008).



Macho adulto (forma clara)
em voo sobre a floresta.
Foto: Andrew Whittaker

Indivíduo adulto. Paranaíta-MT, Janeiro de 2012
Foto: Christopher Borges

Indivíduo adulto (melânico).
Rio Approuague. Guiana francesa, Agosto 2011. Foto:
Johann Tascon


Fêmea adulta no ninho. Manacapuru/AM, Agosto de 2010.
Foto:
Felipe Bittioli R. Gomes

Fêmea adulta.
Manacapuru/AM, Agosto de 2010.
Foto:
Felipe Bittioli R. Gomes

Indivíduo jovem. Manacapuru/AM, Novembro de 2014.
Foto: Isabela R. Alves


:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2015. ::



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• Referências:

Albuquerque, J. L. B.; Ghizoni-Jr, I. R.; Silva, E. S.; Trainnini, G.; Franz, I.; Barcellos, A.; Hassdenteufel, C. B.; Arend, F. L.; Martins-Ferreira, C. (2006) Águia cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) e o gavião-real-falso (Morphnus guianensis) em Santa Catarina e Rio Grande do Sul: Prioridades e desafios para sua conservação. Revista Brasileira de Ornitologia, 14 (4): 411-415

Albuquerque, J.L.B. (2000) Avifauna da Floresta Atlântica do sul do Brasil: conservação atual perspectivas para o futuro, p.273-285. Em: M. A. Alves, J. M. C. Silva, M. Van Sluys, H. G. Bergallo e C. F. D. Rocha (eds) A Ornitologia no Brasil: pesquisa atual e perspectivas. Rio de Janeiro: Editora UERJ.

Albuquerque, J.L.B. (1983) Sobre la presencia de Harpyhaliaetus coronatus y Morphnus guianensis en el sudeste de Brasil y recomendaciones para la conservacion de lãs espécies mediante el mantenimiento de su médio ambiente natural. El Hornero 12: 70-73.

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Bencke, G. A.; C. S. Fontana, R.A. Dias, G. N. Maurício e J. K. F. Mähler Jr. (2003) Aves, p. 189-479. Em: C. S. Fontana; G. A. Bencke e R. E. Reis (orgs.) Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EDIPUCRS.

Bierregaard-Jr, R.O. (1984) Observations on the nesting biology of theGuiana Crested Eagle (Morphnus guianensis). Wilson Bulletin 96:1-5.

Bierregaard, R.O., Jr & Kirwan, G.M. (2015). Crested Eagle (Morphnus guianensis). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.) (2015). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. 

Drummond, G.; Machado, A. B. M.; Martins, C. S.; Mendonça, M. P. e Stehann, J. P. (2008) Listas das Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Gilbert, K.A. (2000) Attempted predation on a White-faced Saki in the Central Amazon. Neotropical Primates 8:103-104.

ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: ICMBio, 2008. 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

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Julliot, C. (1994) Predation of a young Spider Monkey (Ateles paniscus) by a Crested Eagle (Morphnus guianensis). Folia Primatologica 63:75-77.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: > http://www.pr.gov.br/iap.

Rio Grande do Sul (2014) Táxons da fauna silvestre do Estado Rio Grande do Sul ameaçadas de extinção. Decreto N.º 51.797, de 8 de setembro de 2014. (publicado no DOE n.º 173, de 09 de setembro de 2014).

Robinson, S. K. (1994) Habitat selection and foraging ecology of raptors in Amazonian, Peru. Biotropica, v. 26, n. 4, p. 443-158.

Rosário, L.A. (1996) As aves de Santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis: FATMA

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, RJ

Silveira, L.F.; Benedicto, G.A.; Schunck, F. & Sugieda, A.M. (2009) Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Simon, J. E. et al. As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.

Trail, P.W. (1987) Predation and antipredator behavior at Guianan Cock-of-the-rock leks. Auk 104:496-507.

Vargas G., J.d., R. Mosquera, & M. Watson. (2006) Crested Eagle (Morphnus guianensis) feeding a post-fledged young Harpy Eagle (Harpia harpyja) inPanama. Ornitologia Neotropical 17:581-584.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)