• Descrição: A águia-pescadora é uma ave de grande porte (em média os machos atingem 55 cm e as fêmeas 63 cm); apresenta um bico forte e bem adaptado a seus hábitos alimentares, baseados principalmente na captura de peixes (SICK, 1997). A Aguia pesqueira é a unica representante da família dos Pandionidae. A espécie pesa ao redor de 1,2 kg, com uma de envergadura de até 1,70 m. em vôo, pode se notar a coloração caracteristica da espécie, apresenta uma asa longa, grande em relação ao corpo. Ela é mantida dobrada no meio, como um cotovelo em “V” à frente do plano da cabeça (Obs: uma das caracteristca-chave para identificação em voo). Por baixo, do cotovelo até as penas longas da asa, possui uma área negra e visível. As batidas são lentas, ritmadas e características. Ocasionalmente, usa as correntes aéreas para vôo alto. A cauda é curta e pouco notável na silhueta de vôo. Pode ser facilmente observada sobrevoando o rio Cuiabá e usa as grandes baías da região sudoeste da reserva para pescar.
• Alimentação: Alimenta-se, quase exclusivamente, de peixes entre 150 e 300 gramas de peso, capturados da seguinte forma: a águia-pescadora fica circulando sobre o rio (ou baía), às vezes "peneirando" até localizar o peixe na superfície ou logo abaixo dela, graças a sua excelente visão, então baixa rapidamente, e apanha a presa com as garras dos dois pés. Ocasionalmente, o peixe está em profundidade que a obriga a mergulhar o corpo e cabeça, mantendo as asas fora d’água. Imediatamente após a captura, voa para um poleiro tradicional, onde o mata e come. Para poder segurar bem o peixe, além das garras finas, possui uma série de pequenos espinhos na sola dos dedos (Obs: caracteristica de todas as aves de rapina pescadoras) evitando que ele escorregue, devido às escamas e ao muco de proteção. Para pescar ela necessita de águas claras para localizar o peixe. Outra característica anatômica exclusiva dessa águia é dada pelo quarto dedo dos pés, enquanto os gaviões e outras aves de rapina diurnas possuem três dedos para a frente e um para trás, o 4º dedo da águia pescadora tanto pode ficar para a frente, como para trás, facilitando a pesca (Obs: semelhante a adaptação das corujas).
• Reprodução: Espécie monogâmica, se reproduz no hemisfério norte, utilizando o Brasil apenas como area de invernagem. A fêmea cuida e alimenta as crias enquanto que o macho procura alimento. Constroem o ninho com gravetos e galhos, e posta de 1 a 4 ovos. geralmente nos meses de março a junho (em Portugal e no Mediterrânio a postura ocorre normalmente em Março). Seu periodo de incubação é de 37 a 41 dias, onde os filhotes realizam os primeiros vôos ao fim de dois meses. Essa espécie atinge maturidade aos 3 anos de idade em média.
• Distribuição Geográfica: Originária da América do Norte, onde se reproduz, a espécie migra para a América do Sul durante o inverno, podendo ser encontrada até o Chile e Argentina. Há registros de sua ocorrência em vários estados do Brasil, como Amazonas, Pará, Amapá, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul. É uma espécie cosmopolita encontrada em todos os continentes com excessão da Antartida.
No Rio Grande do sul, a espécie é considerada uma visitante rara no litoral com algumas poucas citações para a área do município de Terra de Areia e Capão da Canoa, durante um trabalho de amostragem da avifauna realizado por Texeira et al,(2005) no Parque Estadual de Itapuã, a 57km de Porto Alegre, foram feitas avistagens de P. haliaetus em duas oportunidades: no mês de novembro de 2003, sobrevoando a Praia de Fora, margem da Laguna dos Patos e, em dezembro do mesmo ano, nas proximidades da mesma praia, sobre o Morro de Itapuã.
• Hábitos/Informações Gerais: Normalmente é avistada em regiões com grandes extensões de água (SICK, 1997). Apesar de mais numerosa no final e início do ano, tem sido encontrada durante todos os meses. Devido à maturação sexual após o segundo ou terceiro ano de vida, as águias-pescadoras observadas por aqui durante o período reprodutivo devem ser exemplares juvenis. A espécie migra ainda jovem e leva de 2 a 3 anos para tornar-se adulta, quando regressa à América do Norte para se reproduzir. Após este período, retorna periodicamente à América do Sul durante o inverno no hemisfério norte. É comum em lagos, grandes rios, estuários e no mar próximo da costa. Vive normalmente solitária, voando alto ou pousada sobre árvores isoladas.

Foto: © Robert Harrington 2005
:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::
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• Referências:
del HOYO, .J., ELLIOT, A. E SARGATAL, J. Handbook of the birds of the world (2 v). Bird Life International Lynx Editions, 1994. 638p.
Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.
Texeira, E. C; Costa, E. S; Petry, M. V. 2005. Primeiro registro de águia pescadora (Pandion haliaetus, Linnaeus, 1758) no Parque estadual de Itapuã, Viamão, RS. Biodiversidade Pampeana, PUCRS, Uruguaiana ISSN 1679-6179 3:24-26, 28 de dezembro de 2005.
