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Aves de rapina: Reprodução


Ninho de Harpagus diodon em uma Paineira (Chorisia sp). Parnaíba/SP. Foto: Amarildo Jordão

Texto de: Willian Menq
A reprodução das aves de rapina apresenta vários padrões comportamentais, pois se trata de diversos grupos taxonômicos. Na maioria das espécies, o casal permanece junto só durante o tempo em que estão cuidando dos filhotes. Espécies monogâmicas, como grandes gaviões e águias, podem viver por longo tempo e, às vezes, por toda a vida.

No período pré-nupcial, as aves de rapina iniciam o comportamento de cortejo. Muitas águias e gaviões realizam vôos de acasalamento um ou dois meses antes do início da postura dos ovos. Eles fazem vôos acrobáticos, com perseguições, vôos circulares e mergulhos no céu, um lançando-se contra o outro, fazendo espetáculos aéreos. Algumas espécies costumam oferecer presas para a fêmea. Neste período também emitem com frequência assobios altos e melodiosos que fazem parte do ritual. Após as paradas e consolidação do casal no seu território, o ninho é restaurado e/ou construído.

Os locais de nidificação são bastante variáveis, podendo ser sobre árvores (gaviões em geral), em ocos de árvores (falcões-florestas, corujas), no solo (tartaranhão-do-brejo), no meio do capim (mocho-dos-banhados, jacurututu) ou em buracos no solo (coruja-buraqueira). Algumas aves, principalmente as da Família Falconidae, ocupam ninhos construídos por outras aves. Aves de rapina adaptadas ao ambiente urbano costumam nidificar em forro de casas, celeiros, postes, torres de igreja, etc. como é o caso da suindara e do quiriquiri. De uma forma geral, as aves de rapina reconhecem a construção e o local do ninho onde nasceram, repetindo os mesmos padrões na seqüência do próprio ciclo reprodutivo. É relativamente comum o uso do mesmo ninho, durante vários anos, por um mesmo casal.

Os ovos das aves de rapina variam muito de cor, tamanho, forma e textura. o número de ovos postos por ninhada varia de acordo com a espécie, de forma geral, dois a três ovos são postos, sendo comum entre os Accipitriformes a postura de somente um ovo. A incubação tem início logo após a postura do primeiro ovo, podendo haver uma diferença de tamanho entre os filhotes, sendo que o de menor tamanho pode não sobreviver em períodos de pouco alimento ou ser vítima de fraticídio pelo irmão mais velho. Geralmente as aves de rapina se reproduz uma vez por ano, mas em tempos de fartura de alimento, alguns gaviões e corujas podem criar duas e até três vezes num mesmo ano. Nas Harpias, gaviões de penacho e outras espécies grandes, os filhotes tem um período de dependência dos adultos superior a um ano, o que faz com que os casais se reproduzam a intervalos de pelo menos 2 anos. Quando estão no ninho, os filhotes já grandes podem pesar mais que os próprios pais, logo que saem do ninho e começam a caçar, costumam perder peso.


Ninho de gavião-carijó Rupornis magnirostris em uma árvore. Peabiru/PR, Set 2006.
Foto:
Willian Menq

Suindara nidificando em um forro. Na foto dois filhotes da espécie.
Foto:
Lorena C. Souza

Leia também:
Os Locais para nidificação
Rituais de Acasalamento


Referências Bibliográficas:
Boyer and Hume. 1991. "Owls of the World". BookSales Inc.

Brown L. e Amadon, d. (1989). Eagles, hawks and falcons of the world,
v. 1. Secaucus: The Wellfleet Press.

Fegurson-Lees, J.; Christie, D. A. 2001. Raptors of the world.
Houghton Mifflin Company, New York, USA, 992pp.

ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.