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Coruja-orelhuda
(Asio clamator)

Asio clamator (Vieillot, 1808)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Striped Owl
Outros nomes:
Coruja-gato
Tamanho: 30-38 cm de comprimento
Habitat:
Campos, vegetação aberta
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco


Coruja orelhuda em área urbana, município de Paulínia - SP. Foto: Eric Gallardo


Vocalização de chamado [A] - (gravado por: Luiz F. Figueiredo)

• Descrição: A coruja-orelhuda é uma espécie de porte médio, possui de 30 a 38 cm de comprimento, com asas de 22.8 a 29.4 cm, e peso em torno de 320 a 546 gramas. Seus olhos são relativamente grandes, quase imóveis dentro do crânio resultando num campo visual bastante limitado na qual é compensado pela grande capacidade que possuem de girar a cabeça (mais de 270º). Além da poderosa visão, assim como nas outras espécies de corujas, a coruja-orelhuda possui um disco facial bem destacado que desempenha importante papel de refletor sonoro, que amplia o volume do som facilitando a localização da presa. Esta coruja tem "orelhas" bem destacadas, possuindo tarsos poderosos para seu tamanho. Emite vocalizações bastante variadas, geralmente sequência prolongada de "áut-áut-áut". É também conhecida como mocho-orelhudo e coruja-gato já que lembra um miado de gato a vocalização (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009). Espécie anteriormente classificada no gênero Rhinoptynx.

• Alimentação: Alimenta-se de aves, grandes insetos e pequenos mamíferos como roedores, morcegos (inclusive morcegos-vampiros Desmodus rotundus) etc., caçando geralmente a partir de um poleiro observando a presa e se atirando a ela em seguida. É uma caçadora poderosa, podendo predar animais tão grande quanto ela. Aproveita a luminosidade lunar para aumentar sua chance de capturar uma presa noturna, como roedores e marsupiais, os quais demonstram uma menor atividade em noites claras de lua cheia para diminuir o risco de sua predação (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).

• Reprodução: Constroem o ninho no solo, capim ou em ocos de árvores. Põem de dois a quatro ovos que são postos em intervalos de poucos dias, a fêmea permanece no ninho chocando por aproximadamente 33 dias, período durante o qual ela é alimentada pelo macho. Geralmente somente um filhote sobrevive, embora já foram observados dois também. Os filhotes apresentam penugem clara ao nascerem. Somente a fêmea cobre e alimenta os filhotes nos primeiros dias, mas depois ambos os pais participam do cuidado da prole (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009). Os filhotes tornam-se apto ao voo após 37-46 dias, e com 130-140 dias são expulsos pelos pais do território (Konig & Weick, 2008). Geralmente essa espécie cria uma vez ao ano, mas em tempos de fartura de alimento, pode criar duas e até três vezes num mesmo ano. Sua reprodução, portanto, está diretamente relacionada com a disponibilidade de alimento: quanto maior for esta maior é o número de filhotes criados. Porém, quando há escassez de alimento, a postura tende a ser menor e/ou ocorre a morte de filhotes mais fracos. Os pais defendem ativamente o ninho na época reprodutiva, emitindo vocalizações de alarme e dando vôos rasantes sobre os invasores. Em situações de perigo, a coruja “infla” o corpo ao eriçar as penas e estala o bico na tentativa de intimidar o predador (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).

• Distribuição Geográfica/Subspécies: Ocorre da Venezuela a Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e em todo o Brasil com exceção da floresta amazônica (Sick, 1997). No Brasil ocorrem duas subespécies: A. clamator clamator, que ocupa a região norte e nordeste, e parte do centro oeste do Brasil, e A. clamator midas, na região sul e sudeste, e parte da região centro oeste do Brasil (Holt et al. 1999).

• Hábitos/Informações Gerais: Esta coruja é relativamente  comum e tolerante a ambientes antrópicos, naturalmente ocorre em paisagens abertas com arvoredo, cerrados, caatingas e até mesmo dentro de cidades, desde que haja arborização suficiente para sua sobrevivência. Principalmente noturna, tornando-se ativa já no pôr-do-sol. Durante o dia fica camuflada nas árvores. O macho seleciona o território de acordo com o potencial para reprodução e locais apropriados para ninhos. Além de tentar conquistar a fêmea pelo seu território, o macho pode oferecer uma presa, como um roedor ou um inseto, como presente de núpcias (Sick, 1997; Kurazo e Naiff, 2009).


Dois jovens da espécie. Taubaté/SP, Julho de 2011
Foto: Lucas Valério, membro do COAVAP

Jovem em posição de defesa (para intimidar). Contagem - MG. Foto: Fernando Araújo

 

:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



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• Referências:

Holt, D.W.; Berkley, R.; Deppe, C.; Enriquez-rocha, P.L.; Petersen, J.L.; Rangel-salazar, J.L.; Segars, K.P. & Wood, K.L. (1999) Species acounts of Strigidae. Em: Del Hoyo, J., A. Elliott, e J. Sargatal, (eds.) Handbook of the birds of the world. Volume: 5: barn-owls to hummingbirds. Barcelona, Espanha. Lynx Edicions. 759p.

Konig, C. & Weick, F. (2008) Owls of the world. Segunda Edição. New Haven, Connecticut: Yale University Press.

Kurazo M.O.A, Naiff R.H. Aspectos reprodutivos e dieta alimentar dos ninhegosde Rhinoptynx clamator (Aves: Strigidae) no campus Marco Zero da Universidade Federal do Amapá, Macapá-AP. ActaAmaz. 2009 mar; 39(1):221-224. doi: 10.1590/S0044-59672009000100024.

Sick, H. 1997. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro. Ed. Nova Fronteira.