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O Corredor de Biodiversidade da Serra Geral


Vista espetacular dos Paredőes do Parque Nacional da Serra Geral.

O sul do Brasil conta com uma das paisagens mais impressionantes do país. Cânions espetaculares e araucárias centenárias compõem cenários de tirar o fôlego, é a serra geral, localizada nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O Cânion Fortaleza, formado por intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos, é o mais impressionante de todos os cânions da serra geral, conta com paredões que atingem quase 1 km de altura, além de vales cobertos pelas florestas de mata atlântica e extensos campos naturais na parte de cima da serra. Na parte mais alta de sua borda é possível visualizar em dias claros o oceano atlântico e cidades próximas da costa como a de Praia Grande – SC e Torres – RS. No Cânion Itaimbezinho localizado em aparados da serra, quedas d´agua com 720 metros despencam da borda do cânion, onde se pode destacar a cachoeira Véu de Noiva, a mais famosa dentre as cachoeiras.

O parque nacional de aparados da serra e o da serra geral foram criados com o intuito de proteger um importante ecossistema. Além dos cânions imensos existentes, essa região conta com um importante corredor de biodiversidade, é o “corredor ecológico da serra geral” de grande importância no sul do Brasil. São florestas localizadas nas encostas das serras que margeiam o oceano atlântico formando uma faixa de cobertura vegetal não muito larga de aproximadamente 240 km (se estende de Maquiné - RS até Anitápolis - SC). Sendo que os Parques protegem apenas um trecho deste corredor.


Serra Geral. Foto: Associação M. Viva

Essas florestas contam com uma grande biodiversidade. Por serem áreas de relevo acentuado, com montanhas e vales profundos a vegetação é bem variada. Predomina a Floresta Pluvial Atlântica e Florestas com Araucárias, nelas se destacam a canela preta, a aroeira, o carvalho, a caúna, o pinheirinho-bravo e as araucárias. Dentre a fauna, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) podem ser avistados nos locais de difícil acesso. Agentes do IBAMA já registraram a presença da onça-parda (Felis concolor) visualizada de madrugada, horário em que o animal sai para caçar. Aves como o papagaio-de-peito-roxo, a curicaca e a gralha-azul podem ser observados, sendo tais espécies importantes dispersoras de sementes, Jacutingas ainda vivem nessas encostas e realizam movimentos altitudinais. Se tratando de aves de rapina, há registros de gavião-pato (Spizaetus melanoleucus) e da águia cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) ambos raros, esta ultima nacionalmente ameaçada de extinção.

Nas encostas da serra geral e nos paredões dos cânions que são locais com difícil acesso, servem para estas águias utilizarem como áreas de nidificação e caça. No trecho da região serrana de Urubici – SC nascentes do rio canoas, Jorge Albuquerque e sua equipe registraram 31 espécies de aves de rapina, algumas raras dentre elas: Harpia harpyja, Morphnus guianensis, Spizaetus ornatus, Spizaetus tyrannus, Spizaetus melanoleucus e Harpyhaliaetus coronatus. Pode-se afirmar que a presença dessas espécies está associada às áreas florestais contínuas nas encostas da serra, pois florestas nestas condições apresentam uma rica disponibilidade de alimentos e sítios de nidificação. Apesar de extenso, esse corredor ecológico é bastante estreito, com isso a vulnerabilidade se torna muito grande. O desmatamento para o comércio de carvão em alguns municípios vem ameaçando seriamente diversos pontos da floresta, exemplo disso é o município de Grão-pará em Santa Catarina onde a floresta atlântica vem rapidamente sendo substituída pelo reflorestamento com Pinus (arvore exótica) e empreendimentos de mineração, o que acaba sendo lamentável. Vale lembrar que tais florestas estão categorizadas como “área de preservação permanente” protegidas pela legislação federal. Na região protegida pelos parques nacionais da Serra Geral e Aparados da serra, de acordo com o Ibama, além do desmatamento, atividades de caça e incêndios são os principais problemas que os parques enfrentam no momento.

Como conseqüência do desmatamento, o habitat de várias espécies de animais como o gavião-real-falso (Morphnus guianensis) está sendo reduzido ao extremo e vindo a comprometer a existência dessa ave no local, além disso, vários pontos desta floresta acabam ficando fragmentados formando "ilhas verdes" que isolam as espécies impedindo a permuta genética entre elas. É extremamente importante assegurar a conservação do corredor ecológico da serra geral, com isso um número muito grande de espécies animais e vegetais serão beneficiados. É uma dos últimos lugares do Brasil onde se pode observar a rara Floresta de araucária e diversos animais ameaçados de extinção.


O Corredor ecológico da serra geral abriga uma das maiores diversidade biológicas no sul do país.

 

Texto de: Willian Menq S.
Publicado em: Junho de 2009.



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