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Gavião-pega-macaco
(Spizaetus tyrannus)

Spizaetus tyrannus (Wied, 1820)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais

Nome popular: Gavião-pega-macaco
Outros nomes:
Apacamin-preto
Nome em inglês: Black-hawk-eagle
Tamanho: 58-66 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos mamíferos e aves


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Foto: Laura L Fellows


Vocalização de chamado (em vôo)
(gravado por: Allen T. Chartier)

• Descrição: Mede entre 58 e 66 cm, peso médio de 900 g (machos) e 1.100 g (fêmeas). Adulto apresenta plumagem preta na parte ventral, com o dorso marrom-pardacento escuro (quase preto). Possui penacho em forma de coroa, com penas que apresentam cor branca na base, sendo o restante preto. A cauda é longa com três a quatro barras cinzas escuras, tarsos são completamente emplumados e a íris é amarelo-alaranjada. Jovem apresenta a cabeça e garganta esbranquiçada e as partes inferiores estriadas (Del Hoyo, 2001; Sick, 1997). Apresenta uma silhueta única e inconfundível, asas curtas, arredondadas e cauda longa e larga permitindo uma aerodinâmica perfeita para caçar em regiões de mata fechada, onde é necessária uma enorme agilidade para voar entre as árvores e capturar presas ágeis entre os galhos como aves, morcegos, répteis, micos e saguis (Avari, 2010).

• Alimentação: A alimentação é constituída principalmente de mamíferos (marsupiais, pequenos primatas, esquilos e morcegos), aves (tucanos, araçaris e aracuãs entre outras) e répteis (Sick, 1997; del Hoyo, 2001). Robinson (1994) registrou gavião-pega-macaco atacando esquilos (Sciurus sp.) a dois metros do solo, roedores não identificados, araras pousadas em árvores e provavelmente uma coruja (Strix huhula). Há também registros do S. tyrannus capturando aves pequenas como o bem-te-vi-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis) (Skutch, 1960 in: GRIN, 2010). Como a fêmea é maior que o macho, as presas capturadas por eles são de tamanhos diferentes, assim não disputam comida entre si, podendo permanecer na mesma área, o que facilita o encontro para o cruzamento.

Funes et al. (1992) registraram 75 tipos de presas entregas às fêmeas e aos filhotes em dois ninhos no Parque Nacional de Tikal, na Guatemala. Os pesquisadores constataram que 68% das presas eram mamíferos (14 esquílos pequenos, 8 gambás Caluromys derbianus, 1 esquílo arborícola de tamanho médio e 5 mamíferos não identificados), 2,6% de aves (duas aves não-identificadas) e 29,3% de presas não-identificadas. Interessante que boa parte das presas eram pequenos mamíferos noturnos, sugerindo que a espécie tenha uma maior preferência por mamíferos do que o S. ornatus.

• Reprodução: Faz o ninho com galhos secos no alto das árvores, onde a fêmea coloca até dois ovos, que eclodem apó 63 dias de incubação. Na Mata Atlântica, seu período de reprodução é de agosto a dezembro (Smith 1970 citado in: Mikich & Bernils 2004). Na Fundação Parque Zoológico de São Paulo foi registrado um casal colocando cinco ovos. O primeiro ovo foi encontrado em abril de 1996 e o último em março de 1997, com intervalos que variaram entre 148 e 34 dias, sendo todos os ovos coletados para incubação artificial. Os ovos eram de coloração azulada com manchas acastanhadas e o período de incubação variou entre 49 e 51 dias (Andrade & Sanfilippo 2001).


Fêmea adulta no ninho.
Capela Nova/MG, Setembro de 2009.
Foto:
Charles Moreira

Adulto no ninho com o filhote.
Capela Nova/MG, Setembro de 2009.
Foto:
Charles Moreira

Indivíduo jovem.
Capela Nova/MG, Abril de 2010.
Foto:
Charles Moreira

• Distribuição Geográfica e Subspécies: Ocorre desde o sul do México até a Argentina (Sick, 1997). São conhecidas duas subspécies, o S. tyrannus serus: que ocorre do sul do México até o norte do Brasil (região amazônica) e S. tyrannus tyrannus: ocorrendo na mata atlântica brasileira (ocorrendo na faixa marítima leste-meridional, desde o nordeste e a Bahia, leste de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul) indo até o nordeste da Argentina (Sick, 1997; Mikich e Bernils, 2004). De acordo com Stotz et al. (1996) os biomas Cerrado e Caatinga são divisores naturais das duas subspécies de gavião-pega-macaco.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Quase ameaçado (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Provavelmente ameaçado (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Vulnerável (Ignis, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Espécie florestal que frequenta habitat do nível do mar até dois mil metros de altitudde. É uma ave considerada dependente de florestas, incomum, residente e medianamente sensível à degradação do seu habitat (Stotz et al. 1996, Silva et al. 2003). Comparado ao gavião-de-penacho Spizaetus ornatus, a espécie possui uma maior preferência por ambientes semi-abertos, florestas secundárias e em proximidade com rios, podendo ocorrer em extensas florestas (Hilty e Brown 1986, Thiolay 1994, Sick 1997, Ferguson-Lees e Christie 2001) sendo tolerante a pequenas perturbações e desflorestamentos provocados no ambiente (del Hoyo et al., 2001).

Vive solitariamente ou em pares, sendo comum observar indivíduos realizando vôos altos e circulares durante o período da manhã e início da tarde. Pode ser observado sobrevoando florestas à procura de alimento. É rápido em suas investidas voando com incrível rapidez. As asas curtas, arredondadas e cauda longa e larga permite uma aerodinâmica perfeita para caçar tanto acima quanto abaixo das copas das árvores, onde é necessária uma enorme agilidade para voar entre os galhos e capturar presas ágeis como aves, morcegos, répteis, micos e saguis (Avari, 2010). Em cativeiro pode viver 25 anos.

Na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis/SC, Silva et al. (2004) estimaram que existe uma população de aproximadamente 5-7 pares de S. tyrannus habitando a ilha. A ilha possui 39,9 km² de floresta, a existência da população na ilha está associada a presente e exuberante floresta atlântica densa, habitat ideal para a espécie e suas presas potenciais. Porém, com a construção de condomínios de luxo, ampliações de ruas e favelas, vêm comprometendo a existência do S. tyrannus na ilha.

• Ameaças e Conservação: Embora tenha sido razoavelmente registrada nos últimos anos, esta espécie rapineira florestal necessita de áreas extensas para cumprir seu ciclo de vida, sendo que suas populações podem sofrer declínio em decorrência da fragmentação excessiva. Pelo fato de também poder atacar pequenas criações domésticas, como pintinhos e galinhas, é perseguido pelos fazendeiros (Hoyo et al., 2001; Sick, 1997). A população de Mata Atlântica encontra-se em condições mais precárias do que a da região Norte (S. t. serus), principalmente devido à fragmentação do referido bioma, considerada ameaçada pelo plano de ação de aves de rapina do ICMBio (2008).

As medidas para a conservação desta espécie são idênticas às consideradas para outras espécies de gaviões dependentes de extensas áreas florestadas, ou seja, a proteção e incremento de unidades de conservação, busca por populações residuais, associadas a estudos de história natural, fiscalização e educação ambiental (Albano, et al., 2007; Mikich e Bernils, 2004).



Adulto em voo. Serra de Carajás - Parauapebas/PA, Julho de 2010.
Foto: Guilherme Serpa

Indivíduo adulto. Reserva Rio das Furnas, Alfredo Wagner/SC.
Foto:Renato Rizzaro | Rio das Furnas


Indivíduo Adulto. Horto Florestal de São José dos Campos/SP, Ago 2009.
Foto: Rodrigo dela Rosa



Indivíduo adulto em voo.
Florianópolis/SC, Abril de 2013.
Foto: Willian Menq

Adulto em atividade de caça.
Cocalinho/MT, Setembro de 2013.
Foto: Willian Menq

Indivíduo adulto. Pousada três pinheiros - Campos do Jordão/SP, Jun 2010. Foto: Francisco Kallen



:: Página editada por: Willian Menq em 2014. ::



Contato



• Referências:

Albano C.; Girão W.; Pinto T. (2007) Primeiro registro documentado do gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus, para o estado do Ceará, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 15 (1) 123-124.

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Del Hoyo, J. & Sargatal, J. (2004) Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Drummond, G.; Machado, A. B. M.; Martins, C. S.; Mendonça, M. P. e Stehhan, J. P. Listas das Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, 2008.

Belton, W. (1994) Aves do Rio Grande do Sul, distribuição e ecologia. São Leopoldo: Ed. Unisinos.

ICMBio (2008).Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.

Ignis (2008). Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, Maternatura.

Olmos, F.; Pacheco, J. F.; Silveira, L. F. (2006) Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 401-404.

Roda, S. A.; Pereira, G. A. (2006) Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais do Centro Pernambuco. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 331-344.

Salvador-Jr, L. F.; Canuto, M.; Carvalho, C. E. A. and Zorzin, G. (2011) Aves, Accipitridae, Spizaetus tyrannus (Wied, 1820): New records in the Quadrilátero Ferrífero region, Minas Gerais, Brazil. Check List: Volume 7, Issue 1, p. 33-36.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silva, J. M. C., M. A. Souza, A. G. D. Bieber e C. J. Carlos (2003) Aves da Caatinga: status, uso do habitat e sensitividade. Recife: Ed. Universitária da UFPE.

Silva, E. S.; Albuquerque, J. L. B. & Graipel, M. E. (2004). O gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) na ilha de Santa Catarina. (Monografia, Ciências Biológicas). Universidade Federal de Santa Catarina.

Stotz, D. F., J. W. Fitzpatrick, T. A. Parker III e D. K. Moskovits (1996) Neotropical Birds: Ecology and Conservation. Chicago: Univ. Chicago Press

Zorzin, G.; Carvalho, C. E. A.; Carvalho-Filho, E. P. M. de; Canuto, M. (2006) Novos registros de Falconiformes raros e ameaçados para o Estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 417-421.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)