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Gavião-pega-macaco
(Spizaetus tyrannus)

Spizaetus tyrannus (Wied, 1820)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais

Nome popular: Gavião-pega-macaco
Outros nomes:
Apacamin-preto
Nome em inglês: Black-hawk-eagle
Tamanho: 58-66 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos mamíferos e aves


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Gavião-pega-macaco no Panamá. Foto: Laura L Fellows


Vocalização de chamado (em vôo)
(gravado por: Allen T. Chartier)

• Descrição: O gavião-pega-macaco é uma espécie florestal que mede entre 58 e 66 cm. é uma ave considerada dependente de florestas, incomum, residente e medianamente sensível à degradação do seu habitat (Stotz et al. 1996, Silva et al. 2003). O macho pesa cerca de 900 g e a fêmea 1.100 g. Os adultos apresentam plumagem preta na parte ventral, com o dorso marrom-pardacento escuro (quase negro). Têm um penacho em forma de coroa, com penas que apresentam cor branca na base, sendo o restante preto. A cauda é longa com três a quatro barras cinzas escuras, os tarsos são completamente emplumados e a íris é amarelo-alaranjada. Os imaturos têm a cabeça esbranquiçada e as partes inferiores estriadas (del Hoyo, 2001; Sick, 1997; Mikich e Bérnils, 2004). Possui silhueta típica do gênero: asas curtas, arredondadas e cauda longa e larga permitindo uma aerodinâmica perfeita para caçar em regiões de mata fechada, onde é necessária uma enorme agilidade para voar entre as árvores e capturar presas ágeis entre os galhos como aves, morcegos, répteis, micos e saguis (Avari, 2010).

Estudos moleculares recentes de Helbig et al. (2005) Lerner e Mindell (2005), Gamauf et al. (2005), e Haring et al. (2007), baseado em seqüências de DNA, indicaram que o Spizaetus ornatus e Spizaetus tyrannus tem pouco parentesco, mostrando que o S.ornatus é mais próximo do S. melanolecus e S. isidori do que do S. tyrannus.

• Alimentação: A alimentação é constituída principalmente de mamíferos (marsupiais, pequenos primatas, esquilos e morcegos), aves (tucanos, araçaris e aracuãs entre outras) e répteis (Sick, 1997; del Hoyo, 2001). Robinson (1994) registrou gavião-pega-macaco atacando esquilos (Sciurus sp.) a dois metros do solo, roedores não identificados, araras pousadas em árvores e provavelmente uma coruja (Strix huhula).

Funes et al. (1992) registrou 75 tipos de presas entregas às fêmeas e aos filhotes em dois ninhos no parque nacional de Tikal, na Guatemala. 68% das presas eram mamíferos (14 esquílos pequenos, 8 gambás Caluromys derbianus, 1 esquílo arborícola de tamanho médio e 5 mamíferos não identificados); 2,6% de aves (duas aves) e 29,3% de presas não identificadas. Boa parte das presas eram pequenos mamíferos noturnos, baseado nesta amostra, estas águias parecem ter uma dieta com maior proporção de mamíferos do que o S.ornatus (Funes et al, 1992). Já foi registrado esta espécie capturando aves pequenas como o Bem-te-vi-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis) (Skutch, 1960 in: GRIN, 2010). Como a fêmea é maior que o macho, as presas capturadas por eles são de tamanhos diferentes, assim não disputam comida entre si, podendo permanecer na mesma área, o que facilita o encontro para o cruzamento.

• Reprodução: Faz o ninho com galhos secos no alto das árvores, onde a fêmea bota dois ovos. Reproduz de agosto a dezembro, botando 1 a 2 ovos, que eclodem após 63 dias de incubação, havendo registros de ninhos com dois filhotes (Smith, 1970 citado in: Mikich e Bernils, 2004). Na Fundação Parque Zoológico de São Paulo foi constatado uma postura de cinco ovos, oriunda de um casal da espécie. O primeiro ovo foi encontrado em abril de 1996 e o último em março de 1997, com intervalos que variaram entre 148 e 34 dias, sendo todos os ovos coletados para incubação artificial. Os ovos eram de coloração azulada com manchas acastanhadas e o período de incubação variou entre 49 e 51 dias (Andrade e Sanfilippo, 2001).


Adulto no ninho, divisa com Caranaíba, Capela Nova/MG, Set 2009. Foto: Charles Moreira

Indivíduo adulto no ninho com o filhote, Capela Nova/MG, Set 2009.
Foto:
Charles Moreira

Indivíduo jovem.
Capela Nova/MG, Abril de 2010.
Foto:
Charles Moreira

• Distribuição Geográfica e Subspécies: Ocorre desde o Sul do México até a Argentina (Sick, 1997). São conhecidas duas subspécies, o S. tyrannus serus: que ocorre do sul do México até o Norte do Brasil (na região amazônica). S. tyrannus tyrannus: ocorrendo na mata atlântica brasileira (ocorrendo na faixa marítima leste-meridional, desde o nordeste e a Bahia, leste de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul) indo até o nordeste da Argentina (Sick, 1997; Mikich e Bernils, 2004; GRIN, 2010).

De acordo com Stotz et al. (1996), estas regiões florestais sul-americanas são separadas por um corredor de formações vegetais mais abertas, composto pelos biomas da Caatinga, Cerrado e Pantanal que serviria como divisor natural das duas formas do gavião-pega-macaco existentes: a nominal S. tyrannus tyrannus, de distribuição atlântica, e a amazônica, denominada S. tyrannus serus (Friedmann, 1950 citado in: Mikich e Bernils, 2004). A população da mata atlântica (S. t. tyrannus) é considerada pelo plano de ação de aves de rapina do ICMBio (2008) como ameçada de extinção.
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• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Quase ameaçado (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Criticamente em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Provavelmente ameaçado (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Vulnerável (Ignis, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Espécie florestal que frequenta habitat do nível do mar até dois mil metros de altitude, inclusive em mata decidual. A população de Mata Atlântica encontra-se em condições mais precárias do que a da região Norte (S. t. serus), principalmente devido à fragmentação do referido bioma. Pode ser observado sobrevoando florestas à procura de alimento. É rápido em suas investidas voando com incrível rapidez. Comparado ao gavião-de-penacho Spizaetus ornatus, a espécie possui uma maior preferência por ambientes semi-abertos, florestas secundárias e em proximidade com rios, podendo ocorrer em extensas florestas (Hilty e Brown 1986, Thiolay 1994, Sick 1997, Ferguson-Lees e Christie 2001) sendo tolerante a pequenas perturbações e desflorestamentos provocados no ambiente (del Hoyo et al., 2001). Vive solitariamente ou em pares, sendo comum observar indivíduos realizando vôos altos e circulares durante o período da manhã e início da tarde. Embora tenha sido razoavelmente registrada nos últimos anos, esta espécie rapineira florestal necessita de áreas extensas para cumprir seu ciclo de vida, sendo que suas populações podem sofrer declínio em decorrência da fragmentação excessiva. Pelo fato de também poder atacar pequenas criações domésticas, como pintinhos e galinhas, é perseguido pelos fazendeiros (Hoyo et al., 2001; Sick, 1997). Em cativeiro pode viver 25 anos.


Gavião-pega-macaco em vôo. Serra de Carajás - Parauapebas/PA, Julho 2010.
Foto: Guilherme Serpa

Segundo observações de Jorge Albuquerque e da equipe do Projeto Gavião-de-Penacho sobre o comportamento de S. tyrannus no Alto Canoas, em Santa Catarina, a ave vive solitária ou em pares, voando sobre o dossel, entre a copa das árvores ou aproveitando a corrente de ar ascendente. No primeiro caso, a ave executa lentos vôos planados, acima das árvores, mergulhando nas copas por alguns minutos e voltando a planar em seguida. No segundo caso, os registros ocorreram dentro da mata, onde a ave pousa temporariamente em galhos, próximos ao caule, observa a área por alguns minutos, após os quais reinicia outro vôo planado até outro poleiro mais distante. No último caso, a ave circula em uma terma vocalizando e batendo a ponta das primárias com maior freqüência, representando um vôo de display, provavelmente associado à reprodução (ICMBio, 2008).

Em uma pesquisa realizada por Elsimar Silveira na ilha de Santa Catarina em Florianópolis, estimou-se que existe uma população de gaviões-pega-macaco que habita a ilha de aproximadamente 5-7 pares (a ilha possui 39,9 km² de floresta) , sua presença no local está associada a presente e exuberante floresta atlântica densa, apresentando habitat ideal para a espécie e suas presas potenciais. Mas nos últimos anos construções de luxo, ampliações de ruas e favelas vem ameaçando este remanescente de floresta na ilha, comprometendo o futuro da espécie em Florianópolis.

• Ameaças e Conservação: As ameaças da espécie são as mesmas verificadas para outras aves de rapina florestais: caça e perseguição e perca de habitat. A população da mata atlântica (S. t. tyrannus) é considerada pelo plano de ação de aves de rapina do ICMBio (2008) como ameçada de extinção. As medidas para a conservação desta espécie são idênticas às consideradas para outras espécies de gaviões dependentes de extensas áreas florestadas, ou seja, a proteção e incremento de unidades de conservação, busca por populações residuais, associadas a estudos de história natural, fiscalização e educação ambiental (Albano, et al., 2007; Mikich e Bernils, 2004).


Indivíduo Adulto. Horto Florestal. São José dos Campos/SP, Agosto 2009. Foto: Rodrigo dela Rosa

Indivíduo na Reserva Rio das Furnas, Alfredo Wagner/SC, Set 2008.
Foto:Renato Rizzaro | Rio das Furnas

Gavião-pega-macaco. Pousada três pinheiros - Campos do Jordão/SP, Jun 2010. Foto: Francisco Kallen


:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



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• Referências:

Albano C.; Girão W.; Pinto T. (2007) Primeiro registro documentado do gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus, para o estado do Ceará, Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 15 (1) 123-124.

del Hoyo, J. e Sargatal, J. 2004. Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

BELTON, W. Aves do Rio Grande do Sul, distribuição e ecologia. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 1994

ICMBIO (2008).Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004.

OLMOS, F.; PACHECO, J. F.; SILVEIRA, L. F. Notas sobre aves de rapina (Cathartidae, Acciptridae e Falconidae) brasileiras. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 401-404, 2006.

RODA, S. A.; PEREIRA, G. A. Distribuição recente e conservação das aves de rapina florestais do Centro Pernambuco. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 331-344, 2006.

Salvador-Jr, L. F.; Canuto, M.; Carvalho, C. E. A. and Zorzin, G. (2011) Aves, Accipitridae, Spizaetus tyrannus (Wied, 1820): New records in the Quadrilátero Ferrífero region, Minas Gerais, Brazil. Check List: Volume 7, Issue 1, p. 33-36.

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Silva, J. M. C., M. A. Souza, A. G. D. Bieber e C. J. Carlos (2003) Aves da Caatinga: status, uso do habitat e sensitividade. Recife: Ed. Universitária da UFPE.

Stotz, D. F., J. W. Fitzpatrick, T. A. Parker III e D. K. Moskovits (1996) Neotropical Birds: Ecology and Conservation. Chicago: Univ. Chicago Press

ZORZIN, G.; CARVALHO, C. E. A.; CARVALHO-FILHO, E. P. M. de; CANUTO, M. Novos registros de Falconiformes raros e ameaçados para o Estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ornitologia, v. 14, n. 4, p. 417-421, 2006.

• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)

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