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Gavião-pega-macaco
(Spizaetus tyrannus)

Spizaetus tyrannus (Wied, 1820)
Ordem: Accipitriformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias-florestais

Nome popular: Gavião-pega-macaco
Outros nomes:
Apacamin-preto
Nome em inglês: Black Hawk-eagle
Tamanho: 58-66 cm de comprimento
Habitat:
Florestas
Alimentação:
Pequenos mamíferos e aves


Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Indivíduo adulto. Foto: Laura L Fellows


Vocalização de chamado (em vôo)
(gravado por: Allen T. Chartier)

• Descrição: Mede de 58-66 cm de comprimento, peso médio de 900 g (machos) e 1.100 g (fêmeas) (Márquez et al. 2005). Adulto apresenta plumagem preta na parte ventral, com o dorso marrom-pardo escuro (quase preto). Possui penacho em forma de coroa, com penas que apresentam cor branca na base, sendo o restante preto. A cauda é longa com três a quatro barras cinzas escuras; tarsos são completamente emplumados e a íris é amarelo-alaranjada. Jovem apresenta a cabeça e garganta esbranquiçada e as partes inferiores estriadas de marrom-lcaro (Del Hoyo, 2001; Sick, 1997). Apresenta silhueta única e inconfundível, asas curtas, arredondadas e cauda longa e larga permitindo uma aerodinâmica ideal para caçar em regiões de mata fechada.

• Alimentação: A alimentação é constituída principalmente de mamíferos (marsupiais, pequenos primatas, esquilos e morcegos), aves (tucanos, araçaris e aracuãs) e répteis (Sick, 1997; Del Hoyo, 2001). Caça a partir de um poleiro, ou sobrevoando a baixa velocidade por cima do dossel da floresta. Robinson (1994) registrou gavião-pega-macaco atacando esquilos (Sciurus sp.) a 2 m do solo. Há também registros do S. tyrannus capturando aves pequenas como o bem-te-vi-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis) (Skutch, 1960 in: GRIN, 2010). Como a fêmea é maior que o macho, as presas capturadas por eles são de tamanhos diferentes, assim não disputam comida entre si, podendo permanecer na mesma área, o que facilita o encontro para o cruzamento.

Funes et al. (1992) registraram 75 tipos de presas entregas às fêmeas e filhotes em dois ninhos no Parque Nacional de Tikal, na Guatemala. Os pesquisadores constataram que 68% das presas eram mamíferos (14 esquílos pequenos, 8 gambás Caluromys derbianus, 1 esquilo arborícola de tamanho médio e 5 mamíferos não identificados), 2,6% de aves (duas aves não-identificadas) e 29,3% de presas não-identificadas. Boa parte das presas eram pequenos mamíferos noturnos, sugerindo que a espécie tenha uma maior preferência por mamíferos do que o S. ornatus (obs. pess. W. Menq).

• Reprodução: Constrói o ninho com galhos secos no alto das árvores, onde a fêmea coloca até 2 ovos, com período de incubação de 63 dias. Na Mata Atlântica, seu período de reprodução é de agosto a dezembro (Smith 1970 citado in: Mikich & Bernils 2004). Na Fundação Parque Zoológico de São Paulo foi registrado um casal colocando cinco ovos. Os ovos eram de coloração azulada com manchas acastanhadas e o período de incubação variou entre 49 e 51 dias (Andrade & Sanfilippo 2001).



Indivíduo jovem.
Itaguaí/RJ, Junho de 2012.
Foto:
Guilherme B. Adams

Fêmea adulta no ninho.
Capela Nova/MG, Setembro de 2009.
Foto:
Charles Moreira

Adulto no ninho com o filhote.
Capela Nova/MG, Setembro de 2009.
Foto:
Charles Moreira


• Distribuição Geográfica e Subspécies:
Ocorre desde o sul do México até a Argentina, incluindo todo o Brasil (Sick, 1997). São conhecidas duas subspécies, o S. t. serus: sul do México até o norte do Brasil (região amazônica) e S. t. tyrannus: nordeste, sul e sudeste do Brasil até o nordeste da Argentina (Sick, 1997; Mikich e Bernils, 2004). De acordo com Stotz et al. (1996) os biomas Cerrado e Caatinga são divisores naturais das duas subspécies.

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Quase ameaçado (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Em perigo (Rio Grande do Sul, 2014).
  São Paulo: Vulnerável (Silveira et al., 2009).
  Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008).
  Rio de Janeiro: Provavelmente ameaçado (Alves, et al. 2000).
  Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007).
  Santa Catarina: Vulnerável (Ignis, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas, borda de matas, matas secundárias e em proximidades com rios, em altitudes que variam desde o nível do mar até 2.000 m (Hilty e Brown 1986; Thiolay 1994; Stotz et al. 1996, Silva et al. 2003) sendo tolerante a pequenas perturbações e desflorestamentos provocados no ambiente (Ferguson-Lees e Christie 2001). Também pode ser encontrado em pequenos fragmentos florestais, áreas semiabertas e parques urbanos.

Vive solitariamente ou em pares, sendo comum observar indivíduos realizando voos altos e circulares durante o período da manhã e início da tarde (obs. pess. W. Menq). Na ilha de Santa Catarina, em Florianópolis/SC, Silva et al. (2004) estimaram uma população de 5-7 pares de S. tyrannus habitando a ilha.

• Ameaças e Conservação: Embora tenha sido razoavelmente registrada nos últimos anos, esta espécie rapineira florestal necessita de áreas extensas para cumprir seu ciclo de vida, sendo que suas populações podem sofrer declínio em decorrência da fragmentação excessiva. Pelo fato de também poder atacar pequenas criações domésticas, como pintinhos e galinhas, é perseguido pelos fazendeiros (Del Hoyo et al. 2001; Sick, 1997). A população de Mata Atlântica encontra-se em condições mais precárias do que a da região norte (S. t. serus), principalmente devido à fragmentação do referido bioma, considerada ameaçada pelo plano de ação de aves de rapina do ICMBio (2008).



Adulto em voo. Serra de Carajás - Parauapebas/PA, Julho de 2010.
Foto: Guilherme Serpa

Indivíduo adulto. Reserva Rio das Furnas, Alfredo Wagner/SC.
Foto:Renato Rizzaro | Rio das Furnas

Indivíduo Adulto. Horto Florestal de São José dos Campos/SP, Ago 2009.
Foto: Rodrigo dela Rosa


Indivíduo adulto em voo.
Florianópolis/SC, Abril de 2013.
Foto: Willian Menq

Adulto em atividade de caça.
Caraguatatuba/SP, Nov. de 2014.
Foto: Willian Menq

Indivíduo jovem.
Capela Nova/MG, Abril de 2010.
Foto:
Charles Moreira



:: Página editada por: Willian Menq em Mai/2015. ::



Contato



• Referências:

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Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Canuto, M.; Zorzin, G.; Carvalho-Filho, E. P. M.; Carvalho, C. E. A.; Carvalho, G. D. M. & C. E. R. T. Benfica (2012) Conservation, management and expansion of protected and non-protected tropical forest remnants through population density estimation, ecology, and natural history of top predtors; case studies in birds of prey (Spizaetus taxon). pp. 359-388 in Dr. P. Sudarshana (ed.), Tropical Forests. InTech.

Del Hoyo, J. & Sargatal, J. (2004) Handbook of the birds of the world v. 9. Barcelona: Lynx Edicions.

Drummond, G.; Machado, A. B. M.; Martins, C. S.; Mendonça, M. P. e Stehhan, J. P. Listas das Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte, 2008.

Belton, W. (1994) Aves do Rio Grande do Sul, distribuição e ecologia. São Leopoldo: Ed. Unisinos.

ICMBio (2008).Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília.

Ignis (2008). Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, Maternatura.

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• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)