• Descrição: É uma coruja sem "orelhas", negra, listrada de branco com bico e pés amarelos (Sick, 1997). Também conhecida como mocho-negro. Mede de 31 à 36 cm de comprimento.
• Alimentação: Alimenta-se de besouros, baratas, gafanhotos, roedores, répteis e pequenos pássaros. Bornschein & Reinert (2000) também mencionam morcegos na dieta desta espécie.
• Reprodução: Nidifica em cavidades de árvores nas quais põe um ou dois ovos (Mikich & Bérnils, 2004).
• Distribuição Geográfica e Subspécies: É endêmica da América do Sul, ocorrendo do sul da Venezuela ao norte da Argentina. No Brasil ocorre na Amazônia brasileira, centro-oeste, Minas Gerais e do Rio de Janeiro à Santa Catarina (Holt et al. 1999; Sick 1997). São reconhecidas duas subespécies: a S. huhula huhula ocorre na porção oeste-setentrional da América do Sul, desde o extremo norte (do leste da Colômbia às Guianas) até o Brasil amazônico e leste-setentrional adjacente (norte do Maranhão e Piauí); e S. huhula albomarginata, no Brasil leste-meridional, do Rio de Janeiro a Santa Catarina, e sudeste de Minas Gerais, esta última com distribuição restrita à região da Mata Atlântica no sudeste do Brasil, leste do Paraguai e nordeste da Argentina (Partridge 1956, Holt et al. 1999).
• Hábitos/Informações Gerais: Habita florestas altas de terra firme e de várzea, bordas de florestas e árvores em clareiras, também pode ser ocasionalmente encontrada em ambientes antrópicos, como bananais e cafezais (Holt et al. 1999). Tem sido registrada principalmente em localidades a baixa altitude, entre o nível do mar e 500 m, raramente alcançando 1400 m. Aparentemente é incomum, podendo entretanto passar facilmente desapercebida (Sick, 1997). No Espírito Santo, que representa o limite norte de distribuição da subspécie S. h. albomarginata, a espécie tem sido observada no Município de Santa Teresa entre 600 e 900 m de altitude (Forrester 1993, Willis e Oniki 2002), havendo também um exemplar coletado no Município de Linhares, próximo ao nível do mar (Willis e Oniki 2002). A. Rabello Pereira (obs. pes.) têm registrado a espécie na Catedral São Pedro de Alcantara Petrópolis/RJ, indicando que a espécie pode habitar também centros urbanos. Devido à escassez de informações e comportamento incospícuo, a S. huhula é considerada uma "espécie_fantasma" (Menq, 2011).
• Áreas de ocorrência recente e Status populacional: No estado do Paraná, aparentemente a coruja-preta está restrita à Floresta Estacional Semidecidual, haja vista a localização dos dois únicos registros conhecidos para o Estado, um para a região noroeste (Scherer-Neto & Straube, 1995) o outro para a região norte (Bornschein & Reinert, 2000). Recentemente foi registrada no município de Fênix por Esclarski et al (2011), indicando que a espécie ainda persiste na região. Em Santa Catarina foi observada por Jorge Albuquerque em Santo Amaro da Imperatriz (Rosário 1996). No Espírito Santo foi registrada na Reserva Biológica Augusto Rushi (Willis & Oniki, 2002) e na Reserva Biológica Santa Lúcia (Simon, 2000). No Rio de Janeiro conta com registros na região do maciço da Tijuca (Gonzga & Castiglioni, 2004) e Petrópolis (obs. pes. A. Rabello Pereira). Em Minas Gerais no Parque Municipal Ursulina de Andrade Melo, em Belo Horizonte (Vasconcelos & Diniz, 2008). Na região norte conta com alguns registros no Parque Nacional do Jaú, na Reserva Ducke em Manaus, e no centro-oeste na região de Vila Bela da Santíssima Trindade e no Pantanal (ICMBio 2008).
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
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São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009). |
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Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Vulnerável (Simon et al, 2007). |
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Santa Catarina: Em Perigo (Ignis, 2008). |
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Coruja-preta Strix huhula. Itapoá - SC.
Foto: Beto Vieira |

Coruja-preta (Strix huhula). Poconé/MT, Setembro de 2010. Foto: Luis Florit |

Catedral São Pedro de Alcantara - Petrópolis/RJ, Setembro de 2010. Foto: Anderson Rabello Pereira |
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Coruja-preta encontrada machucada sob cuidados médicos. Itapoá - SC. Foto: Beto Vieira |
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

Contato
• Referências:
Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Bornschein, M. R. & B. L. Reinert. (2000). Aves de três remanescentes florestais do norte do Estado do Paraná, sul do Brasil, com sugestões para a conservação e manejo. Rev. Bras. Zool. 17 (3): 615-636.
Esclarski, P. ; Yoshimoto, M. ; ZANON, C. M. V. (2011). Riqueza e Abundância de Strigiformes em Dois Fragmentos florestais do Municipio de Fênix, PR, BR. In: XVIII Congresso Brasileiro de Ornitologia, 2011, Cuiabá/MT. Anais do XVIII Congresso Brasileiro de Ornitologia.
Forrester, B. C. (1993) Birding Brazil, a check-list and site guide. Irvine: John Geddes.
Gonzaga, L. P. & G. D. A. Castiglioni (2004) Registros recentes de Strix huhula no Estado do Rio de Janeiro (Strigiformes: Strigidae). Ararajuba 12 (2): 141-144.
Holt, D. W., R. Berkley, C. Deppe, P. L. Enríquez Rocha, J. L. Petersen, J. L. Rangel Salazar, K. P. Segars e K. L. Wood (1999) Black-banded-Owl. In: J. del Hoyo, A. Elliott e J. Sargatal (orgs.) Handbook of the birds of the world, vol. 5. Barn Owls to Hummingbirds. Barcelona: Lynx Edicions. p. 205.
ICMBio (2008). Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina. Brasília: Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas. 136 p.
Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. (2004) Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.
Menq, S. (2011) Aves de Rapina Brasil - Espécies Fantasmas. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/especies_fantasmas.htm > Acesso em: Setembro de 2011.
Partridge, W. H. (1956) Variaciones geograficas en la Lechuza Negra, Ciccaba huhula. Hornero 19:143–146.
Rosário, L. A. do. (1996) As aves em Santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis: Fatma.
Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. (2009). Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
SIMON, J. E. et al. (2007). As aves ameaçadas de extinção no Estado do Espírito Santo. In: MENDES, S.L.; PASSAMANI, M. (Org.). Livro vermelho das espécies da fauna ameaçada de extinção no Estado do Espírito Santo. Vitória, ES: Ipema, 2007b. p. 47-64.
Scherer-Neto, P. & F. C. Straube. (1995). Aves do Paraná: história, lista anotada e bibliografia. Campo Largo: Logos Press, 79 p.
Vasconcelos, M. F. & Diniz, M. G. (2008). 170 years after Lund: rediscovery of the Black-banded Owl Strix huhula in the metropolitan region of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil (Strigiformes: Strigidae). Revista Brasileira de Ornitologia, 16(3):277-280.
Willis, E. O. e Y. Oniki (2002) Birds of Santa Teresa, Espírito Santo, Brazil: do humans add or subtract species? Papéis Avulsos de Zool., S. Paulo 42:193–264.