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Mocho-dos-banhados
(Asio flammeus)

Asio flammeus (Pontoppidan, 1763)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome popular: Mocho-dos-banhados

Outros nomes: Coruja-dos-banhados
Nome em inglês: Short-eared Owl
Tamanho: 37 cm de comprimento
Habitat:
Campos, Banhados
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.



Distribuição no Brasil:



Status: (DD) Dados desconhecidos


Asio flammeus Fazenda Nova Suécia - Sacramento/MG, Nov 2009. Foto: Alessandro Abdala


Vocalização de alarme - defendendo área do ninho
(gravado por: Nunes D'Acosta)

• Descrição: A mocho-dos-banhados, espécie de boa envergadura e tamanho, mede cerca de 37 cm de comprimento, e pesa cerca de 206-396 g (machos) e 260-475 g (fêmeas). Apresenta aspecto delgado e partes inferiores finamente estriadas, possui penas na cabeça em formato de orelhas. Assim como outras corujas, possui tarsos e dedos recobertos por penas (Sick, 1997).

• Alimentação: Em grande parte da área de distribuição a mocho-dos-banhados é uma especialista em pequenos mamíferos, sobretudo roedores, mas também se alimenta de insetos.

• Reprodução: Essa espécie constroi seu ninho diretamente no solo pântanoso, ou em meio ao capim, debaixo de arbustos ou até mesmo em uma suave depressão (Pearson, 1936). O número de ovos é bastante variável, dependendo da abundância de presas. As posturas mais frequentes é de 4 a 8 ovos, podendo chegar até a 16. Em um ninho encontrado no interior do Paraná (Peabirú), foi constatado a postura de dois ovos, em um ninho construído no meio do capim (obs. pess. Willian Menq). A fêmea realiza a incubação no ninho, que pode durar de 24 a 29 dias. Os filhotes podem abandonar o ninho muito cedo, mesmo antes de aprenderem a voar, isso porque ficam no solo e se tornam bastante vulneráveis a outros predadores. A mocho-dos-banhados no período reprodutivo é bastante agressiva, defende seu ninho com vôos rasantes contra intrusos afim de intimidá-los (obs. pess. Willian Menq).


Ninho de Asio flammeus, escondido pela vegetação. Peabiru - PR. 2008. Foto: Willian Menq

Asio flammeus em vôo sobre o ninho, Peabiru/PR Set 2008. Foto: Willian Menq

• Distribuição Geográfica: Espécie bastante comum nas regiões setentrionais da Europa e Ásia, na America do Sul é encontrada em países como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Sul da Bolívia, seguindo pela porção Andina do Peru, Equador, Colômbia e Venezuela (Sigrist, 2006).

No Brasil ocorre de Minas Gerais e São Paulo até o Rio Grande do Sul. Recentemente foi registrada por Freitas e França (2009) na região nordeste do Brasil, registro feito no distrito de Coaceral, município de Formosa do Rio Preto. Tal registro inédito amplia em 430 km a distribuição de Asio flammeus para a região Nordeste do Brasil, sendo o registro mais próximo na região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Freitas e França, 2009).

• Subspécies: A. f. bogotensis: Colômbia, Equador e noroeste do Peru; A. f. domingensis: Hispaniola e Cuba; A. f. flammeus: Ásia, Europa e América do Norte; A. f. galapagoensis: Ilhas Galápagos; A. f. pallicaudus: norte da Venezuela e Guiana; A. f. ponapensis: Ilha Carolina; A. f. portoricensis: Porto Rico; A. f. sandwichensis: ilhas havaianas; A. f. sanfordi: Ilhas Falklands; A. f. suinda: sul do Peru, oeste da Bolívia, Paraguai, sudeste do Brasil até a Tierra del Fuego (ICMBio, 2008).

• Migração: No hemisfério norte, trabalhos com anilhamento desta espécie indicaram migrações norte/sul e oeste/sudoeste da raça A. f. flammeus, sendo que a subspécie brasileira (A. f. suinda) não apresenta indícios (ICMBio, 2008).

• Hábitos/Informações Gerais: Habita campos abertos e banhados onde pode ser visualizada caçando mesmo durante o dia, pousando sobre o solo ou peneirando. Pode ser ativa tanto de dia como de noite e também no crepúsculo. A atividade em todos os períodos pode estar relacionada a fatores como escassez de presas e necessidade de alimentar filhotes. Com esses habitos campestres e diurnos torna-se uma espécie inconfundivel pelos seus habitos lembra muito o gavião-do-mangue Circus buffoni tanto pelos hábitos como pelo modo de vôo a baixa altura e lento (obs. pess. Willian menq).

• Status nas listas vermelhas estaduais: Embora seja uma ave de distribuição global, no Brasil essa espécie consta nas listas vermelhas de alguns estados como Paraná e São Paulo.

  Paraná: Dados desconhecidos - DD (Mikich & Bérnils, 2004).
  São Paulo: Em Perigo - EN (Silveira et al., 2009).
  Rio Grande do Sul: Dados desconhecidos - DD (ICMBio, 2008).
  Minas Gerais: Provavelmente ameaçada - DD (ICMBio, 2008).
  Santa Catarina: Vulnerável - VU (Ignis, 2008).

• Ameaças e Medidas para conservação: A mocho-dos-banhados, assim como toda uma variedade de aves que ocupam áreas de Cerrado e campos naturais, possivelmente se encontra ameaçada pela supressão dessas paisagens pela inserção e proliferação da agropecuária e da cultura de arbóreas exóticas (especialmente pínus) (Mikich & Bérnils, 2004).

As medidas emergenciais a serem tomadas para a proteção desta espécie, extensivas a toda uma variedade de aves campícolas, é a proteção e recuperação de seus hábitats naturais mediante a criação ou ampliação de unidades de conservação que amparem e permitam a regeneração da paisagem dos campos naturais paranaenses. Com especial ênfase ao diagnóstico dos micro-ambientes campestres ocupados por esta espécie, são necessários estudos visando um maior grau de detalhamento de suas características biológicas, ecológicas e de distribuição, fornecendo pormenores de suas exigências ambientais e, conseqüentemente, medidas conservacionistas mais efetivas (Mikich & Bérnils, 2004).


A. flammeus registrada em Formosa do Rio Preto/BA. Registro inédito desta espécies para esta região do Brasil. Foto: Marco Antônio de Freitas

A. flammeus registrada em Formosa do Rio Preto/BA. Registro inédito desta espécies para esta região do Brasil. Foto: Marco Antônio de Freitas

:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



Contato


• Referências:

Freitas, M. A. França, D. P. F. 2009. Primeiro Registro do Mocho-dos-banhados Asio Flammeus Aves; Strigidae para o Nordeste Brasileiro. Atualidade Ornitológicas n 148, p 15.

ICMBIO, 2008. Plano de ação nacional para a conservação de aves de rapina / Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas. – Brasília: 136 p. ; il. color. : 29 cm. (Série Espécies Ameaçadas, 5).

Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. 2004.Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná.

Pearson, T. G., ed. 1936. Birds of America. Garden City Books, Garden City.

Sick, H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.

Silveira, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Sigrist, T. 2006. Aves do Brasil, uma visão artistica. Editora AvisBrasilis, São Paulo, 672p.