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Ordem Strigiformes

Ordem Strigiformes
(Corujas do Brasil)


Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
Foto: Sávio Drummond

A Ordem Strigiformes é o grupo pertencente as aves de rapina noturnas como os mochos e corujas. São criaturas fantásticas, algumas as consideram aves maravilhosas, outros muitos, porém, ainda as associam a assustadores sinais de infortúnio, aves de mau agouro, o que é lamentável. Na verdade seus hábitos noturnos e suas estranhas habilidades dão margem a tais associações. São encontradas em todos os habitats, florestas densas, campos abertos, desertos, áreas de clima frio, bosques, áreas rurais e inclusive tem algumas espécies que habitam centros urbanos, são aves que não transmitem doenças. As corujas são aves bastante antigas. As espécies dessa família, possuem espécies próximas espalhadas por todos os continentes, menos na Antártica e em algumas ilhas oceânicas como Havaí e Nova Zelândia. A família é provavelmente originária da Europa, e já existia no Período Terciário Inferior, há 100 milhões de anos. As corujas são frequentemente associadas a outras aves de hábitos noturnos, como o bacurau, ou ainda ao gavião, devido à semelhanças físicas e hábitos alimentares. Mas não há parentesco entre eles.

Características gerais:
São caçadoras eficientes, possuem olhos grandes voltados para a frente o que lhes confere uma visão binocular; a audição é muito especializada e algumas espécies possuem os ouvidos dispostos assimetricamente na cabeça, auxiliando na localização das fontes de som; as rêmiges são macias tornando possível um vôo silencioso. Além disso, são extremamente atentas ao ambiente podendo girar sua cabeça em até 270°. São aves tímidas, geralmente solitárias, consideradas entre os predadores mais sofisticados do mundo.

A habilidade de localizar um animal em movimento, apenas por intermédio de uma parte do espectro de frequências que compõem o seu ruído, se deve a um ouvido muito especial. Para explicá-lo, os ornitólogos costuma compará-lo a um microfone de radar colocado no foco de uma parabólica. A parabólica é o disco facial de penas que a coruja apresenta ao redor do ouvido; o microfone, o próprio ouvido. Movendo-se sob a ação de músculos, esse disco de penas amplia o volume e dirige o som para o ouvido como se fosse uma parabólica, facilitando a localização do ruído. As falsas orelhas ou penachos, além de ornamentais, assustam os inimigos. Quando se sente ameaçada, a coruja arrepia os martinetes, atemorizando os predadores. Os grande olhos, quase imóveis, tem um campo visual bastante limitado. A cabeça, todavia, compensa essa desvantagem. É ágil e gira até 270º. Para ajudar na focalização as corujas balançam a cabeça lateralmente. Quando a ave está calma, fecha os olhos puxando lentamente a pálpebra inferior para cima. Quando agitada ou nervosa, pisca rapidamente, batendo as pálpebras superiores. O tamanho e o peso variam conforme a espécie. A maioria delas é relativamente leve. Um corujão pesa vinte vezes mais que um caburé. As garras, quatro dedos cada, permitem ao dedo externo virar para trás para segurar a presa, trabalhando junto como o hálux, o dedo menor.


A. Pena de vôo de um pombo, bastante rígida e causa turbulência no vôo
B. Pena de vôo de uma coruja, bastante macia garante o vôo silencioso

A plumagem é macia, o que também favorece o voo silencioso. O colorido é escuro, permitindo à ave passar desapercebida no meio onde vive. A cor varia, mas quase todas tem, em forma de adaptação ao meio, uma fase ferrugínea. A coruja-de-crista ou coruja-de-carapaça (Lophostrix cristata), Suindara (Tyto alba) e o murucututu (Pulsatrix perspicillata) fogem à regra: tem a penagem esbranquiçada ou amarelada. O colorido que camufla a coruja é útil para escondê-la durante o dia. Difícil é para os ornitólogos tentarem identificá-la. Eles precisam prestar atenção nos ruídos emitidos. Cada coruja tem seu pio característico, e sua vocalização é tão importante para caracterizá-la que o respeitado ornitólogo Helmut Sick, ao registrar o som emitido pela corujinha-sapo (Megascops atricapilla), em 1969, reabriu oficialmente o estudo da espécie, diferenciando-a da corujinha-orelhuda (Megascops watsonii). As corujas, quando gritam não abrem o bico. E, todas elas, até mesmo os filhotes, costumam bater as mandíbulas, matraqueando noite adentro. As corujas gostam de tomar banho de chuva e nem se molham por possuírem as penas lubrificadas por um óleo à prova-d’água, que elas passam no corpo. A coruja-buraqueira toma banho de poeira, correndo pelo chão.

Alimentação:
Como outras aves noturnas, caça no período que vai do começo da noite até por volta das 21 horas. O fato de ser ave de hábitos noturnos, a elimina da competição por alimento como os Falconiformes, também rapineiros, que caçam durante o dia.
A alimentação nas corujas é variada: a maioria das espécies brasileiras é especializada na caça de artrópodes como gafanhotos, baratas, besouros; muitas também se alimentam de roedores e aves. Corujas maiores podem predar gambás, morcegos, lagartos, rãs, sapos e cobras. A reação de outras aves na presença das corujas é bem interessante, quando estes as descobrem de dia em seus esconderijos, irritados, lançam gritos de advertência aos outros, revelando também a presença da coruja ao homem. Quando molestada pelos pássaros, a coruja se mostra indiferente por algum tempo, mas acaba mudando de local. As corujas, ao contrário dos gaviões, não digerem o material ósseo de suas presas. Pequenos crânios, bicos, pés e unhas de aves, pêlos, penas e escamas são devidamente regurgitados na forma de pelotas. Por meio delas os estudiosos identificam espécies raras de roedores silvestres e localizam com maior precisão o habitat de certas espécies de corujas.


Caburé (Glaucidium brasilianum)
Foto:
Ivan Angelo
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Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koenilswaldiana). Foto: Luciano Monferrari

Especialmente adaptadas para a caça, as corujas estão entre os mais eficientes predadores de pequenos roedores. No entanto, apesar dos benefícios que trazem ao homem com o controle populacional que exercem sobre ratos e ratazanas, essas aves são perseguidas em praticamente todo o mundo, inclusive no Brasil, por serem tidas como agourentas. No mundo atual, dá-se pouca importância a um grupo de aves que, talvez há milhões de anos, tem atuado expressivamente nos controles das populações de roedores, como os ratos, que hoje assolam áreas ocupadas pelo homem. Tais aves que mereciam proteção, são na verdade perseguidas, em função da crença generalizada de que sua presença trás má sorte e seu canto é agourento.

Reprodução:
A fêmea tem ovários e o macho, testículos, que são internos e portanto, não visíveis. As fêmeas, geralmente maiores, emitem sons roucos e mais altos. O casal canta em dueto, ou fica tagarelando em sílabas. Durante a reprodução, que ocorre na primavera, os ruídos são mais altos. Dias depois vem a postura. A incubação das corujas em geral dura de 23 a 28 dias. A fêmea começa a chocar logo após ter posto o primeiro ovo. Por isso, os ovos tem um tempo diferente de eclosão e os filhotes, portanto tamanhos diferentes. Os ovos são redondos, podendo, porém, variar de tamanho até na mesma postura; alguns ficam ovalados. Enquanto a fêmea choca os ovos, o macho é encarregado de protegê-la e conseguir alimento. As corujas tem o hábito de criar seus filhotes em ninhos abandonados por outras aves, como cavidades em árvores, buracos feitos por pica-paus. Algumas espécies fazem ninhos simples no chão, botando os ovos na própria grama; outras utilizam-se de buracos ocos nas árvores ou mesmo em cupinzeiros. Os filhotes saem do ninho com três a cinco semanas de vida. Antes disso são alimentados pelos pais, que trazem no bico, insetos e pedaços de roedores. A penugem dos filhotes é substituída por uma segunda geração de plumagem, formada completamente quando a ave está apta para o seu primeiro voo, alguns dias depois de deixar o ninho. Em periodo de fartura de alimento muitas corujas podem se reproduzir por mais de uma vez no ano, e em épocas de escassez a ninhada é menor.

Existe pouco mais de 100 espécies em todo o mundo, distribuidas nos mais variados ambientes (exceto a antártica). No Brasil, de acordo com o CBRO são 23 espécies de corujas. Esta ordem está dividida atualmente em 2 familias: Strigidae e Tytonidae.


Corujinha-do-mato (Megascops choliba)
Foto
Balthasar Meili

Filhote de B.virginianus no solo.
Foto:
Douglas P.R. Fernandes

• Família Strigidae: Esta família é a mais numerosa dentro dos strigiformes. Possuem plumagem extremamente macia, vôo silencioso devido a adaptação especial das penas que elimina turbulências durante o vôo que poderia trair a coruja em suas caçadas além de atrapalhar a orientação acústica da própria ave (Thorpe & Griffin 1962). Possuem olhos grandes, praticamente imóveis dentro de seu crânio, campo visual limitado na qual é compensada com a excelente capacidade de girar a cabeça a quase 360 graus. Durante a noite a pupila se abre deixando entrar toda a luz possivel. A maioria das espécies dessa família são noturnas existindo algumas espécies diurnas (como a Asio flammeus, Athene cunicularia, etc). O dedo externo (nº4) pode virar voluntariamente para trás reforçando o hálux para segurar a presa além de aumentar a superfície de contato para captura da mesma.

• Família Tytonidae: Esta família contém apenas um gênero o Tyto. No Brasil os Tytonideos são representados por apenas uma espécie: a Suindara Tyto alba. São aves esbeltas e possuem um disco facial em forma de coração, ao contrário das outra família que possuem um disco facial redondo.Apesar de serem noturnas as Suindaras podem caçar durante o dia.

Veja também:

• Espécies de Corujas existentes no Brasil
• Corujas: Predadoras da noite (matéria)
• As Corujas Brasileiras (matéria)
• Corujas: Crendices que condenam (matéria)


Texto Compilado por: Willian Menq em 2011. ::


 


Ordem Strigiformes


Bibliografia utilizada:

Burton, J.A. ed.1973. Ows of the world: their evolution, structure and ecology. Milano, Librex. 216 p.

Konig, Claus & Weick, Friedhelm - “Owls of the World”, 2a edição - 2008 - Christopher Helm - Londres - páginas 447 e 448.

Motta-Junior, J. C.; Bueno, A. A.; Braga, A. C. R. Corujas Brasileiras. Departamento de Ecologia, Instituto de Biociências da USP. Texto disponível em: < http://www.ib.usp.br/labecoaves/PDFs/pdf30CorujasIBC.pdf > Acesso em Junho de 2010.

Owl Pages - Information, Pictures, Sounds, from The Owl Pages. Disponivel em <http://www.owlpages.com> Acesso em Fevereiro de 2010.

Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.