
Coruja Buraqueira. Foto: Willian Menq S.
A
ordem Striformes é o grupo pertencente as aves de rapina noturnas
como os mochos e corujas. São criaturas fantásticas, algumas as consideram aves maravilhosas, outros muitos, porém, ainda as associam a assustadores sinais de infortúnio, aves de mau agouro, o que é lamentável. Na verdade seus hábitos noturnos e suas estranhas habilidades dão margem a tais associações. São encontradas em todos os habitats, florestas densas, campos abertos, desertos, áreas de clima frio, bosques, áreas rurais e inclusive tem algumas espécies que habitam centros urbanos, são aves que não transmitem doenças. São caçadoras eficientes, possuem olhos grandes voltados para a frente o que lhes confere uma visão binocular; a audição é muito especializada e algumas espécies possuem os ouvidos dispostos assimetricamente na cabeça, auxiliando na localização das fontes de som; as rêmiges são macias tornando possível um vôo silencioso. Além disso, são extremamente atentas ao ambiente podendo girar sua cabeça em até 270°. São aves tímidas, geralmente solitárias, consideradas entre os predadores mais sofisticados do mundo.
A habilidade de localizar um animal em movimento, apenas por intermédio de uma parte do espectro de frequências que compõem o seu ruído, se deve a um ouvido muito especial. Para explicá-lo, os ornitólogos costuma compará-lo a um microfone de radar colocado no foco de uma parabólica. A parabólica é o disco facial de penas que a coruja apresenta ao redor do ouvido; o microfone, o próprio ouvido. Movendo-se sob a ação de músculos, esse disco de penas amplia o volume e dirige o som para o ouvido como se fosse uma parabólica, facilitando a localização do ruído. As falsas orelhas ou penachos, além de ornamentais, assustam os inimigos. Quando se sente ameaçada, a coruja arrepia os martinetes, atemorizando os predadores. Os grande olhos, quase imóveis, tem um campo visual bastante limitado. A cabeça, todavia, compensa essa desvantagem. É agil e gira até 270º. Para ajudar na focalização as corujas balançam a cabeça lateralmente. Quando a ave está calma, fecha os olhos puxando lentamente a pálpebra inferior para cima. Quando agitada ou nervosa, pisca rapidamente, batendo as pálpebras superiores. O tamanho e o peso variam conforme a espécie. A maioria delas é relativamente leve. Um corujão pesa vinte vezes mais que um caburé. As garras, quatro dedos cada, permitem ao dedo externo virar para trás para segurar a presa, trabalhando junto como o hállux, o dedo menor.

A. Pena de vôo de um pombo, bastante rígida e causa turbulência no vôo
B. Pena de vôo de uma coruja, bastante macia garante o vôo silencioso
A plumagem é macia, o que também favorece o voo silencioso. O colorido é escuro, permitindo à ave passar desapercebida no meio onde vive. A cor varia, mas quase todas tem, em forma de adaptação ao meio, uma fase ferrugínea. A coruja-de-crista ou coruja-de-carapaça (Lophostrix cristata) e o murucututu (Pulsatrix perspicillata) fogem à regra: tem a penagem esbranquiçada ou amarelada, contrastando com a face negra. O colorido que camufla a coruja é útil para escondê-la durante o dia. Difícil é para os ornitólogos tentarem identificá-la. Eles precisam prestar atenção nos ruídos emitidos. Cada coruja tem seu pio característico, e sua vocalização é tão importante para caracterizá-la que o respeitado ornitólogo Helmut Sick, ao registrar o som emitido pela corujinha-sapo(Megascops atricapilla), em 1969, reabriu oficialmente o estudo da espécie, diferenciando-a da corujinha-orelhuda (Megascops watsonii). As corujas, quando gritam não abrem o bico. E, todas elas, até mesmo os filhotes, costumam bater as mandíbulas, matraqueando noite adentro. As corujas gostam de tomar banho de chuva e nem se molham por possuírem as penas lubrificadas por um óleo à prova-d’água, que elas passam no corpo. A coruja-buraqueira toma banho de poeira, correndo pelo chão.
Especialmente adaptadas para a caça, as corujas estão entre os mais eficientes predadores de pequenos roedores. No entanto, apesar dos benefícios que trazem ao homem com o controle populacional que exercem sobre ratos e ratazanas,essas aves são perseguidas em praticamente todo o mundo,inclusive no Brasil, por serem tidas como agourentas. No mundo atual, industrializado e informatizado, dá-se pouca importância a um grupo de aves que, talvez há milhões de anos, tem atuado expressivamente nos controles das populações de roedores, como os ratos, que hoje assolam áreas ocupadas pelo homem. Tais aves que mereciam proteção, são na verdade perseguidas, em função da crença generalizada de que sua presença trás má sorte e seu canto é agourento.
Existe pouco mais de 100 espécies
em todo o mundo, distribuidas nos mais variados ambientes (exceto
a antártica). No Brasil, de acordo com o CBRO são 23 espécies de corujas. Esta ordem está dividida atualmente
em 2 familias: Strigidae e Tytonidae.
Família Strigidae: Esta familia é a mais numerosa dentro dos strigiformes. Possuem
plumagem extremamente macia, vôo silencioso devido a adaptação
especial das penas que elimina turbulências durante o vôo que
poderia trair a coruja em suas caçadas além de atrapalhar a orientação
acústica da própria ave (Thorpe & Griffin 1962). Possuem olhos
grandes, praticamente imóveis dentro de seu crânio, campo visual
limitado na qual é compensada com a excelente capacidade de girar
a cabeça a quase
360 graus. Durante a noite a pupila se abre deixando entrar toda
a luz possivel. A maioria das espécies dessa familia são noturnas
existindo algumas espécies diurnas (como a Asio flammeus,
Athene cunicularia, etc). O dedo externo (nº4) pode virar
voluntariamente para trás reforçando o hálux para segurar a presa
além de aumentar a superficie de contato para captura da mesma.
Família Tytonidae: Esta familia contém apenas um gênero o Tyto. No Brasil os Tytonideos são representados por apenas uma
espécie: a Suindara Tyto alba. São aves esbeltas
e possuem um disco facial em forma de coração, ao contrário
das outra familia que possuem um disco facial redondo.Apesar
de serem noturnas as Suindaras podem caçar durante o dia.

Suindara (Tyto alba). Foto: Izaltino Guimarães
Strigiformes do Brasil |
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Família Tytonidae
- Tyto alba - Suindara
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Família Strigidae
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Glaucidium brasilianum - caburé
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Texto Compilado por: Willian Menq S. em 2010. ::