INICIO > AVES DE RAPINA > ÁGUIA-CHILENA
   

Águia-chilena
(Buteo melanoleucus)

Buteo melanoleucus (Vieillot, 1819)
Ordem: Falconiformes
Família: Accipitridae
Grupo:
Águias
Nome popular: águia-chilena
Outros Nomes: gavião-pé-de-serra
Nome em inglês:
Black-chested buzzard eagle
Tamanho: 68 cm de comprimento
Habitat:
Campos, borda de matas
Alimentação:
Pequenos vertebrados

Distribuição no Brasil:


Status: (LC) Baixo risco


Águia Chilena na Serra do Umbuzeiro - Paulo Afonso - BA. Janeiro de 2008. Foto: Cláudio Santos


Vocalização de chamado (A) - (gravado por: Juan M. Barnett)

• Descrição: A Águia chilena Buteo melanoleucus até pouco tempo era incluída no gênero Geranoaetus. Mas de acordo as ultimas análises moleculares a águia chilena saiu como espécie irmã de Buteo albicaudatus e B. polyosona, com base nisso, o gênero monoespecífico Geranoaetus foi incluido em Buteo (Clark and Schmitt, 2006). Atinge aproximadamente 68 cm de comprimento, possui quase dois metros de envergadura, dotada de asas compridas e largas e cauda curta. Os machos pesam em média 1,6 quilos e as fêmeas até 3 quilos (Marquez, 2005). Sua plumagem nos adultos, apresentam a parte dorsal cinza escuro ou marrom bem escuro e coberteiras finamente barradas de preto. A cabeça e o pescoço de mesma coloração escura com o peito e partes inferiores brancas. Os indivíduos imaturos apresentam plumagem diferenciada sendo boa parte de marrom escuro rajado de castanho, similar aos individuos imaturos de Buteo albicaudatus, diferenciando-se principalmente pela silhueta (Marquez et al, 2005; Blake 1977).

• Alimentação: Essa ave apresenta poderoso e veloz vôo, dotadas de grandes olhos, aspectos estes que auxiliam na caça às suas presas preferenciais como outras aves (Como, filhotes de joão-de-barro e andorinhões), cobras e até mesmo pequenos animais como mamíferos e coelhos. Pode também comer carniça ocasionalmente(Sick, 1997). Na Colômbia sua presa favorita são levres do gênero Sylvilagus e caçando eventualmente patos, répteis e insetos (Marquez et al, 2005). Marquez et al (2005) descreve que a Águia chilena em suas atividades de caça, costuma voar geralmente a 40 - 50 metros do solo para detectar a presa para então descer rapidamente até ela.

• Reprodução: Na época de reprodução realizam maravilhosos vôos nupciais. Constrói seu ninho em escarpas rochosas com galhos secos, botam de 1 a 3 ovos com período de 30 dias de incubação (Marquez et al, 2005). Os filhotes são alimentados durante seus primeiros 4 ou 5 meses de vida, sendo que as águias dão preferência à utilização de apenas um mesmo ninho por toda vida. Durante os primeiros vôos dos jovens filhotes, inexperientes costumam pousar em áreas abertas próximas ao ninho onde são facilmente capturados pelas pessoas, ja que ele é possui um pesado e lento vôo (Sick, 1997; Marquez et al, 2005).

Salvador-Junior et al (2008) realizaram observações em um ninho desta espécie no município de Belo Horizonte/MG, foram dedicadas 383 h de observações no ninho da águia-chilena e durante este período foram descritos aspectos relacionados ao comportamento reprodutivo da espécie. Foram registradas sessenta e seis cópula ocorridas entre junho e julho, sendo realizadas sempre fora do ninho. Apesar de ambos os sexos participarem de todas as atividades relacionadas ao ciclo reprodutivo, estes exerceram papéis diferenciados durante o decorrer do mesmo, estando a fêmea associada a maior dedicação na incubação e no cuidado parental e o macho a captura da maioria das presas. O sucesso reprodutivo foi de apenas um filhote, que abandonou o ninho em definitivo com cinqüenta e seis dias de vida. Comportamento agonístico por parte dos membros do casal foi registrado frente aos pesquisadores e a três espécies de aves de rapina. A dieta da espécie foi composta principalmente por pombos domésticos, refletindo desta maneira, um acentuado oportunismo trófico na área de estudo (Salvador-Junior et al. 2008). Mais sobre reprodução..


Águia chilena levando alimento a seu filhote no ninho. Na ocasião a presa era uma pequena ave, momento unico. Serra da Canastra - Minas Gerais . Foto: Geiser Trivelato

• Distribuição Geográfica: Ocorre das Cordilheira dos Andes até o sul da Argentina. Habita montanhas e nos campos. No Brasil pode ser encontrado no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, nordeste da Bahia, Maranhão, Piauí indo até o Rio Grande do Norte (Sick, 1997).

• Subspécies: São conhecidas duas subspécies, Buteo melanoleucus australis: distribui pela Venezuela, pelos países da Cordilheira dos Andes até a terra do fogo. Buteo melanoleucus melanoleucus: Distribui pelo Brasil até Bolivia, Paraguai, norte da Argentina e Uruguai (Marquez et al, 2005; Blake 1977).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Rio Grande do Sul: Vulnerável (Marques, et al. 2002).
  Rio de Janeiro: Dados desconhecidos (Alves, et al. 2000).

• Hábitos/Informações Gerais: Pode ser observada sobrevoando regiões montanhosas e campestres. A águia chilena é identificada no vôo por sua cauda em forma de cunha curta que projeta-se mal em suas asas longas e largas. Plana muito proximo a areas montanhosas onde fica por muito tempo planando a procura de comida, conhecida também como gavião-pé-de-serra.


Aguia chilena do alto de um morro. Minas Gerais
Foto:
Kássius Santos

:: Página editada por: Willian Menq S. em 2010. ::

Contato

• Referências:

Alves, M. A. dos S., J. F. Pacheco, L. A. P. Gonzaga, R. B. Cavalcanti, M. A. Raposo, C. Yamashita, N. C. Maciel & M. Castanheira (2000) Aves, 113-124 In: H. de G. Bergallo, C. F. D. da Rocha, M. A. dos S. Alves e M. Van Sluys (orgs.) A fauna ameaçada de extinção do estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Blake, E. R. (1977) Manual of Neotropical Birds. The University of Chicago Press. Chicago and London.
674 páginas.

Ferguson-Lees, J. e D. A. Christie (2001) Raptors of the World. New York: Houghton Mifflin Company.

Márquez, C., Gast, F., Vanegas, V. & M. Bechard. (2005) Aves Rapaces Diurnas de Colombia. Bogotá: Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt. 394 p

MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, and E.P.M. Carvalho Filho. (2007) Breeding biology, diet, and distribution of the Black-chested Buzzard-eagle (Geranoaetus m. melanoleucus) in Minas Gerais, southeastern Brazil. Pp. 40-46 in K.L Bildstein, D.R. Barber, and A. Zimmerman (eds.), Neotropical raptors. Hawk Mountain Sanctuary, Orwigsburg, PA.

Salvador-Junior, L. F.; Salim, L. B.; Pinheiro, M. S.; Granzinolli, M. A. (2008) Observations of a nest of the Black-chested Buzzard-eagle Buteo melanoleucus (Accipitridae) in a large urban center in southeast Brazil. Revista Brasileira de Ornitologia, 16(2):125-130.

Sick, H. (1997) Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p.



 
 


"A Favor da PreservAção"
Home
| Espécies| Arquivos | Mais sobre aves de rapina | Quem Somos | Contato | Links

Aves de Rapina Brasil © Copyright 2008 - Informações editadas por: Willian Menq S.

Proibida a reprodução total do conteúdo sem aviso prévio aos autores. Leia os termos de uso.