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Murucututu
(Pulsatrix perspicillata)

Pulsatrix perspicillata (Latham, 1790)
Ordem: Strigiformes
Família:
Strigidae
Nome em inglês: Spectacled Owl
Outros nomes: coruja-de-garganta-preta
Tamanho: 48 cm de comprimento
Habitat:
Florestas, borda de matas
Alimentação:
Pequenos vertebrados e insetos.


Distribuição no Brasil:



Status: (LC) Baixo risco

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Murucututu fotografada em Caiman - Miranda/MS. Agosto 2010
Foto:
Douglas Fernandes


Vocalização típica [A] - (gravado por: Bernabe Lopez-Lanus)

• Descrição: A Murucututu é uma coruja grande, mede aproximadamente 48 cm de comprimento. Não apresentam dimorfismo sexual, a fêmea as vezes pode ser maior, cerca de 680-906g e o macho 453-680g. Sua característica mais marcante é uma faixa branca que se estende desde a sobrancelha até a lateral do bico, num desenho que lembra a letra X. O restante da face é rufa, a região ventral é creme barrada de rufo, o peito é constituído por manchas rufas que quase se encontram na região mediana do tórax e o dorso é uniformemente marrom-escuro. A plumagem da ave juvenil é diferente da do adulto, da mesma forma que as outras corujas. o filhote tem uma penugem branca ou amarelada contrastando com o disco facial preto (Mikich e Bérnils, 2004).

• Status nas listas vermelhas estaduais:

  Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004).
  Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002).
  São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009).

• Alimentação: A alimentação é variada, desde mamíferos do porte de um gambá até pequenas lagartas. Inclui outras aves na dieta e chega a capturar caranguejos nas praias. Espera a presa pousada em um galho, apanhando-a sobre o solo ou nas árvores (Mikich e Bérnils, 2004). Geralmente suas atividades de caça se dá nos periodos do crepúsculo e no começo da noite. Dentre algumas curiosidades, os sucos digestivos das corujas limpam os ossos, ficando inalterados os pêlos, penas e escamas, enquanto aos vegetais contidos nas pelotas provêm do conteúdo intestinal dos roedores devorados. As pelotas variam conforme a espécie e sua alimentação (Sick,1997; Silva et al, 1997).

Relato da predação de um bicho-preguiça: No Panamá, em 2009 o ornitólogo James Bryson Voirin encontrou evidências do ataque da murucututu (Pulsatrix perspicillata) contra um bicho-preguiça Bradypus variegatus (Voirin, et al., 2009). Foi encontrado um cadáver de uma preguiça-comum (Bradypus variegatus) morta com cinco perfurações pelo corpo, as marcas apontam que as perfurações foram feitas por uma grande coruja, análises forenses sugerem que o predador tenha sido uma murucututu P. perspillata (Voirin, et al., 2009). Os dados de telemetria, local do cadaver e fezes no reto e próximo ao cadáver na base da árvore sugerem que a preguiça foi descer até o chão para defecar quando foi morta pela coruja. Esse é o primeiro registro de P. perspicillata matar uma presa tão grande. Este evento também sugere que há um risco elevado para as preguiças descer ao chão para defecar (Voirin, et al., 2009). Detalhes desta predação extraordinária foi publicada pelos autores na Revista Edentata n° 8-10 de 2009. (link do PDF original)

• Reprodução:
Nidifica em ocos de árvores onde põe dois ovos brancos que medem aproximadamente 50,5 x 42,5 mm. A fêmea costuma começar a chocar após ter posto o primeiro ovo, o que resulta em um tempo diferente de eclosão e tamanho dos filhotes, diferenças ainda permanecem quando a prole abandona o ninho, em P. perspicillata a fêmea choca durante cerca de 5 semanas, os jovens deixam o ninho em 5-6 semanas, mas ficam com os pais por até um ano, mesmo após de formar as penas definitivas. Muitas vezes apenas um filhote sobrevive.

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Filhote de Murucututu. Margem do rio Verdinho - Itarumã/GO. Novembro, 2009. Foto: Danilo Mota
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Filhote de Murucututu. Parque Zoobotânico - Belém/PA, Agosto de 2009. Foto: Marcos Cruz

• Distribuição Geográfica: Ocorre do México à Bolívia, Paraguai e Argentina; tem grande distruição no Brasil provavelmente ocorrendo em todos os estados, sobretudo na Amazônia (Sick,1997).

• Hábitos/Informações Gerais: Pulsatrix perspicillata habita florestas, savanas, plantações e em áreas abertas com árvores dispersas, mostrando preferência por sítios próximos de corpos d’água, devido ao hábito de se banhar na chuva (Sick,1997). Durante o dia, dorme pousada em galhadas densas do interior da mata, as vezes em casais. Esta coruja pode estar ativa durante dias nublados. Descansa a alturas variáveis entre 2 m e o topo da copa. A presença de uma coruja, descoberta no seu esconderijo diurno, irrita certas aves, sobretudo Passeriformes, cujos gritos de advertência chamam vizinhos e revelam a presença da coruja inclusive ao homem. Além de molestarem tanto a coruja que acaba saindo a procura de outro esconderijo. Aves de rapina maiores, como alguns gaviões são os predadores naturais dessa espécie.

Segundo Miller citado por Sick (1997), ambos os sexos cantam, o casal de várias corujas cantam em dueto ou diálogo e as estrofes diferem, até certo ponto o da fêmea pode ser um pouco diferente, mais alta e rouca, devido ao tamanho menor da siringe. Não abrem o bico quando gritam, todos os filhotes estalam com o bico, batendo as mandíbulas. Como nas outras corujas, mais ouvida do que observada. Seu canto é um chamado grave, longo e um pouco descendente. O timbre lembra o som produzido por uma folha de zinco chacoalhada a distância, interpretado como murucututu. Conhecido também como corujão, coruja-do-mato, mocho-mateiro e coruja-de-garganta-preta. O disco facial da murucututu, assim como nas outras corujas, atua como um refletor parabólico dos sons, focando sons com freqüências acima de 5 Quilohertz no meato acústico externo, e amplificando-os em 10 decibéus (Sick,1997).

• Ameaças e Conservação: Além de ser uma espécie tipicamente florestal, esta ave possui hábitos pouco conhecidos, problemática que se acentua frente à carência generalizada de informações acerca de sua distribuição, devido ao número reduzido de registros. As corujas tradicionalmente possuem registros escassos devido principalmente ao hábito noturno, o qual dificulta o seu encontro. Por se tratar de rapineira de grande porte e essencialmente florestal, registrada apenas em remanescentes de mata com grandes dimensões, acredita-se que as principais ameaças às populações desta espécie sejam a supressão e a alteração vegetacional, assim como as conseqüências decorrentes, tais como maior competitividade por sítios de nidificação e abrigo e escassez de itens alimentares específicos. Adicionalmente, o abate dessas aves é bastante comum, devido a ataques fortuitos a animais de criação e crendices populares, como as que falam em mau agouro. Portanto as corujas necessitam de proteção integral, pois proporcionam benefícios ao homem controlando a população de animais como camundongos, insetos (Mikich e Bérnils, 2004). Nesse sentido, a principal medida para a conservação desta espécie consiste em gerar conhecimentos sobre sua biologia, ecologia e distribuição nos Estados de ocorrência além da proteção e preservação dos seus habitats preferenciais (Mikich e Bérnils, 2004).

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Indivíduo adulto. Parque Zoobotânico - Belém/PA. Abril de 2009. Foto: Marcos Cruz
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Filhote de Murucututu. local: Reserva madeiras - Teotônio Vilela/AL, Dez 2007. Foto: Aldir Júnior


:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::



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• Referências:

Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004.

MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)

Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.

Silva, H. G; Villafanã, M. P; Moreno, J. A. S, 1997. Diet of the spectacled owl (Pulsatrix perspicillata) during the rainy season in Northern Oaxaca, México.

SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.

Voirin, J. B.; Kays, R.; Lowman, M. D.; Wikelski, M. (2009) Evidence for Three-Toed Sloth (Bradypus variegatus) Predation by Spectacled Owl (Pulsatrix perspicillata). Edentata 8-10 : pág. 15-20. doi: 10.1896/020.010.0113.