• Descrição: A murucututu é uma coruja grande, mede aproximadamente 48 cm de comprimento. Não apresentam dimorfismo sexual, a fêmea é levemente maior, possuindo cerca de 680-906g e macho 453-680g. Possui cabeça bem arredondada sem a presença de “orelhas”. Sua característica mais marcante é uma faixa branca que se estende desde a sobrancelha até a lateral do bico, num desenho que lembra a letra X. O restante da face é rufa, a região ventral é creme barrada de rufo, o peito é constituído por manchas rufas que quase se encontram na região mediana do tórax e o dorso é uniformemente marrom-escuro. A plumagem da ave juvenil é diferente da do adulto, da mesma forma que as outras corujas. o filhote tem uma penugem branca ou amarelada contrastando com o disco facial preto.
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Dados desconhecidos (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio Grande do Sul: Em perigo (Marques, et al. 2002). |
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São Paulo: Dados desconhecidos (Silveira et al., 2009). |
• Alimentação: A murucututu têm uma alimentação variada, caça desde mamíferos do porte de um gambá até pequenas lagartas. Alimenta-se também de morcegos, anuros, pequenos répteis, além de aves em seu local de pouso noturno. Em áreas de mangue, captura caranguejos, grandes aranhas e insetos (Koning & Weick 2008). Como tática de caça, espera a presa pousada em um galho, apanhando-a sobre o solo ou nas árvores (Mikich e Bérnils, 2004). Geralmente suas atividades de caça se dá nos periodos do crepúsculo e no inicio da noite, quando a claridade é maior.
No Panamá, em 2009, o ornitólogo James Bryson Voirin encontrou evidências do ataque da murucututu (Pulsatrix perspicillata) contra um bicho-preguiça Bradypus variegatus (Voirin, et al., 2009). Foi encontrado um cadáver de uma preguiça-comum (Bradypus variegatus) morta com cinco perfurações pelo corpo, as marcas apontam que as perfurações foram feitas por uma grande coruja, análises forenses sugeriram que a murucututu Pulsatrix perspillata foi a responsável pelo ataque (Voirin, et al., 2009). Os dados de telemetria, local do cadáver e fezes no reto e próximo ao cadáver na base da árvore apontam que a preguiça foi descer até o chão para defecar quando foi morta pela coruja. Esse é o primeiro registro de P. perspicillata matar uma presa tão grande. Este evento também sugere que há um risco elevado para as preguiças descer ao chão para defecar (Voirin, et al., 2009). Detalhes desta predação extraordinária foi publicada pelos autores na Revista Edentata n° 8-10 de 2009. (link do PDF original)
• Reprodução: Nidifica em ocos de árvores, fendas em penhascos e cavidades naturais inseridas na floresta. Coloca em média, dois ovos brancos de aproximadamente 50,5 x 42,5 mm. A fêmea costuma iniciar a incubação após ter colocado o primeiro ovo, o que resulta em um tempo diferente de eclosão e tamanho dos filhotes (Koning & Weick, 2008). O período de incubação dura aproximadamente 35 dias, os jovens deixam o ninho em 5-6 semanas após o nascimento, mas ficam dependendo dos pais por quase um ano, mesmo após adquirir a plumagem definitiva. Segundo Koning & Weick (2008) a plumagem adulta pode levar até cinco anos para ficar pronta. A murucututu pode reaproveitar o mesmo local por vários anos consectivos (obs. pes. autor). Na RPPN Buraco das Araras, localizada em Jardim/MS, monitores da RPPN registraram por seis anos consecutivos a nidificação de uma murucututu em uma das fendas do paredão rochoso.

Fêmea e filhote no ninho, Buraco das Araras, dezembro 2012.
Foto: Olivia Suzuki |

Filhote com cerca de 3 semanas, Buraco das Araras, dezembro 2012.
Foto: Olivia Suzuki |

Ninhego. Margem do rio Verdinho - Itarumã/GO. Novembro, 2009.
Foto: Danilo Mota |
• Distribuição Geográfica: Ocorre do México à Bolívia, Paraguai e Argentina, e por grande parte do Brasil, sobretudo na Amazônia (Sick,1997). A espécie possui seis subespécies reconhecidas sendo duas delas ocorrentes em território brasileiro. Na região da Mata Atlântica ocorre a subespécie P. p. pulsatrix e na região amazônica a P. p. perspicillata.
• Hábitos/Informações Gerais: A murucututu habita florestas e matas com pouca pertubação, demostrando preferência por áreas próximas de corpos d’água (Sick,1997). Durante o dia, dorme pousada em galhadas densas do interior da mata, às vezes em casal em alturas variáveis entre 2 m e o topo da copa. Segundo Sick (1997) a murucututu pode ficar ativa durante dias nublados.
Segundo Miller citado por Sick (1997), ambos os sexos cantam, o casal de várias corujas cantam em dueto ou diálogo e as estrofes diferem, até certo ponto o da fêmea pode ser um pouco diferente, mais alta e rouca, devido ao tamanho menor da siringe. Não abrem o bico quando gritam, todos os filhotes estalam com o bico, batendo as mandíbulas. Como nas outras corujas, mais ouvida do que observada. Seu canto é um chamado grave, longo e um pouco descendente. O timbre lembra o som produzido por uma folha de zinco chacoalhada a distância, interpretado como murucututu. Conhecida também como corujão, coruja-do-mato, mocho-mateiro e coruja-de-garganta-preta. O disco facial da murucututu, atua como um refletor parabólico dos sons, focando sons com freqüências acima de 5 Quilohertz no meato acústico externo, e amplificando-os em 10 decibéus (Sick,1997).
• Ameaças e Conservação: Além de ser uma espécie tipicamente florestal, esta ave possui hábitos pouco conhecidos, problemática que se acentua frente à carência generalizada de informações acerca de sua distribuição, devido ao número reduzido de registros. No sul do Brasil, por exemplo, a murucututu possuí raríssimos registros recentes. Por se tratar de rapineira de grande porte e essencialmente florestal, registrada apenas em remanescentes de mata com grandes dimensões, acredita-se que as principais ameaças às populações desta espécie sejam a supressão e a alteração vegetacional, assim como as conseqüências decorrentes, tais como maior competitividade por sítios de nidificação e abrigo e escassez de itens alimentares específicos. Além disso, o abate de corujas é relativamente comum, devido a ataques fortuitos a animais de criação e crendices populares negativas.

Indivíduo adulto. Parque Zoobotânico - Belém/PA. Abril de 2009. Foto: Marcos Cruz |

Filhote da espécie. Reserva madeiras - Teotônio Vilela/AL, Dezembro de 2007. Foto: Aldir Júnior |

Filhote de Murucututu. Parque Zoobotânico - Belém/PA, Agosto de 2009. Foto: Marcos Cruz |
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Contato
• Referências:
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004.
KÖNIG, C. & WEICK, F. (2008) Owls of the world. Segunda Edição. New Haven, Connecticut: Yale
University Press.
MARQUES, A. A. B. et al . Lista de Referência da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. Decreto no 41.672, de 11 junho de 2002. Porto Alegre: FZB/MCT–PUCRS/PANGEA, 2002. 52p. (Publicações Avulsas FZB, 11)
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.
Silva, H. G; Villafanã, M. P; Moreno, J. A. S, 1997. Diet of the spectacled owl (Pulsatrix perspicillata) during the rainy season in Northern Oaxaca, México.
SILVEIRA, L.F.; BENEDICTO, G.A.; SCHUNCK, F. & SUGIEDA, A.M. 2009. Aves. In: Bressan, P.M.; Kierulff, M.C. & Sugieda, A.M. (Orgs), Fauna ameaçada de extinção no Estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo, Fundação Parque Zoológico de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente.
Voirin, J. B.; Kays, R.; Lowman, M. D.; Wikelski, M. (2009) Evidence for Three-Toed Sloth (Bradypus variegatus) Predation by Spectacled Owl (Pulsatrix perspicillata). Edentata 8-10 : pág. 15-20. doi: 10.1896/020.010.0113.