Os Urubus do Brasil

Urubu-de-cabeça-vermelha. Foto: Francisco Neto
Texto de: Willian Menq 
Os urubus, aves pertecentes a Ordem Cathartiformes, são animais com um papel ecológico de extrema importância. Eles são necrófagos, responsáveis pela eliminação de 95% das carcaças de animais mortos na natureza, faz uma espécie de “faxina” nos locais onde vive, pois elimina do meio ambiente a matéria orgânica em decomposição. No Brasil ocorre cinco espécies de urubus: O imponente urubu-rei (Sarcoramphus papa) e o urubu-da-mata (Cathartes melambrotus) encontrado em florestas e locais com pouca alterações humanas, o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus), e o mais comum de todos o urubu-preto (Coragyps atratus) que é facilmente visto sobrevoando os centros urbanos, mesmo em grandes cidades como São Paulo, frequentemente visto também vasculhando lixões.
Até pouco tempo, os urubus eram considerados "aves de rapina" que especializaram-se em comer carniça, igual os abutres do Velho mundo. Estudos biomoleculares mais detalhados concluiram que os urubus na verdade são mais próximos ao grupo das garças (Ciconiformes) do que dos gaviões (Accipitriformes e Falconiformes), é como se fossem cegonhas especializadas em comer carniça. Assim como as cegonhas, eles não produzem sons, as patas e as garras dos urubus também não são tão fortes quanto em outras aves de rapina, não tendo a função de matar ou transportar presas a longas distâncias. A primeira falange dos urubus, semelhante aos Ciconiiformes, é mais longa, o que dificulta a ação de “cravar” as unhas na presa, existe diversas adaptações e comportamentos entre os dois grupos. Por esta razão o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos posicionou o grupo dos urubus a uma ordem isolada, os Cathartiformes.
Apesar de sua importância e abundância, poucas pessoas conhecem seus hábitos, como o comportamento alimentar e a hierarquia respeitada por essas aves. Os urubus localizam a carcaça, normalmente, por possuírem um ótimo sentido de olfato, sendo muito mais desenvolvido nas espécies do gênero Cathartes como é o caso do urubu-de-cabeça-vermelha e de-cabeça-amarela, estes localizam primeiro a carcaça e assim são seguidos pelas outras espécies.
Uma adaptação dos urubus a alimentação, é que eles não possuem penas na cabeça e em partes do pescoço, isso pode ser explicado devido ao fato de se alimentarem de carniça, e essas penas poderiam ser um ponto de contaminação ao entrarem em contato com a carcaça, repleta de microorganismos prejudiciais a sua saúde. Uma tática um pouco estranha utilizadas pelos urubus para perder calor (se refrescar) é a de defecar nas próprias pernas, além disso, ficam com o bico aberto para perder calor.
Entre os urubus existe as vezes uma certa "hierarquia" entre as espécies, o urubu-rei por exemplo, pela exuberante coloração, grande tamanho e forte bico, o torna o unico urubu a conseguir abrir partes mais difíceis da carcaça. Por essa razão, ao frequentar uma carcaça junto a outros urubus, ele "abre" a carcaça e se alimenta e os outros repeitosamente aguardam ele terminar o banquete, dando a ele o aspecto de rei.
Algumas espécies mais sensíveis como é o caso do urubu-rei e o urubu-da-mata, são afetados com ações do homem sendo mais raro em regiões devastadas pelo avanço da urbanização, por outro lado, o urubu-preto (Coragyps atratus) é uma espécie adaptada ao meio urbano e rural e aumenta sua população de acordo com o crescimento de lixo produzido pelo homem. Os urubus não passam mal ao comerem carnes podres, seu estômago secreta um suco gástrico que neutraliza as bactérias e toxinas presentes na carne putrefata. Além disso, acredita-se que os anticorpos de seu sistema imunológico fazem com que eles sejam imunes a doenças que atingiriam os humanos.

Urubu-rei jovem (S. papa). Monte Alegre do Sul/SP. Setembro de 2009. Foto: Luís Gonzaga Truzzi |

Urubu-de-cabeça-preta (C. atratus). Ilha-do-mel/PR, Outubro de 2009. Foto: Willian Menq |

Urubu-de-cabeça-amarela São Gabriel/RS, Junho de 2011. Foto: José Paulo Dias |

Urubu-de-cabeça-vermelha, Tuneiras do Oeste-PR.
Foto: Willian
Menq |
Publicado em: 29 de Março de 2010.
Bibliografia: Todas as informações científicas contidas nesse texto retirei das respectivas fichas das espécies citadas desse mesmo site.