• Descrição: O gavião-de-penacho mede de 58 a 67 cm de comprimento, apresenta uma envergadura de asas de até 140 cm (Fergunson-Lee & Christie, 2001; Sick, 1997). Os machos podem pesar cerca de 1 kg e as fêmeas chegam a atingir 1,5 kg, havendo uma diferença de tamanho entre os sexos, sendo a fêmea maior que o macho. Na cabeça possui um conjunto de penas que medem até 10 cm, formando um penacho preto. As laterais da cabeça, nuca e peito são castanho-avermelhadas, com a garganta, o ventre e os flancos brancos, estes apresentando barras irregulares negras. O dorso e as asas são marrom-pardacentos, quase negros. Seus tarsos são completamente emplumados e sua cauda longa apresenta três barras cinza-pardacentas. O jovem abandona o ninho com plumagem toda branca, apenas com os flancos e os tarsos barrados. O castanho do pescoço e as demais características da plumagem adulta surgem com as mudas consecutivas (Fergunson-Lee e Christie, 2001; Sick, 1997). A espécie recebe esse nome devido ao notável penacho que se ergue verticalmente no topo da cabeça. Embora chamado de gavião no Brasil, o gênero Spizaetus pertence às aves de rapina conhecidas como águias-florestais (Hawk-eagles), esse grupo possui asas largas, curtas, cauda longa, silhueta adaptada a vôo ágil e boa manobridade em meio à floresta. Conhecido também como Apacanim e Águia-de-tufo.
• Espécies similares: Os indivíduos jovens de tautaó-pintado (Accipiter poliogaster) apresentam um padrão de coloração muito similar ao adulto do Spizaetus ornatus, porém o A. poliogaster é bem mais pequeno, sem topete e não apresenta os tarsos emplumados. Indivíduos jovens da espécie são parecidos com o gavião-pato (Spizaetus melanoleucus). Em vôo pode ser confundido com o gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus).
• Alimentação: Caça preferencialmente aves e pequenos mamíferos, possuindo uma dieta diversificada, com variações locais. Alimenta-se de várias espécies de aves, como araras (Ara), papagaios (Amazona), baitacas (Pionus), tucanos (Ramphastos), cracídeos (Penelope, Ortalis e Crax), macucos (Tinamus), inhambus (Crypturellus), urus (Odontophorus) e pombas (Columba e Leptotila). Depois das aves, são os mamíferos as presas mais freqüentes: gambás (Didelphis), serelepes (Sciurus), quatis (Nasua) e porcos-espinho (Coendou). Répteis, como grandes lagartos (Tupinambis), são capturados em menor número.
Caça principalmente no interior da floresta, voando silenciosamente e rapidamente entre as árvores, capturando presas tanto no solo quanto nas árvores. Rodinson (1994) relatou quatro observações no Peru, desta águia atacando saracuras e frangos d'agua em aguas rasas. Ele costuma também seguir formigas de correição para capturar animais espantados por elas. Um estudo realizado em Petén na Guatemala sobre a dieta desta espécie, mostrou que 55% da biomassa de presas era constituida por aves, 31% por mamíferos e 19% de outros vertebrados não identificados (del Hoyo et al., 1994) Mais sobre alimentação...
• Reprodução: Realiza vôos de acasalamento um ou dois meses antes do início da postura dos ovos, quando a fêmea permanece em poleiros nas proximidades do ninho, construído no topo de árvores emergentes com alturas que variam de 16 a 30 metros. No Brasil, a época reprodutiva se inicia em agosto com os trabalhos de retoque do ninho. O ninho é construído na bifurcação primária ou secundária de grandes árvores, é uma imensa plataforma de galhos secos que ultrapassam 1 metro de comprimento e largura. A postura é de único ovo, sendo incubado durante 48 a 51 dias. A fêmea fica responsável pela incubação no ninho sendo alimentada pelo macho, como acontece com as outras espécies do gênero e outras águias de grande porte. O filhote abandona o ninho com mais de 80 dias, mas permanece no sítio reprodutivo e dependendo dos pais por, cerca de 15 meses, fazendo com que haja um intervalo de pelo menos dois anos entre uma reprodução e outra.
• Distribuição Geográfica: O gavião-de-penacho originalmente estava presente em quase todo o Brasil e também do México ao norte da Argentina. Ocorria virtualmente em quase todos os Estados, mas devido à perda do hábitat, tornou-se extremamente raro fora da região amazônica, com poucos registros nas demais regiões do Brasil (Sick & Teixeira, 1979, Sick, 1997).
Registros recentes no Brasil...
• Subespécies: São conhecidas duas subspécies, Spizaetus ornatus vicarius: ocorre a partir do sudeste do México até o oeste da Colômbia e Equador. Spizaetus ornatus ornatus: a leste, da Colômbia até as Guianas e Trinidad e, ao sul, a leste do Equador, nordeste do Peru, norte e leste da Bolívia e Brasil até o Paraguai e norte da Argentina.
• Hábitos/Informações Gerais: É um poderoso predador das florestas neotropicais. Estritamente florestal, habita as mais distintas variações das florestas equatoriais e tropicais úmidas e estacionais e, no cerrado, pode ser observado em matas de galeria e matas ciliares preservadas, situadas até 9.000 m acima do nível do mar. Nas horas quentes do dia, gosta de aproveitar as termas quentes para planar e ganhar altura sobre o dossel da floresta, geralmente na parte da manhã e também na época reprodutiva.
No Panamá, Canuto (2008) verificou que esta espécie não ocorria nas bordas de floresta do Parque Nacional de Soberania, ao contrário do Spizaetus tyrannus, ele sugeriu então que esta espécie é muito sensível a fragmentação do habitat e da presença humana, o que pode limitar sua capacidade de dispersar em ambientes fragmentados. Aparentemente caça dentro da mata, usando poleiros altos para observar a passagem de possíveis presas. Assim como a harpia (Harpia harpyja), esta ave tem grande apelo popular, não apenas pelo porte e coloração atraentes, mas especialmente por ser um exemplo destacado dos processos de extinção aos quais foram submetidas.
• Status nas listas vermelhas estaduais:
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Paraná: Em perigo (Mikich & Bérnils, 2004). |
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Rio Grande do Sul: Provavelmente extinto (Marques, et al. 2002). |
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São Paulo: Criticamente em perigo (Silveira et al., 2009). |
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Minas Gerais: Em perigo (Drummond et al. 2008). |
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Rio de Janeiro: Em perigo (Alves, et al. 2000). |
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Espírito Santo: Criticamente em Perigo (Simon et al, 2007). |
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Santa Catarina: Criticamente em Perigo (Ignis, 2008). |
• Ameaças e conservação: Por possuir populações consideráveis na região amazônica e ter uma extensa distribuição geográfica nas Américas, esta espécie não figura na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. No entanto, o gavião-de-penacho enfrenta problemas de conservação em todos os estados do sudeste e sul do país (Mikich e Bérnils, 2004). Infelizmente, da mesma maneira que outros rapinantes brasileiros o gavião-de-penacho é hoje considerado uma espécie rara em função da falta de florestas preservadas, da matança indiscriminada de aves de rapina e do tráfico de aves selvagens. Além disso, outra ameaça vem sendo o tráfico de filhotes, geralmente para o exterior, uma vez que é muito valorizado em outros países, para o uso em falcoaria. S. ornatus já foi considerado provavelmente extinto no Rio Grande do Sul (Bencke et al. 2003), mas nos últimos anos foram realizadas novas observações da espécie no RS provando que ainda não foi extinto por lá (Mendonça-Lima, 2006).
• Video da espécie: Gavião-de-penacho caçando uma iguana, video do documentário venezuelano "Expedicion - cazadores del aire: aves rapaces" .:: Assistir o video ::.

Vale do Jamacá - Chapada dos Guimarães/MT, Out 2009.
Foto: Eduardo Patrial |

Indivíduo em vôo. Presidente Figueiredo,
Manaus - AM. 2008.
Foto: Marcelo Barreiros |
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Indivíduo adulto. Reserva Mangaloma, Pichincha, Equador.
Dez. 2010. Foto: Ian Davies |

Zoológico de São
Paulo - SP.
Maio de 2008.
Foto: Willian Menq |
:: Página editada por: Willian Menq em 2011. ::

Contato
• Referências:
Albuquerque, J. L. B. Observations of rare raptors in Southern Atlantic rainforest of Brazil. J. Field Ornithol. 66: 363-369. 1995
del Hoyo, J., A. Elliot, J. Sargutal, et. al. 1994. Handbook of the Birds of the World, Volume 2. Barcelona: Lynx Edicions- Mendonça
Ignis 2008. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção em Santa Catarina. Disponível em: < www. http://ignis.org.br/lista > Acesso em Agosto de 2011.
Lima, A., Zilio. F., Joenck, C. M. e Barcellos, A. Novos registros de Spizaetus ornatus (Accipitridae) no sul do Brasil. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (3) 279-282. Setembro de 2006.
Mikich, S.B. & R.S. Bérnils. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná, 2004. Disponível em: <http://celepar7.pr.gov.br/livrovermelho/> Acessado em: julho 2007.
Sick, H. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 862p. 1997.
Zorzin, G., C.E.A. Carvalho, E.P.M. Carvalho Filho & M. Canuto. 2006. Novos registros de Falconiformes raros e ameaçados para o estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ornitologia 14 (4): 417-421.
• Site associado: Global Raptor Information Network (em inglês)
Mais Referências Bibliográficas...