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Aves de Rapina Urbanas


Gavião-carijó (Rupornis magnirostris).
Foto: Silvana Licco

Texto de: Willian Menq
Nas últimas décadas, com o processo de urbanização, é possivel notar a presença de diversas espécies de aves nos ambientes urbanos. Estas aves que se adaptaram nas cidades são na maioria das vezes aquelas que viviam em áreas abertas. A cidade simula, a grosso modo, uma savana, ou seja, espaços abertos campestres ponteados com vegetação arbórea dispersa. Desta forma, as espécies mais prováveis de se encontrarem nela são as próprias deste tipo de ambiente.

Alguns dos fatores responsáveis por esta atração é o aumento da disponibilidade de alimento (restos de alimentos humanos) que podem alimentar diversas aves como pardais, pombos e bem-te-vis. A maior disponibilidade de locais para ninhos, como cavidades artificiais, forros de casas e outras estruturas, atrai pássaros que se utilizam destes lugares como a corruíra Troglodytes musculus. A ocorrência de árvores frutíferas, muitas destas exóticas, podem atrair aves frugívoras e nectarívoras, como o sabiá-laranjeira, sanhaço e também beija-flores. Práticas de atração de aves, com a colocação de fontes de água, alimentos, bebedouros para beija-flores e caixas para ninhos, podem também ser fatores responsáveis pelo adensamento populacional de algumas espécies nos ambientes urbanos.

Com esta grande disponibilidade de aves e de outros animais nas cidades (roedores, insetos), acaba atraindo alguns predadores como gaviões, falcões e outras aves de rapina. Dentre as aves de rapina urbanas, podemos citar o caracará Caracara plancus, uma das espécies mais comuns do Brasil, é visto facilmente sobrevoando edifícios nas grandes cidades. O caracará é oportunista, usufrui de todas as fontes disponíveis, ou seja, "come de tudo". Alimenta-se de restos de comida no lixo das casas ou animais mortos atropelados nas estradas, em áreas rurais costuma seguir tratores para caçar pequenos animais no solo revirado, é também um comedor de carniça chegando logo a uma carcaça junto aos urubus.

Dentre os falcões que habitam as cidades, destaca-se o falcão_quiriquiri Falco sparverius bastante pequeno (23-27 cm de comprimento) é o mais comum dos falcões brasileiros, caça principalmente insetos e pequenos vertebrados. O quiriquiri costuma usar postes, fios e antenas como poleiro fixo para observar suas presas e caçar. Naturalmente nidifica em árvores, usando cavidades e ninhos abandonados. Nas cidades, ele costuma usar forro de casas, torres e outras cavidades artificiais para construir seu ninho. Outro falcão que pode ser encontrado nesse ambiente é o falcão peregrino Falco peregrinus, migratório do hemisfério norte, ele é encontrado no Brasil de outubro à abril. Nas cidades é visto pousado sobre prédios, edifícios e torres de telefonia, de onde se lança em vôo para perseguir suas presas. É um eficiente caçador de aves, caça principalmente pombos domésticos Columba livia e outras aves, podendo predar também morcegos na qual os persegue em vôo.

O gavião-carijó Rupornis magnirostris é também visto e ouvido com frequência em ambientes urbanos, oportunista caça pequenos vertebrados e artrópodes. Por vezes tenta capturar pássaros em gaiola, mas geralmente captura filhotes de aves no ninho, e aves debilitadas ou doentes e roedores. Normalmente é visto sobrevoando as cidades em vôos circulares vocalizando com seu som característico. Nidifica em árvores na cidade ou em instações artificiais, bastante territorial defende sua prole contra qualquer intruso que se aproxime do ninho, inclusive o homem.


Gavião-carijó que entrou acidentamente em um terraço, Rio de Janeiro/RJ, Outubro de 2010.
Foto:
Diogo Araujo

Coruja-buraqueira. Sem dúvida a mais vista das corujas brasileiras. Maringá/PR, 2010.
Foto:
Willian Menq

Caracara (Caracara plancus) uma das aves de rapina mais notadas nos centros urbanos.
Foto:
Humberto Marques

Outros gaviões menos frequentes, mas que costumam viver nas periferias dos centros urbanos é o gavião-de-cauda-curta Buteo Brachyurus, o gavião-de-cauda-branca Buteo albicaudatus e o gavião-caboclo Heterospizias meridionalis. Planadores, assim que visualizam uma nuvem de fumaça seja no campo ou nas cidades, em poucos minutos eles já estão sobrevoando a área em busca de animais mortos ou aqueles que são afugentados pelas chamas. O gavião-peneira Elanus leucurus costuma sobrevoar campos e terrenos baldios onde fica "peneirando" sobre estes lugares atrás de alimento.

Se tratando dos predadores noturnos, as corujas como a suindara Tyto alba, são frequentemente vistas nidificando em torres de igreja ou sótão de casas. Essa coruja é uma grande exterminadora de roedores colaborando com a saúde pública já que roedores transmitem diversas doenças. A coruja-buraqueira Athene cunicularia também muito comum nas cidades, devido ao seu hábito diurno é a mais conhecida das corujas, habita terrenos baldios e áreas abertas nidificando em cavidades no solo, alimenta-se principalmente de besouros, aranhas e outros invertebrados. Outra coruja comum das paisagens urbanas é a corujinha-do-mato Megascops choliba, extremamente noturna costuma se aproveitar da iluminação publica para encontrar e capturar insetos que são atraídos pela luz.


Falcão de coleira se alimentando de um periquito. Poço de Caldas MG.
Foto:
Beto Ramos

Indivíduo macho se alimentando de um roedor. São Carlos/SP, Fev 2007. Foto: Claudio Girotto

Falcão peregrino em seu poleiro de repouso. Salvador/BA.
Foto:
Sávio Drummond

Sem dúvida, às aves de rapina que habitam áreas urbanas exercem um papel fundamental nesse ambiente, controlando animais considerados "pragas" como ratos, pombos e insetos e os peçonhentos como aranhas, escorpiões e cobras. Colaboram também com o controle de infestações de pombos e pardais. Apesar de algumas aves rapineiras serem adaptadas aos ambientes urbanos, a maioria das espécies dependem de áreas naturais para sobreviverem, e com o avanço da agropecuária e da urbanização essas espécies acabam por muitas vezes sendo extintas da região. Preservação e conscientização é sempre fundamental para garantir a sobrevivência desses magníficos animais.

Publicado em: 25 de Abril de 2010.


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